"Vamos buscar o significado de ter nascido e a alegria de viver".
Em meio ao forte aroma de incenso e o ritual do jovem monge dentro do templo budista, não consegui desviar meu olhar desta frase estampado na parede lateral. Na outra parede a mesma frase escrita em língua japonesa.
Onde estaria o mapa do tesouro?
Imaginei um baú antigo de tesouro e dentro um velho pergaminho com o mapa que nos levaria ao lugar
onde estaria enterrado um livro com o nome de cada ser humano indicando o real motivo individual de termos nascido.
Estávamos reunidos em memória do meu tio que partira há um ano atrás após muito sofrimento.
Fechei os olhos e me recordei dos melhores momentos que passamos juntos na minha infância.
Todas as tardes de domingo ele vinha nos visitar e assistíamos ao programa "Jovem Guarda" na televisão, comandado pelo trio Roberto Carlos, Erasmos Carlos e Vanderléia. Éramos crianças mas o que eu adorava era este programa dominical com lanche, refrigerante e música juntamente com meus tios.
Os carnavais que ele nos levava de "fusca" para ver o movimento da cidade e o gosto do "bijú" que ele nos comprava nos faróis. Tempos que não havia perigo trafegar com a janela do carro aberta e ainda comprar doces no intervalo dos faróis da cidade. Ontem encontrei bijú numa loja de doces e saudosa comprei, ao degustá-lo sentí que não era o mesmo gosto daquele que meu tio me presenteara no farol.
Aquele tinha o gosto da surpresa, da descoberta, até mesmo de uma transgressão pois meus pais nunca compravam nada na rua e eu nunca havia provado um bijú. Bijú vendido por um moço que fazia barulho com um instrumento de madeira para chamar a atenção dos compradores, anunciando a sua passagem pelas ruas e avenidas.
Quando fiquei gravemente doente na minha infância, meu tio muito nos ajudou, era uma presença constante e sempre fui muito grata pela sua existência na minha infância. Assim ele fez para muitas pessoas, aos amigos, aos meus avós, à tantas pessoas...
Hoje, durante a missa só conseguia me lembrar do seu rosto sorridente e satisfeito ao ver a família reunida e do seu cheiro de cigarro.
Voltei à frase da parede, com certeza ele foi uma pessoa muito necessária para muitas pessoas, uma pessoa com um grande significado da sua existência.
Eu sentí que ainda precisaria percorrer muitos caminhos para encontrar o meu livro, o significado do meu nascimento neste mundo, pois alegria é que não falta neste mundo, basta olharmos para o sorriso das crianças ao nosso redor, para os pássaros que nos acordam com seus cantos nas manhãs, mesmo morando numa grande metrópole!
domingo, 29 de agosto de 2010
sexta-feira, 20 de agosto de 2010
Medo
"Sempre tive medo, apenas nunca deixei de enfrentar".
Há muitos anos lí esta frase. Não me recordo com exatidão se foram estas as palavras, mas o conteúdo de uma resposta dada a uma repórter pela escritora Lya Luft foi esta.
Admiro-a muito, pela sua forma de escrever, pelo seu talento de contemplar a vida e pela coragem de se mostrar, expondo o que se passa no seu âmago, através das palavras.
A frase me tocou bastante pois embora numa escala bem menor encontrei uma certa semelhança com o meu modo de viver.
Muitas vezes já ouvi os seguintes comentários:
- Nossa! Naomy, você está sendo corajosa!
ou
- Puxa! Você é muito forte!
Quando ouço isto acho interessante como conseguimos enganar tão bem o que na realidade somos por dentro.
A intensa fragilidade procuramos esconder através do enfrentamento.
Desde a minha infância sempre fui muito medrosa, daquelas que tem medo da própria sombra.
Medo do escuro, medo de sofrer, medo da dor, medo da perda, medo da ausência, medo de uma infinidade de coisas que a cada passo tenho tentado driblar. Não tenho medo de fantasmas, assombrações, tenho medo é da realidade que nos cerca, nos testa e não tem piedade.
Demorei muito a entender que o fato de ter medo não é uma prevenção nem nos torna imunes a sofrimentos e perdas e muito menos nos permite pular etapas.
Quando adolescente soube que eu deveria passar por uma pequena cirurgia. Embora uma microcirurgia, eu era uma mocinha que nunca havia passado por isto, fiquei com muito medo. Marquei para dois dias depois.
O médico admirado disse:
- Olha, não é tão frequente uma paciente que se mostra tão decidida e determinada. Você é muito corajosa!
Eu apenas sorri, mas ele estava totalmente equivocado. Eu estava com tanto medo, tanto medo que achei melhor passar por isto o mais depressa possível pois não iria agüentar ficar semanas pensando sobre a cirurgia. Se fosse possível faria naquele instante.
Houve uma época em que tive muito medo de perder a minha mãe. Quando criança pensava ser impossível sobreviver a uma vida sem a minha mãe. Mesmo já adulta, em muitas internações hospitalares pelo qual minha mãe passou nos ultimos anos de sua vida, meu coração ficava a ponto de explodir. O médico dela se preocupava comigo, me alertava sempre para me preparar, ser forte. Tentei me prevenir, exercitava a perda para tentar amenizar o sofrimento quando chegasse o momento. Nada disso funcionou, não me imunizou, tive que enfrentar passo a passo o ritual da perda com muito sofrimento, mas com os olhos bem abertos e com as pernas firmes sobre o chão.
Concluí que de nada adianta sofrer por antecedência, tentando se acostumar com a perda.
No momento exato a dor e o sofrimento é singular.
Para esta cena não há ensaios.
O medo é um fatasma que nos castiga antecipadamente sobre uma realidade que está por vir que ainda não chegou, que pode ser feia ou não tão feia ou nada feia.
Toda essa vivência tem servido para me ensinar que embora não seja fácil deixar de sentir medo, não vale a pena sofrer por antecipação, criar fantasmas imaginando o tamanho e a feiúra do "Lobo Mau" que virá nos assustar.
Afinal, o Lobo pode não ser tão mau assim e nós também poderemos não ser tão ingênuas quanto a "Chapéuzinho Vermelho".
Poderemos mudar o rumo da história, pintarmos a Chapéuzinho de outra cor e criarmos uma outra história para nossas vidas!
Há muitos anos lí esta frase. Não me recordo com exatidão se foram estas as palavras, mas o conteúdo de uma resposta dada a uma repórter pela escritora Lya Luft foi esta.
Admiro-a muito, pela sua forma de escrever, pelo seu talento de contemplar a vida e pela coragem de se mostrar, expondo o que se passa no seu âmago, através das palavras.
A frase me tocou bastante pois embora numa escala bem menor encontrei uma certa semelhança com o meu modo de viver.
Muitas vezes já ouvi os seguintes comentários:
- Nossa! Naomy, você está sendo corajosa!
ou
- Puxa! Você é muito forte!
Quando ouço isto acho interessante como conseguimos enganar tão bem o que na realidade somos por dentro.
A intensa fragilidade procuramos esconder através do enfrentamento.
Desde a minha infância sempre fui muito medrosa, daquelas que tem medo da própria sombra.
Medo do escuro, medo de sofrer, medo da dor, medo da perda, medo da ausência, medo de uma infinidade de coisas que a cada passo tenho tentado driblar. Não tenho medo de fantasmas, assombrações, tenho medo é da realidade que nos cerca, nos testa e não tem piedade.
Demorei muito a entender que o fato de ter medo não é uma prevenção nem nos torna imunes a sofrimentos e perdas e muito menos nos permite pular etapas.
Quando adolescente soube que eu deveria passar por uma pequena cirurgia. Embora uma microcirurgia, eu era uma mocinha que nunca havia passado por isto, fiquei com muito medo. Marquei para dois dias depois.
O médico admirado disse:
- Olha, não é tão frequente uma paciente que se mostra tão decidida e determinada. Você é muito corajosa!
Eu apenas sorri, mas ele estava totalmente equivocado. Eu estava com tanto medo, tanto medo que achei melhor passar por isto o mais depressa possível pois não iria agüentar ficar semanas pensando sobre a cirurgia. Se fosse possível faria naquele instante.
Houve uma época em que tive muito medo de perder a minha mãe. Quando criança pensava ser impossível sobreviver a uma vida sem a minha mãe. Mesmo já adulta, em muitas internações hospitalares pelo qual minha mãe passou nos ultimos anos de sua vida, meu coração ficava a ponto de explodir. O médico dela se preocupava comigo, me alertava sempre para me preparar, ser forte. Tentei me prevenir, exercitava a perda para tentar amenizar o sofrimento quando chegasse o momento. Nada disso funcionou, não me imunizou, tive que enfrentar passo a passo o ritual da perda com muito sofrimento, mas com os olhos bem abertos e com as pernas firmes sobre o chão.
Concluí que de nada adianta sofrer por antecedência, tentando se acostumar com a perda.
No momento exato a dor e o sofrimento é singular.
Para esta cena não há ensaios.
O medo é um fatasma que nos castiga antecipadamente sobre uma realidade que está por vir que ainda não chegou, que pode ser feia ou não tão feia ou nada feia.
Toda essa vivência tem servido para me ensinar que embora não seja fácil deixar de sentir medo, não vale a pena sofrer por antecipação, criar fantasmas imaginando o tamanho e a feiúra do "Lobo Mau" que virá nos assustar.
Afinal, o Lobo pode não ser tão mau assim e nós também poderemos não ser tão ingênuas quanto a "Chapéuzinho Vermelho".
Poderemos mudar o rumo da história, pintarmos a Chapéuzinho de outra cor e criarmos uma outra história para nossas vidas!
quinta-feira, 5 de agosto de 2010
Meu Pai.
Pai.
Sei que o senhor não irá ler esta página.Não tem computador nem é dado a ler textos em português.
Dia sim, dia não, almoçamos juntos, falamos de quase tudo, mas ainda tenho o "quase" guardado dentro de mim. Não sou uma pessoa que tem problemas em falar dos próprios sentimentos, mas nunca cheguei a me desnudar diante dos meus pais no que diz respeito ao meu amor por eles. Respeito? Timidez? Vergonha?Talvez pelo receio de me sensibilizar excessivamente e também pela sensação da desnecessidade de verbalizar o óbvio.
Sempre fui a "filhinha da mamãe". Tenho uma fotografia que me registra em desespero nos braços do meu pai, pois o que eu queria era ir atrás da minha mãe. Onde minha mãe estivesse eu tinha que sair correndo atrás dela. Entre tantos acontecimentos destacam-se alguns mais graves. Quando eu tinha cinco anos era especialmente grudada à minha mãe, ficava o dia todo colada a ela. Um certo dia eu estava resfriada, ela iria lavar o quintal, queria que eu ficasse dentro de casa para não me molhar. Me achando muito esperta fingi obedecer, mas quando ela me deu as costas, saiu para o quintal e bateu a porta tentei segurar a porta pelo lado que tem as dobradiças e é claro que com as mãos de uma criança de cinco anos não consegui impedir que a porta se fechasse e lá se foi meu dedo entre o batente e a porta. Minha mãe me ouvindo gritar, abriu a porta, viu o meu dedo mindinho amassado e sangrando. "POEIM!" caiu desmaiada no chão. Meu pai, cujo estúdio de trabalho era na própria residência, veio correndo e ao ver aquela cena empalideceu e com o semblante muito sério me colocou numa cadeira, correu para carregar a minha mãe até a cama, me pegou em seus braços e correu até o Pronto Socorro. Soluçando, alternei meu olhar entre o rosto muito sério do meu pai e do médico. Com muito medo observei a costura sendo feita no meu dedo como se costura um tecido. Cada vez que vejo meu dedo mindinho torto com a cicatriz da costura reconheço que dei bastante trabalho aos meus pais. Tinha muito medo do meu pai na infância, quando ele falava bravo era definitivo e não havia outra opção senão obedecê-lo. Ele trabalhava noite e dia sem descanso nem férias, para ele não havia nem sábado nem domingo. Nas caminhadas que fazíamos ao cair da tarde, ele me contava que havia saido sózinho da Colônia Ribeirão dos Índios aos dezessete anos. Morou numa pensão na cidade de Marília, trabalhou como aprendiz de fotógrafo. Após seus vinte anos resolveu ser aprendiz de fotógrafo em um estúdio de São Paulo. Cursava o ginasial no período noturno, mas as repetidas horas extras que era obrigado a fazer atrapalhava-o nos estudos. Um certo dia decidira que iria se dedicar exclusivamente ao trabalho para se estabelecer, casaria com uma boa mulher, teria filhos e os faria se formarem. Trabalhou duro até conseguir ter o seu próprio estúdio e então conheceu minha mãe quando ela apareceu como uma cliente em seu estúdio. Foi amor à primeira vista, ou melhor, ele conta que foi certeza a primeira vista. Encontrara a mulher da sua vida! Estas caminhadas vespertinas nos aproximava, eu jamais esqueci do delicioso sabor do pastel e guaraná gelado que meu pai me presenteava no caminho de volta, um segredo nosso antes do jantar.
Mesmo sendo amigos tínhamos as nossas diferenças. Eu nunca fui uma criança fácil, nada sabia mas tinha opinião para tudo. Até mesmo a disciplina radical do meu pai, a dedicação excessiva ao trabalho me fazia revoltar. Eventos da escola e festas ele nunca participava pois estava sempre trabalhando para cumprir prazos de entrega de fotografias aos seus clientes.
Ele apenas nos levava aos locais dos eventos, então, nas festas éramos sempre uma família de mãe e filhos. Sempre respondíamos, sem graça, às perguntas das pessoas:
- E papai, não veio?
- Ele está trabalhando.
E logo vinha a outra pergunta :
- No domingo?
Recordo-me que sempre brigava com meu pai ao descer do carro e um dia muito revoltada gritei bem alto:
- É sempre a mesma coisa, o senhor nunca participa de nada! Só pensa em trabalhar!
No banco do motorista ele nada falou me olhou simplesmente, mas nunca me esquecí do seu semblante triste. Hoje consigo perceber como deve ter sido difícil ouvir estas palavras minhas, uma criança que ainda não compreendia o tamanho do esforço necessário para sózinho sustentar uma família. Tive os meus momentos de adolescente revoltada com o pai. Tinha grandes e acirradas discussões com ele sobre vários assuntos, política, romance, cinema, qualquer tema virava uma polêmica entre nós. Mesmo falando a mesma coisa discutíamos como se tivéssemos opiniões completamente divergentes. Meus irmãos nunca foram assim, mesmo quando não concordavam com a opinião dele sabiam a hora de parar. Eu brigava, não aceitava as opiniões dele e nem ele as minhas. Contudo quando ele falava era muito difícil superá-lo em argumentações.
Ano passado, viajamos para um campeonato de "Taikô"( Grande tambor - Percussão japonês) que meus sobrinhos iriam participar. O evento aconteceu na cidade de Marília, cidade onde meu pai havia morado aos seus vinte anos quando ainda era aprendiz de fotógrafo. Ele que detesta viagens resolveu nos acompanhar para torcer pelos netos e também para rever a cidade após mais de sessenta anos. Ficamos todos num hotel da cidade, eu e meu pai dividimos o quarto. Na madrugada, ao vê-lo deitado na cama ao lado, dormindo, meu coração se apertou. Parecia tão frágil e tão diferente daquele homem que eu ia de encontro com as minhas revoltas, minhas palavras agressivas, pois enxergava-o como um muro forte e irredutível que eu podia ir de encontro sem reservas que jamais iria se desmoronar. Ele sempre foi uma espécie de muro para mim. Um muro que me limitava mas também o muro que me protegia e tudo resolvia. Quando fiquei sériamente doente aos seis anos, quando tirei minha carta de motorista, quando eu bati o carro, quando me casei, em todos os momentos esteve sempre ao meu lado para tudo resolver. Um homem que sempre viveu em função da família, que com a ajuda da minha mãe conseguiu criar e formar seus filhos como ele planejara. Quando ficou viúvo sofreu muito, o quanto, penso que nunca poderemos imaginar, tamanho era o seu amor pela minha mãe, mas se manteve firme, não queria nos dar preocupação. Até hoje, após cinco anos que minha mãe partira, tudo que o faz recordá-la, enche seus olhos de lágrimas.
Aos oitenta e tantos anos de idade iniciou-se no mundo da escrita em língua japonesa, publica seus textos com uma certa regularidade num jornal da colônia japonesa e tem surpreendido a todos com a qualidade e um conteúdo bastante sensível e romântico, onde minha mãe é a sua principal inspiração.
Pai, sou muito grata a você, respeito-o e admiro-o muito.
Sei que nunca conseguirei ser forte, guerreira e disciplinada tanto quanto ao senhor, muito menos superá-lo.
Pai, adotei uma atitude de palhaça e brava com o senhor pois não quero vê-lo frágil.
Sei que hoje é chegada a nossa vez de ser o seu muro, mas ainda estou condicionada a vê-lo como sendo o nosso muro forte que nos protege e nos ampara.
Pai, nunca te disse em palavras, mas em atitude, de sobra.
Pai, eu te amo.
Feliz Dia dos Pais!
domingo, 1 de agosto de 2010
Minha plantação.
Já falei anteriormente sobre o complexo que sinto da minha ignorância botânica (postagem do dia 12/05/10)e também da minha tentativa de aprendizagem. Tenho um imenso prazer em contar que tenho evoluido, embora a passos de tartaruga. No prédio onde resido, reparei que um morador do térreo plantara cebolinhas num vaso e de tão lindas me causavam muita inveja(boa, como muitos dizem, se é que isto existe). Eram vistosas, sadias e chamavam muita atenção. Um certo dia ao encontrar com o moço, dono das cebolinhas, elogiei sua plantação e ele muito satisfeito, gentilmente, me respondeu:
- Quando você quiser esteja à vontade para colhê-las!
Agradeci, mas não teria cabimento deixar a plantação do moço à mingua. Resolvi imitá-lo.
Comprei um montão de maços de cebolinha e à medida que ia consumindo, plantava a raiz num vaso, na minha varanda. Rápidamente ela se desenvolveu e o meu vaso também se encheu de cebolinhas vistosas e apetitosas. Cada prato que preparo, lá vou eu eufórica para a minha varanda buscar as cebolinhas com carinho e respeito. E eles dão o toque final delicioso aos meus quitutes. A raíz da cebolinha permanece no vaso, então novamente ela se desenvolve e assim nunca mais faltaram cebolinhas na minha cozinha. Com o sucesso, a minha gula pensou mais longe e resolvi que precisava de salsinhas também. Salsinhas não se vendem com as raízes, portanto fui à procura de sementes de salsinhas, porém encontrei apenas de coentros.
Coentro era uma erva que eu não possuía intimidade. Lembrei que a minha aluna Darcy, uma senhora de 76 anos muito bem vividos, (também já postei a respeito dela no dia 17/04/10) havia comentado que a erva que melhor harmonizava com o feijão era o coentro. Até então, todas as vezes que ia ao supermercado à procura de salsinha e encontrava apenas maços de coentro, olhava torto para eles, arrancava uma folhinha, cheirava e em pensamento murmurava:
-Só tem você, hoje! Que bela droga, embora tenha um design das folhas semelhante à salsinha, você não me apetece. De que me serve você com este seu aroma estranho?
Porém, após ouvir o comentário da minha aluna resolvi dar uma chance ao coentro. Iria criar coentros meus para provar com o feijão. Todos os dias eu ia lá no vaso e tinha o prazer de acompanhar cada vez que as mudinhas venciam a terra e achavam o caminho da luz. Demoraram um mês ou mais para atingirem o seu ponto ideal para serem colhidos. Ficaram bonitos e saudáveis. Preparei o meu feijão preto, colhi orgulhosa os ramos do coentro e ao lavá-los o aroma que um dia achara estranho senti-o delicioso. Ao picá-lo me envolveu com um aroma de fundo refrescante semelhante ao de uma laranja. Acrescentei também as folhas de louro e o meu feijão ficou supimpa!
Pensei com os meus botões:
- Porque não pensara antes em ter uma plantação de ervas?
Cheguei à conclusão que houvera tempos em que eu não possuía tranquilidade suficiente para apreciar uma planta, muito menos regá-las, apenas corria contra o tempo fazendo não sei o quê.
Achei muito divertido e me senti muito feliz ao apreciar um tempero cultivado numa varanda, pelas minhas próprias mãos.
Mesmo sendo uma pessoa ansiosa, aprendi a aguardar e respeitar o tempo necessário da natureza. Experimentei o prazer de consumir alimentos que dediquei tempo e amor para cultivá-los e o melhor, ter a certeza da ausência de agrotóxicos.
Observei que talvez eu tenha conseguido alcançar uma modesta calmaria onde consigo dar valor a estas pequenas felicidades, tão simplórias mas tão verdadeiras e prazerosas.
- Quando você quiser esteja à vontade para colhê-las!
Agradeci, mas não teria cabimento deixar a plantação do moço à mingua. Resolvi imitá-lo.
Comprei um montão de maços de cebolinha e à medida que ia consumindo, plantava a raiz num vaso, na minha varanda. Rápidamente ela se desenvolveu e o meu vaso também se encheu de cebolinhas vistosas e apetitosas. Cada prato que preparo, lá vou eu eufórica para a minha varanda buscar as cebolinhas com carinho e respeito. E eles dão o toque final delicioso aos meus quitutes. A raíz da cebolinha permanece no vaso, então novamente ela se desenvolve e assim nunca mais faltaram cebolinhas na minha cozinha. Com o sucesso, a minha gula pensou mais longe e resolvi que precisava de salsinhas também. Salsinhas não se vendem com as raízes, portanto fui à procura de sementes de salsinhas, porém encontrei apenas de coentros.
Coentro era uma erva que eu não possuía intimidade. Lembrei que a minha aluna Darcy, uma senhora de 76 anos muito bem vividos, (também já postei a respeito dela no dia 17/04/10) havia comentado que a erva que melhor harmonizava com o feijão era o coentro. Até então, todas as vezes que ia ao supermercado à procura de salsinha e encontrava apenas maços de coentro, olhava torto para eles, arrancava uma folhinha, cheirava e em pensamento murmurava:
-Só tem você, hoje! Que bela droga, embora tenha um design das folhas semelhante à salsinha, você não me apetece. De que me serve você com este seu aroma estranho?
Porém, após ouvir o comentário da minha aluna resolvi dar uma chance ao coentro. Iria criar coentros meus para provar com o feijão. Todos os dias eu ia lá no vaso e tinha o prazer de acompanhar cada vez que as mudinhas venciam a terra e achavam o caminho da luz. Demoraram um mês ou mais para atingirem o seu ponto ideal para serem colhidos. Ficaram bonitos e saudáveis. Preparei o meu feijão preto, colhi orgulhosa os ramos do coentro e ao lavá-los o aroma que um dia achara estranho senti-o delicioso. Ao picá-lo me envolveu com um aroma de fundo refrescante semelhante ao de uma laranja. Acrescentei também as folhas de louro e o meu feijão ficou supimpa!
Pensei com os meus botões:
- Porque não pensara antes em ter uma plantação de ervas?
Cheguei à conclusão que houvera tempos em que eu não possuía tranquilidade suficiente para apreciar uma planta, muito menos regá-las, apenas corria contra o tempo fazendo não sei o quê.
Achei muito divertido e me senti muito feliz ao apreciar um tempero cultivado numa varanda, pelas minhas próprias mãos.
Mesmo sendo uma pessoa ansiosa, aprendi a aguardar e respeitar o tempo necessário da natureza. Experimentei o prazer de consumir alimentos que dediquei tempo e amor para cultivá-los e o melhor, ter a certeza da ausência de agrotóxicos.
Observei que talvez eu tenha conseguido alcançar uma modesta calmaria onde consigo dar valor a estas pequenas felicidades, tão simplórias mas tão verdadeiras e prazerosas.
quarta-feira, 21 de julho de 2010
Banda Sinfônica do Estado de São Paulo
Sentada confortávelmente na quinta fileira do auditório do Centro Cultural FIESP/SESI - Ruth Cardoso, Av. Paulista - SP, numa quarta feira, ao meio dia, sentia uma certa culpa. O fato de estar alí, num dia de semana enquanto, lá fora, milhares de pessoas trabalhavam me incomodava, mas isso desapareceu rápidamente ao me ver cercada por centenas de pessoas felizes. Todos demonstravam um misto de euforia e contentamento pelo prazer que teriam dentro de alguns instantes. A certeza da felicidade garantida da próxima hora deixava-nos sorridentes. Aguardávamos o início de um concerto da Banda Sinfônica do Estado de São Paulo, dentro do programa "Música em Cena". As poltronas laterais do auditório estavam preenchidas por crianças com fisionomias indígenas monitoradas por alguns adultos que imaginei serem professores. Os monitores pareciam muito felizes em poder proporcionar estes ricos momentos a estas crianças e não paravam de olhar para eles. Estamos no mês de férias escolares talvez isso explique a grande quantidade de crianças presentes na platéia. Embora comportados e educados demonstravam ansiedade em seus olhares. Quem sabe futuros e grandes músicos estariam sendo germinados naquele momento.
Para mim, imaginar todas estas coisas e degustar o prazer de contemplar a manifestação do público presente também faz parte da grande atração ao frequentar concertos e teatros. A Banda com a regência do maestro Marcos Sadao Shirakawa e com a interessantíssima e magnífica participação de Albert Khattar que nos contemplou com o som alegre e divertido de uma Tuba. O concerto faz parte da série "Pra Ver a Banda Tocar" e o maestro bastante comunicativo nos fez observar a relação som e sentimento, sons representando momentos da vida como a infância divertida, vida adulta mais agitada e o som contemplativo da terceira idade, culminando com o ápice da "Vida".
Teve também "uma canja" que permite ao público estudante de música e instrumento, subir ao palco e ter a experiência de tocar como integrante de uma banda.
Nada pesquisei ainda a respeito da relação emoção versus música que tenho dentro de mim. Porém, todas as vezes que se inicia um concerto sinto todas as minhas veias se agitarem, meu coração se acelera, aperta meu peito e não consigo impedir os meus olhos de se inundarem. Hoje, durante o concerto, refleti sobre a minha sensibilidade quanto ao som de uma música, principalmente quando se trata de uma obra fruto de um conjunto de dedicação humana, a união que resulta numa arte maravilhosa!
Desde a minha infância e até hoje, existem algumas músicas que não consigo ouví-las sem chorar. Uma música em especial que gosto de cantar em Vídeokê, que narra a vida de uma mãe, me impede de cantar sem desafiná-la, pois começo a soluçar e lágrimas viram cataratas. Mesmo me esforçando ao máximo para não acontecer, acabo chorando. As pessoas que me vêem assim acham muita graça pois não conseguem entender como consigo ter este comportamento mesmo cantando tal canção pela enésima vez.
Quando eu tinha os meus sete anos de idade subi ao palco para interpretar uma música japonesa vestida de kimono e tudo e me concentrando na letra, meus lábios começaram a tremer e desandei a chorar.
Ninguém entendeu nada. Foi um "mico"!
Música tem esta força, a "Arte" tem este poder de sensibilizar, de atingir a profundeza da nossa alma,
agitá-la, trazendo ao nosso coração todas as recordações belas, alegres ou tristes que temos guardadas dentro de nós. Lembranças que trazemos conosco desde o príncípio da nossa existência, intra uterina ou quem sabe até de outras vidas.
A apresentação da Sinfônica foi uma hora e meia de absoluto envolvimento e prazer. Sentí muita gratidão a estes músicos maravilhosos que têm a capacidade, fruto de uma enorme dedicação, de nos presentear com a plenitude do amor à Arte.
Para mim, imaginar todas estas coisas e degustar o prazer de contemplar a manifestação do público presente também faz parte da grande atração ao frequentar concertos e teatros. A Banda com a regência do maestro Marcos Sadao Shirakawa e com a interessantíssima e magnífica participação de Albert Khattar que nos contemplou com o som alegre e divertido de uma Tuba. O concerto faz parte da série "Pra Ver a Banda Tocar" e o maestro bastante comunicativo nos fez observar a relação som e sentimento, sons representando momentos da vida como a infância divertida, vida adulta mais agitada e o som contemplativo da terceira idade, culminando com o ápice da "Vida".
Teve também "uma canja" que permite ao público estudante de música e instrumento, subir ao palco e ter a experiência de tocar como integrante de uma banda.
Nada pesquisei ainda a respeito da relação emoção versus música que tenho dentro de mim. Porém, todas as vezes que se inicia um concerto sinto todas as minhas veias se agitarem, meu coração se acelera, aperta meu peito e não consigo impedir os meus olhos de se inundarem. Hoje, durante o concerto, refleti sobre a minha sensibilidade quanto ao som de uma música, principalmente quando se trata de uma obra fruto de um conjunto de dedicação humana, a união que resulta numa arte maravilhosa!
Desde a minha infância e até hoje, existem algumas músicas que não consigo ouví-las sem chorar. Uma música em especial que gosto de cantar em Vídeokê, que narra a vida de uma mãe, me impede de cantar sem desafiná-la, pois começo a soluçar e lágrimas viram cataratas. Mesmo me esforçando ao máximo para não acontecer, acabo chorando. As pessoas que me vêem assim acham muita graça pois não conseguem entender como consigo ter este comportamento mesmo cantando tal canção pela enésima vez.
Quando eu tinha os meus sete anos de idade subi ao palco para interpretar uma música japonesa vestida de kimono e tudo e me concentrando na letra, meus lábios começaram a tremer e desandei a chorar.
Ninguém entendeu nada. Foi um "mico"!
Música tem esta força, a "Arte" tem este poder de sensibilizar, de atingir a profundeza da nossa alma,
agitá-la, trazendo ao nosso coração todas as recordações belas, alegres ou tristes que temos guardadas dentro de nós. Lembranças que trazemos conosco desde o príncípio da nossa existência, intra uterina ou quem sabe até de outras vidas.
A apresentação da Sinfônica foi uma hora e meia de absoluto envolvimento e prazer. Sentí muita gratidão a estes músicos maravilhosos que têm a capacidade, fruto de uma enorme dedicação, de nos presentear com a plenitude do amor à Arte.
terça-feira, 13 de julho de 2010
Vida Sem Roteiro
Vida sem roteiro!
Estampada na tela do televisor, esta frase chamou minha atenção, na manhã de hoje.
Vida livre, sem planejamentos, cálculos, preocupações e medos. Uma vida trilhada sem lenço nem documento. Quase um hippie!
Ah! E por que não? Hoje com uma certa maturidade alcançada me sinto atraída por esta idéia, entretanto na idade estudantil pensava muito diferente. Decidi tomar um caminho que não me proporcionasse surpresas nem sustos, uma estrada iluminada sem grandes curvas nem labirintos. Sinto que, na realidade, quando jovens, não pensamos tão profundamente nas nossas escolhas. Muitas vezes apenas seguimos caminhos traçados influenciados pelas opiniões alheias. Admiro profundamente adolescentes que desde cedo conseguem visualizar e ter a certeza sobre "o que querem ser na vida". Ou ainda, jovens que nascem em famílias de médicos, advogados que já têm seus destinos desenhados. Seguir a tradição familiar conscientemente, por opção própria, por convicção. Lembro-me que na Faculdade até sentia uma leve inveja de colegas que lá estudavam com a carreira garantida no seio de um negócio familiar. Mesmo assim não segui a profissão do meu pai. Meu pai, fotógrafo profissional, com o seu estúdio montado e clientela garantida, fazia com que muitas pessoas imaginassem que algum dos seus filhos seguiria sua profissão, porém ele nunca nos direcionou a isto. Deixou-nos livres para a escolha de uma profissão. Após concluir a faculdade segui trabalhando no meu emprego com o teto seguro, fazendo da minha paixão pelo desenho apenas um hobby. Porém a sábia e generosa "Vida" comandada pelo "Supremo" resolveu dar-me uma oportunidade de tornar a minha vida mais prazerosa embora sem garantias. A decisão não foi rápida nem fácil. Viver do desenho... Uma opção que muitos olham com interrogações, curiosidades, até com um certo interesse, contudo com desconfiança de que isso realmente possa ser uma profissão séria. Muitas vezes quando falto a algum evento familiar e posteriormente me desculpo explicando que não pude comparecer pois tive que trabalhar, passar o final de semana desenhando, vejo um:
- Ai, que desculpa!
estampado no rosto das pessoas.
Recentemente não pude deixar de ouvir um comentário, embora tenha sido feito à boca pequena:
-E desde quando desenhar é trabalhar?
Um aluno, já experiente no desenho, me contou inconformadíssimo:
- Naomy, você acredita que me ofereceram cinco reais para desenhar dois retratos como se estivesse pagando uma fortuna!?
Encontramos e vivenciamos muitas coisas pelo caminho mas a grande maioria das pessoas que conhecemos através do desenho são pessoas especiais, que temos a oportunidade de admirar, aprendermos muito e principalmente acumulamos amizades que amamos colecionar. Alunos que mandam notícias, alunos que me escrevem de países longínquos, saudosos, com palavras de carinho me comovendo e me enchendo de saudade. Editores generosos e amigos que sempre nos ensinam, nos orientam, nos incentivam e que me aquece o coração todas as vezes que trabalhamos juntos. E nestas horas sinto uma imensa gratidão por compartilhar a arte com pessoas tão especiais e iluminadas.
Tudo isso faz a vida valer muito a pena!
sábado, 3 de julho de 2010
Olhos que falam e não negam.
O ser humano pode ser tão maravilhosamente instigante. Ele pensa. E como pensa, mas tem a grande capacidade de se fechar, de ser uma caixinha trancada a milhões de chaves. Sentir uma emoção e representar um sentimento totalmente divergente! O ser humano tem a capacidade de mentir, de ocultar, de se utilizar da hipocrisia, jurar em falso. Nossa! Como estou amarga, revoltada e pessimista? Não, nada disso, pois eu acredito que podem mentir, falsear, ser hipócrita mas existe uma janela no ser humano que trai todos este truques e artimanhas.
Os olhos, a janela da alma! Olhos que falam e não negam. Lágrimas, sentimentos em forma de águas cristalinas. Quem pode suspender lágrimas que escorrem, cuja fonte se esconde atrás do morro de sentimentos? Sentimentos teriam peso ou medida? Alguns valem mais e outros menos?
Perdemos para Holanda num jogo de futebol, numa Copa do Mundo! Não chegamos à Semi-finais.
Muitos dirão:
- Qual é? Que bobagem se lamentar por isso! Num país de inundações, crimes e hospitais públicos deficitários!
Lí comentários na internet:
- Pra que chorar? Que ridículo as falsas lágrimas de duas dezenas de jogadores milionários?
Com certeza cada um tem as suas razões para tecer estes comentários, mas seria justo?
Após o jogo fui acompanhar meu pai que veio assistir o jogo comigo e ao entrar no elevador encontrei algumas pessoas sedentas a externar suas revoltas.
- Brasil mereceu isso! Bem feito! Não sabe o que é lutar até o fim! Lágrimas de jogadores! Ah! Faça me o favor!
Fiquei quieta, eu estava muito triste, ouvir estas palavras de brasileiros me deixou mais agredida ainda.
Meu pai também nada falou. Ficamos olhando para o chão. Não adiantaria falar nada para um grupo revoltado de pessoas querendo extravasar. Me poupei.
Por que agredir o Brasil? O Brasil estava lá representado por duas dezenas de jogadores que lutaram, se machucaram, erraram, mas lutaram dignamente e eu acredito que não fizeram isto pelos salários milionários. Naquele instante que se desesperaram para tentar recuperar um placar favorável estariam pensando no passe que iria se desvalorizar?
Lágrimas e até a dificuldade de respirar e falar do goleiro ao ser entrevistado, logo após a derrota, a dor que sentia por decepcionar milhões de brasileiros eram falsas? Lágrimas e a tristeza de pessoas que ganham salários milionários teriam menos valor?
Não, eu não posso acreditar nisso. Dirão que sou burra e ingênua? Tudo bem. Não mudarei mais nesta altura da vida. Eu não conseguirei deixar de me emocionar e me sentir consternada diante das lágrimas de um ser humano, independentemente se ricos ou pobres.
Se vencessemos a Copa do Mundo, apenas e tão somente se tornassemos hexacampeões, só assim os jogadores seriam heróis e todos se esqueceriam que eles são milionários e seriamos todos brasileiros irmãos?
Serão dignos de amor, respeito e idolatria apenas os vencedores? Pedras para os derrotados?
Serão dignos de amor, respeito e idolatria apenas os vencedores? Pedras para os derrotados?
No decorrer da nossa vida muitas vezes tropeçamos, caimos e quando estamos no chão, machucados,
podemos contemplar uma variedade de olhares, de desprezo, preconceito, sadismo, temor, mas no meio deles encontramos sempre olhares de compaixão, amizade, compreensão e amor. Nestas circunstâncias tudo que não precisamos são de xingamentos, censuras, repúdios e julgamentos, mas de compreensão, companheirismo, aceitação e amizade.
É neles que nos agarramos para continuarmos acreditando, caminhando e não desistirmos nunca! Nestes momentos então é que somos contemplados com um sopro de esperança e compreendemos o verdadeiro significado e a beleza da vida!
sexta-feira, 25 de junho de 2010
BRASIL! Corrente única!
Tenho estado ausente com as minhas postagens.
Com muita vontade de escrever mas me dedicando para criações das ilustrações de um livro.
Assim que o livro sair do forno postarei aqui.
Ilustrar! O que me faz feliz!
Paralelamente e principalmente torcendo muito pelo nosso Brasil!
segunda-feira, 31 de maio de 2010
Escureceu, vou dormir.(ou quase)
O elevador para, a porta se abre, eu desço.
É aí... aí que se encontra o problema! É que eu desço sempre! Independentemente de qualquer coisa a porta se abre e eu desço mesmo que não seja o meu andar de destino! Já perdi a conta das vezes que sai correndo e enfiei o rosto (pela minha estatura) na barriga das pessoas que adentravam no elevador, me servindo como um air bag. A minha pressa de sair de um ambiente fechado é tanta que nem questiono se é o meu destino ou não, simplesmente meus pés saltam do elevador.
Morro de vergonha, tenho raiva da minha atitude mas não consigo dominá-la. Meus sobrinhos queridos se divertem com este meu jeito atrapalhado de ser e me chamam de
"Tia Natrapalhada"(Naomy + atrapalhada). Com certeza eles conhecem bem a tia que têm. Outra parte do meu corpo que não domino, não consigo controlar quando subo no elevador é o meu dedo indicador que está severamente condicionado a apertar o botão da letra "T", térreo, mesmo que eu tenha que descer até o subsolo, garagem. Outro dia mesmo, ao subir no elevador já havia dois passageiros a bordo, o botão do subsolo (garagem) já havia sido apertado, exatamente para onde iríamos também. Mas o meu dedo... "TUM!" foi direto no "T" de térreo. Eu não tinha nada para fazer no térreo.
Meu marido me olhou com cara de:Morro de vergonha, tenho raiva da minha atitude mas não consigo dominá-la. Meus sobrinhos queridos se divertem com este meu jeito atrapalhado de ser e me chamam de
"Tia Natrapalhada"(Naomy + atrapalhada). Com certeza eles conhecem bem a tia que têm. Outra parte do meu corpo que não domino, não consigo controlar quando subo no elevador é o meu dedo indicador que está severamente condicionado a apertar o botão da letra "T", térreo, mesmo que eu tenha que descer até o subsolo, garagem. Outro dia mesmo, ao subir no elevador já havia dois passageiros a bordo, o botão do subsolo (garagem) já havia sido apertado, exatamente para onde iríamos também. Mas o meu dedo... "TUM!" foi direto no "T" de térreo. Eu não tinha nada para fazer no térreo.
- Ai, meu Deus, você fez de novo!
Ele já deveria estar imaginando os olhares dos passageiros quando eu não descesse no térreo.
Eu pensei rápido e ao abrir a porta do elevador no térreo, embora não fosse o meu destino, desci correndo.Ele já deveria estar imaginando os olhares dos passageiros quando eu não descesse no térreo.
Inventei uma historinha. Disse alto para o meu marido, mas para que os passageiros ouvissem:
- Me pega na rua, eu tenho que passar na portaria.
Quando entrei no carro, meu marido fez um "tisc, tisc, tisc" e desabou a dar risada pela minha encenação forçada.
E assim, entre tantas gafes, vou driblando as minhas atrapalhadas que tem sido difícil de controlar.
Recentemente fiquei contente ao encontrar um sujeito num elevador de um prédio comercial.
A porta do elevador se abriu no décimo segundo andar para uma senhora de idade entrar e o rapaz saiu em disparada embora seu destino fosse o térreo. Percebendo que ainda não havia chegado no andar térreo, ficou vermelho, totalmente sem graça, pediu desculpas para a senhora pela trombada e voltou correndo para dentro do elevador. Ele me olhou tímidamente e disse baixinho:
-Eu sou muito atrapalhado!
Fui totalmente solidária a ele, afinal sei como é constrangedor.
Respondi amigávelmente:
- Eu também sempre faço isso.
Ele sorriu em agradecimento.
Me senti bem, não estava sozinha, somos humanos, falhamos, mas vamos tentando nos acertar.
Lembro que a minha mãe me contava que aves são seres tão condicionados que:
"Escureceu, vão dormir."
Como penso que devo ter alguns neurônios a mais do que as aves, quando o dia escurecer repentinamente, vou me policiar para dar uma conferida se realmente a noite chegou ou se é dia de eclipse lunar antes de pular para a cama.
sábado, 22 de maio de 2010
Deixar Partir.
Deixar partir...Desapegar...Libertar-se...
Enquanto assistia o filme "Aritmética Emocional" (2007) estas questões giravam dentro da minha cabeça.
O filme baseado no romance de Matt Cohen nos presenteia com a presença de Max Von Sydow, Suzan Sarandon e Christopher Plummer. Só pelo trio de atores, sempre brilhantes, já seria maravilhoso, mas ainda há a linda história de Jakob Bronski, jovem detido num campo de concentração que acolhe e proteje duas crianças, Melanie e Christopher, criando um forte laço de amizade entre os três. Muitos anos depois o reencontro do trio na casa da Melanie, que vive com neto, filho e marido, remexe com a aparente paz impedindo subterfúgios. As emoções proporcionadas neste reencontro nos leva a refletir sobre o quão devastador pode ser uma infância infeliz, cercada de medos e incertezas na vida das pessoas. A infelicidade do passado assombra toda uma vida atingindo consequentemente a todos que compartilham a vida com Melanie. É como se ninguém tivesse o direito de ser feliz nem infeliz pois a história da infância trágica dela não permite que possa existir nada pior nem aproveitar o melhor. Independentemente da mensagem que a história intenciona contar para mim despertou como tema o apego do ser humano, até pelas lembranças negativas. Muitas vezes não abrimos mão de relembrarmos os nossos sofrimentos do passado, não conseguimos apenas olhar para frente, deixar que o passado fique no seu devido lugar. Carregamos conosco como herança, como um troféu. Li em algum lugar que quanto mais equilibrado conseguirmos ser, mais abriremos mão das coisas. Mais leves ficamos, mais livres nos tornamos. Coisas essas que podem ser objetos, pessoas, boas e más lembranças. Enquanto não fazemos isso impedimos que coisas novas adentrem na nossa vida. Embora diga "passado" ele estará sempre presente. Me esforço em ser desapegada principalmente aos objetos, tudo que não utilizo por alguns anos faço girar, liberto-os para que encontre quem usufrua melhor. Mas sempre há muitos objetos que são repletos de lembranças que nos remetem às pessoas queridas, lugares marcantes, e carregamos conosco a cada mudança de domicílio, ocupam volumes maiores do que a dimensão que podemos reservar a eles dentro da nossa residência. Então vivemos apertados, cercados e pressionados pelas lembranças que apenas ocupam espaços, nada mais do que objetos pois é o nosso coração que projeta recordações sentimentais a eles. Podemos apenas
guardá-los em nossos corações. Basta fecharmos os olhos e eles estarão lá para nos amenizar a saudade.
O racional pode até se convencer, mas o emocional acredita que deixar partir é desrespeitar pessoas, desconsiderar memórias e menosprezar lembranças.
No transcorrer do filme até chegar o "The End" fui me convencendo de quanto é necessário aproveitarmos e saborearmos ao máximo o precioso "presente", como a própria palavra declara é um presente e ele se transformará em passado num piscar de olhos.
Do contrário estaremos sempre congelando emoções frescas e nos alimentado de sentimentos requentados.
Enquanto assistia o filme "Aritmética Emocional" (2007) estas questões giravam dentro da minha cabeça.
O filme baseado no romance de Matt Cohen nos presenteia com a presença de Max Von Sydow, Suzan Sarandon e Christopher Plummer. Só pelo trio de atores, sempre brilhantes, já seria maravilhoso, mas ainda há a linda história de Jakob Bronski, jovem detido num campo de concentração que acolhe e proteje duas crianças, Melanie e Christopher, criando um forte laço de amizade entre os três. Muitos anos depois o reencontro do trio na casa da Melanie, que vive com neto, filho e marido, remexe com a aparente paz impedindo subterfúgios. As emoções proporcionadas neste reencontro nos leva a refletir sobre o quão devastador pode ser uma infância infeliz, cercada de medos e incertezas na vida das pessoas. A infelicidade do passado assombra toda uma vida atingindo consequentemente a todos que compartilham a vida com Melanie. É como se ninguém tivesse o direito de ser feliz nem infeliz pois a história da infância trágica dela não permite que possa existir nada pior nem aproveitar o melhor. Independentemente da mensagem que a história intenciona contar para mim despertou como tema o apego do ser humano, até pelas lembranças negativas. Muitas vezes não abrimos mão de relembrarmos os nossos sofrimentos do passado, não conseguimos apenas olhar para frente, deixar que o passado fique no seu devido lugar. Carregamos conosco como herança, como um troféu. Li em algum lugar que quanto mais equilibrado conseguirmos ser, mais abriremos mão das coisas. Mais leves ficamos, mais livres nos tornamos. Coisas essas que podem ser objetos, pessoas, boas e más lembranças. Enquanto não fazemos isso impedimos que coisas novas adentrem na nossa vida. Embora diga "passado" ele estará sempre presente. Me esforço em ser desapegada principalmente aos objetos, tudo que não utilizo por alguns anos faço girar, liberto-os para que encontre quem usufrua melhor. Mas sempre há muitos objetos que são repletos de lembranças que nos remetem às pessoas queridas, lugares marcantes, e carregamos conosco a cada mudança de domicílio, ocupam volumes maiores do que a dimensão que podemos reservar a eles dentro da nossa residência. Então vivemos apertados, cercados e pressionados pelas lembranças que apenas ocupam espaços, nada mais do que objetos pois é o nosso coração que projeta recordações sentimentais a eles. Podemos apenas
guardá-los em nossos corações. Basta fecharmos os olhos e eles estarão lá para nos amenizar a saudade.
O racional pode até se convencer, mas o emocional acredita que deixar partir é desrespeitar pessoas, desconsiderar memórias e menosprezar lembranças.
No transcorrer do filme até chegar o "The End" fui me convencendo de quanto é necessário aproveitarmos e saborearmos ao máximo o precioso "presente", como a própria palavra declara é um presente e ele se transformará em passado num piscar de olhos.
Do contrário estaremos sempre congelando emoções frescas e nos alimentado de sentimentos requentados.
terça-feira, 18 de maio de 2010
Falar, Escrever = Comunicar?
Minha estante abriga vários dicionários de língua portuguesa. Aguardam pacientemente a hora de serem convocados.
Mini dicionário, dicionário ilustrado, dicionário escolar, novo dicionário básico da língua portuguesa Folha/Aurélio e o imponente novo dicionário do Aurélio século XXI. Reservo ainda lugar para mais um. Para manter-me atualizada, terei que guardar um bom dinheiro para adquirir o dicionário com a nova reforma ortográfica.
Tirando o pó da capa verde musgo do "Aurelião" tomei cuidado para que ele não caia sobre os meus pés, pois com certeza ele faria um grande estrago de tão pesado que ele é.
Resolvi folheá-lo e comecei a pensar sobre a enorme quantidade de vocábulos que ele contém. Quantos estarei utilizando para me expressar através da minha comunicação falada e escrita?
Nunca fiz tal pesquisa, mas com certeza pouquíssimos comparada a esta quantidade estonteante de vocábulos que desfilam nas páginas de um dicionário.
Tenho um elenco de palavras que por afinidade ou por falta de conhecimento maior, rodiziam-se nas minhas falas e na escrita. Seria ótimo se apenas palavras bonitas partíssem das nossas bocas,(assim como na ilustração acima) mas na vida real necessitamos sempre do "yin" e do "yang".
Existem palavras que mesmo conhecendo-as não tenho oportunidade de utilizá-las, não sei exatamente o porquê.
Outro dia ouvi um entrevistado num programa de TV falar sobre "leviandade" e "aleivosia" e percebi que não me lembrava de um dia ter falado nem escrito estas palavras. "Aleivosia", fonéticamente falando chega até a ser bonito, não fosse o significado cruel dela: traição, deslealdade. "Leviandade", uma palavra até comum, mas nunca tive muita amizade com esta palavra, talvez pela minha formação onde meu pai costumava condenar atitudes levianas e superficiais. Há também uma infinidade de palavras que jamais, se quer, eu soube da existência.
"Aflogístico", "Bisonho", "Chistoso", "Desassisado", "Evagação",
"Grazina", "Latíbulo", "Obumbrar", "Pachola", "Zaranzar" são algumas que encontrei adormecidas dentro do dicionário que ao folheá-lo conheci.
A incomunicabilidade dos nossos sentimentos através de vocábulos, códigos coletivos de comunicação, podem ocasionar problemas. Muitas vezes precisamos lançar mão de outros recursos de expressão como o olhar, o sorriso, o abraço, o carinho, o beijo ou até mesmo uma cara feia para nos fazer entender ou estabelecer limites. Ao observar crianças que ainda estão com um limitado conhecimento das palavras percebemos que utilizam-se de sinais de comunicação como o choro, uma careta, movimentos do corpo como arrastar-se pelo chão batendo os pés, atitude de desespero como empurrar, bater com as mãos ou chutar com os pés para conseguir impor-se. Muitas vezes eles desejam falar uma palavra muito, muito agressiva mas como não encontram pelo seu parco conhecimento das palavras, gritam:
- Sua... sua...sua feia!
ou
-Seu... seu... booobo!
Pior ainda quando continuamos fazendo isso mesmo depois de deixar os babadores e as fraldas.
Nós, seres humanos, tão ricos de emoções, será que estamos conseguindo transmitir corretamente os nossos sentimentos e desejos? Estamos nos fazendo entender? E quando utilizamos tais recursos de comunicação como se fossem armas? Muitas vezes ouví dizer que fulana feriu profundamente o fulano através de palavras. Outras vezes que fulano machucou irreversívelmente a fulana utilizando-se de palavras "ferinas". Tudo isto pode acontecer até por falta de conhecimento do significado correto dos vocábulos e sem intenção acabam-se cometendo equívocos infelizes. Pensando em tudo isso decidi que devo manter uma amizade maior com o dicionário visitando-o com mais frequência, aprender a me expressar melhor
pois nem sempre falar ou escrever é comunicar ou se fazer entender.
Dez achados e seus significados:
(por mim totalmente desconhecidos)
Aflogístico: que arde sem chama.
Bisonho: inexperiente, inábil.
Chistoso: engraçado, espirituoso.
Desassisado: louco, desatinado
Evagação: distração, divagação.
Grazina: que ou quem muito fala, resmunga ou grita.
Latíbulo: lugar oculto, esconderijo.
Obumbrar: cobrir de sombras, tornar escuro.
Pachola: farsante, pedante.
Zaranzar: vaguear
..........oOo..........
Yin e Yang: Filosofia chinesa que representa o princípio da dualidade, forças complementares de yin e yang.
Yin: princípio passivo, noturno, escuro, frio, feminino
Yang: princípio activo, diurno, luminoso, quente, masculino
(fonte: Wikipédia)
Mini dicionário, dicionário ilustrado, dicionário escolar, novo dicionário básico da língua portuguesa Folha/Aurélio e o imponente novo dicionário do Aurélio século XXI. Reservo ainda lugar para mais um. Para manter-me atualizada, terei que guardar um bom dinheiro para adquirir o dicionário com a nova reforma ortográfica.
Tirando o pó da capa verde musgo do "Aurelião" tomei cuidado para que ele não caia sobre os meus pés, pois com certeza ele faria um grande estrago de tão pesado que ele é.
Resolvi folheá-lo e comecei a pensar sobre a enorme quantidade de vocábulos que ele contém. Quantos estarei utilizando para me expressar através da minha comunicação falada e escrita?
Nunca fiz tal pesquisa, mas com certeza pouquíssimos comparada a esta quantidade estonteante de vocábulos que desfilam nas páginas de um dicionário.
Tenho um elenco de palavras que por afinidade ou por falta de conhecimento maior, rodiziam-se nas minhas falas e na escrita. Seria ótimo se apenas palavras bonitas partíssem das nossas bocas,(assim como na ilustração acima) mas na vida real necessitamos sempre do "yin" e do "yang".
Existem palavras que mesmo conhecendo-as não tenho oportunidade de utilizá-las, não sei exatamente o porquê.
Outro dia ouvi um entrevistado num programa de TV falar sobre "leviandade" e "aleivosia" e percebi que não me lembrava de um dia ter falado nem escrito estas palavras. "Aleivosia", fonéticamente falando chega até a ser bonito, não fosse o significado cruel dela: traição, deslealdade. "Leviandade", uma palavra até comum, mas nunca tive muita amizade com esta palavra, talvez pela minha formação onde meu pai costumava condenar atitudes levianas e superficiais. Há também uma infinidade de palavras que jamais, se quer, eu soube da existência.
"Aflogístico", "Bisonho", "Chistoso", "Desassisado", "Evagação",
"Grazina", "Latíbulo", "Obumbrar", "Pachola", "Zaranzar" são algumas que encontrei adormecidas dentro do dicionário que ao folheá-lo conheci.
A incomunicabilidade dos nossos sentimentos através de vocábulos, códigos coletivos de comunicação, podem ocasionar problemas. Muitas vezes precisamos lançar mão de outros recursos de expressão como o olhar, o sorriso, o abraço, o carinho, o beijo ou até mesmo uma cara feia para nos fazer entender ou estabelecer limites. Ao observar crianças que ainda estão com um limitado conhecimento das palavras percebemos que utilizam-se de sinais de comunicação como o choro, uma careta, movimentos do corpo como arrastar-se pelo chão batendo os pés, atitude de desespero como empurrar, bater com as mãos ou chutar com os pés para conseguir impor-se. Muitas vezes eles desejam falar uma palavra muito, muito agressiva mas como não encontram pelo seu parco conhecimento das palavras, gritam:
- Sua... sua...sua feia!
ou
-Seu... seu... booobo!
Pior ainda quando continuamos fazendo isso mesmo depois de deixar os babadores e as fraldas.
Nós, seres humanos, tão ricos de emoções, será que estamos conseguindo transmitir corretamente os nossos sentimentos e desejos? Estamos nos fazendo entender? E quando utilizamos tais recursos de comunicação como se fossem armas? Muitas vezes ouví dizer que fulana feriu profundamente o fulano através de palavras. Outras vezes que fulano machucou irreversívelmente a fulana utilizando-se de palavras "ferinas". Tudo isto pode acontecer até por falta de conhecimento do significado correto dos vocábulos e sem intenção acabam-se cometendo equívocos infelizes. Pensando em tudo isso decidi que devo manter uma amizade maior com o dicionário visitando-o com mais frequência, aprender a me expressar melhor
pois nem sempre falar ou escrever é comunicar ou se fazer entender.
Dez achados e seus significados:
(por mim totalmente desconhecidos)
Aflogístico: que arde sem chama.
Bisonho: inexperiente, inábil.
Chistoso: engraçado, espirituoso.
Desassisado: louco, desatinado
Evagação: distração, divagação.
Grazina: que ou quem muito fala, resmunga ou grita.
Latíbulo: lugar oculto, esconderijo.
Obumbrar: cobrir de sombras, tornar escuro.
Pachola: farsante, pedante.
Zaranzar: vaguear
..........oOo..........
Yin e Yang: Filosofia chinesa que representa o princípio da dualidade, forças complementares de yin e yang.
Yin: princípio passivo, noturno, escuro, frio, feminino
Yang: princípio activo, diurno, luminoso, quente, masculino
(fonte: Wikipédia)
quarta-feira, 12 de maio de 2010
Ignorância Botânica.
Tenho alguns complexos, para não dizer muitos.
Não vou citar aqui publicamente os meus complexos campeões pois ainda não estou emocionalmente preparada para isso.
Um dos meus antigos complexos é a minha ignorância botânica.
Explicação que utilizo como uma desculpa é que a minha mãe era uma profunda conhecedora de plantas, logo, eu não precisava me preocupar com elas. Não que ela tenha estudado, a sua vivência da infância no meio do mato, como ela dizia, a tornou "expert" no assunto. Ela me contava que passou a maioria dos seus dias da infância no meio do mato por horas a fio colhendo flores e admirando o cantar dos pássaros. Já a minha foi totalmente diferente, nasci no bairro comercial, num sobrado comercial, numa praça onde o movimento intenso de ônibus e automóveis obrigava a não me distanciar da porta do estúdio fotográfico do meu pai onde também era a minha residência. Meus amigos da infância eram os balconistas das lojas comerciais que se aglomeravam ao redor da praça. A minha ignorância e desinteresse botânico era tamanha que nunca havia questionado se melancias, melões ou abóboras davam em árvores ou se eram plantas rastejantes. A primeira vez que me assustei ao conhecer um pé de jaboticaba já era adulta e fui motivo de chacota na casa da minha amiga em Penápolis, onde fui convidada a conhecer um pouco da vida no interior.
Lembro-me que a primeira vez que meu marido, namorado na época, visitou o quintal da minha mãe ganhou muitos pontos com ela reconhecendo as plantas que ela cultivava lá. Tendo uma filha desinteressada com plantas ela ficou admirada com o conhecimento dele. Sendo assim, consequentemente eu não tenho mão para cultivar plantas. Mas atualmente, tenho me dedicado a compensar esta minha falta. Tenho feito uma iniciação botânica adquirindo vasinhos de plantas e ervas.
As visitas que me conhecem de longa data me ironizam:
- Ué, Naomy, está virando mulher? Vasinhos de flores?
Quando me perguntam se eu gostaria de ganhar uma mudinha de... Já estou dentro! Quero sempre! Levo feliz para minha casa, planto-as, mas como não entendo a linguagem delas, elas acabam se entristecendo, definhando e se despedem de mim. Fico triste, envergonhada e chateada pois sei que vou ouvir meu marido dizer mais uma vez:
- Ih! Desiste, com plantas você não leva jeito.
Diz isso pois a sua mãe também, assim como a minha, é uma "expert" em plantas. Quando vou à casa dela e vejo aquelas plantas com a cor "verde-saudável", enormes e fortes sinto-me complexada, humilhada e invejosa. Mas sou persistente. Lí em algum lugar que é preciso conversar com elas, elogiá-las. Assim estou fazendo. Todas as manhãs ao acordar, a minha primeira atividade é cuidar das plantas. Saio para varanda e ao regá-las fico conversando com elas por um tempão. Tenho uma planta chamada "Peixinho" que em reconhecimento e por piedade a mim está se empenhando em carregar com flores lindas em formato de peixinho. Tenho também "Manjericão". Cada vez que rego exala um aroma delicioso de pizza "Marguerita" para me agradecer. Mas tenho também uma plantinha que comprei com segundas intenções, "dinheiro em pencas", se chama. Não estamos nos entendendo... No bilhetinho que veio colado ao vaso dizia: "Umidade moderada , regar duas vezes por semana". Seguindo esse conselho percebí que ela começou a amarelar, concluí que o efeito estufa e a alteração climática está provocando uma alta excessiva de temperatura e portanto iniciei a regar mais vezes mas mesmo assim não estou conseguindo deixá-la bonita. Se o nome da planta tiver real significado estou perdida!
Aprendi numa palestra que observar uma flor numa situação de stress nos faz desligar momentâneamente do problema, nos acalmando e equilibrando permitindo assim, tomarmos uma atitude mais sensata.
Realmente, quando estou dialogando e observando as plantas me acalmo, relaxo e sou feliz.
Entendí finalmente que cultivar plantas também é Arte, é preciso dedicação, paciência, perseverança, doação e principalmente amor.
Esta é uma tentativa incessante de reduzir a minha lista de complexos.
Boa sorte para mim!
Não vou citar aqui publicamente os meus complexos campeões pois ainda não estou emocionalmente preparada para isso.
Um dos meus antigos complexos é a minha ignorância botânica.
Explicação que utilizo como uma desculpa é que a minha mãe era uma profunda conhecedora de plantas, logo, eu não precisava me preocupar com elas. Não que ela tenha estudado, a sua vivência da infância no meio do mato, como ela dizia, a tornou "expert" no assunto. Ela me contava que passou a maioria dos seus dias da infância no meio do mato por horas a fio colhendo flores e admirando o cantar dos pássaros. Já a minha foi totalmente diferente, nasci no bairro comercial, num sobrado comercial, numa praça onde o movimento intenso de ônibus e automóveis obrigava a não me distanciar da porta do estúdio fotográfico do meu pai onde também era a minha residência. Meus amigos da infância eram os balconistas das lojas comerciais que se aglomeravam ao redor da praça. A minha ignorância e desinteresse botânico era tamanha que nunca havia questionado se melancias, melões ou abóboras davam em árvores ou se eram plantas rastejantes. A primeira vez que me assustei ao conhecer um pé de jaboticaba já era adulta e fui motivo de chacota na casa da minha amiga em Penápolis, onde fui convidada a conhecer um pouco da vida no interior.
Lembro-me que a primeira vez que meu marido, namorado na época, visitou o quintal da minha mãe ganhou muitos pontos com ela reconhecendo as plantas que ela cultivava lá. Tendo uma filha desinteressada com plantas ela ficou admirada com o conhecimento dele. Sendo assim, consequentemente eu não tenho mão para cultivar plantas. Mas atualmente, tenho me dedicado a compensar esta minha falta. Tenho feito uma iniciação botânica adquirindo vasinhos de plantas e ervas.
As visitas que me conhecem de longa data me ironizam:
- Ué, Naomy, está virando mulher? Vasinhos de flores?
Quando me perguntam se eu gostaria de ganhar uma mudinha de... Já estou dentro! Quero sempre! Levo feliz para minha casa, planto-as, mas como não entendo a linguagem delas, elas acabam se entristecendo, definhando e se despedem de mim. Fico triste, envergonhada e chateada pois sei que vou ouvir meu marido dizer mais uma vez:
- Ih! Desiste, com plantas você não leva jeito.
Diz isso pois a sua mãe também, assim como a minha, é uma "expert" em plantas. Quando vou à casa dela e vejo aquelas plantas com a cor "verde-saudável", enormes e fortes sinto-me complexada, humilhada e invejosa. Mas sou persistente. Lí em algum lugar que é preciso conversar com elas, elogiá-las. Assim estou fazendo. Todas as manhãs ao acordar, a minha primeira atividade é cuidar das plantas. Saio para varanda e ao regá-las fico conversando com elas por um tempão. Tenho uma planta chamada "Peixinho" que em reconhecimento e por piedade a mim está se empenhando em carregar com flores lindas em formato de peixinho. Tenho também "Manjericão". Cada vez que rego exala um aroma delicioso de pizza "Marguerita" para me agradecer. Mas tenho também uma plantinha que comprei com segundas intenções, "dinheiro em pencas", se chama. Não estamos nos entendendo... No bilhetinho que veio colado ao vaso dizia: "Umidade moderada , regar duas vezes por semana". Seguindo esse conselho percebí que ela começou a amarelar, concluí que o efeito estufa e a alteração climática está provocando uma alta excessiva de temperatura e portanto iniciei a regar mais vezes mas mesmo assim não estou conseguindo deixá-la bonita. Se o nome da planta tiver real significado estou perdida!
Aprendi numa palestra que observar uma flor numa situação de stress nos faz desligar momentâneamente do problema, nos acalmando e equilibrando permitindo assim, tomarmos uma atitude mais sensata.
Realmente, quando estou dialogando e observando as plantas me acalmo, relaxo e sou feliz.
Entendí finalmente que cultivar plantas também é Arte, é preciso dedicação, paciência, perseverança, doação e principalmente amor.
Esta é uma tentativa incessante de reduzir a minha lista de complexos.
Boa sorte para mim!
sexta-feira, 7 de maio de 2010
Minha Mãe.
Estamos sempre sorrindo, fazendo compras ou passeios nos lugares que nunca pudemos estar antes.
Deixa sempre uma vontade de repetirmos o programa.
Deixa sempre uma vontade de repetirmos o programa.
Ela, jovem e bonita, cabelos escuros, poucos fios brancos, vestida sempre com uma blusa decote em "V".
Sempre gostou deste decote pois valoriza o seu colo. Fico muito feliz ao vê-la bonita e saudável.
Ao sairmos juntas não voltamos para casa até que o último centavo desapareça das nossas carteiras.
Vamos à feira, comemos pastel, tomamos caldo de cana, vamos às lojinhas de quinquilharias, bijouterias, adoramos ver coisas bonitas.
Sorrimos muito, conversamos de tudo, sobre artes, histórias infantis, literatura, afinal somos do mesmo signo zodiacal temos gostos semelhantes, muitos dizem que parecemos irmãs.
Fico feliz que ela esteja caminhando sem problemas, pernas fortes, andar firme. Passamos momentos tão agradáveis, tão carinhosos e reais.
E no meio da madrugada, na escuridão do quarto sou devolvida à realidade.
Desperto, passo muito tempo pensando:
Desperto, passo muito tempo pensando:
- Ela não está mais entre nós, certo? Foi um sonho?
A nossa alegria era tão real que me confunde. Tenho uma saudade imensa dela, do seu sorriso, do seu carinho, de como me acariciava o rosto quando eu tinha dor de dente, de como me massageava as pernas quando minhas pernas doíam. Fico imaginando onde ela estaria agora, fico torcendo para que ela esteja num lugar florido, bonito como ela gostava e que me diga sorrindo: - Aqui é um lugar maravilhoso!
Enquanto o sono não me convida novamente fico me lembrando dos momentos saudosos que passei com ela. Principalmente da minha infância.
A alegria que eu sentia ao vê-la chegar para me buscar no término das aulas. Como ela era bonita e elegante, como eu me enchia de orgulho! O sorriso que se abria no seu rosto ao me ver era tão aconchegante!
Quando pequena, ao assistir o filme "Bambi" deixei minha mãe constrangida causando tumulto na sala de cinema.
Ao me deparar com a cena que os caçadores matam a mãe do Bambi fiquei assustada, indignada e revoltada.
- Mãe! A mãe do Bambi não morreu, morreu? Morreu?
Heim, mãe, ela morreu? Não morreu né?
Meu desespero era tamanha que gritei e toda a platéia ouviu e riu.
Na minha concepção, mães não poderiam partir jamais.
Nunca me esquecí de um menino que veio no estúdio fotográfico do meu pai num domingo de "Dia das Mães". Eu tinha aproximadamente seis anos na época. Ele usava um terninho listado, cabelos brilhantes e alinhados, aparentava ter a minha idade.
Na lapela do seu paletó um cravo branco. Ele queria tirar uma fotografia vestido assim.
No cenário do estúdio o menino se posicionou de pé, retinho com os braços colados ao corpo, olhar triste e o cravo na lapela que chamava minha atenção.
Perguntei à minha mãe por que o menino estaria usando um cravo branco no seu paletó.
Com o rosto triste ela me respondeu:
- No Dia das Mães, os filhos presenteiam as mães com cravos vermelhos e os que são órfãos de mãe usam cravos brancos.
Fiquei chocada e consternada pelo menino, tão criança e órfão!
Me senti culpada por ter uma mãe e ser feliz.
Acompanhei com os olhos o menino indo embora, descendo as escadas do estúdio. Me pareceu tão frágil.
Sentí um nó na garganta e uma dor no peito.
Nunca comprei cravos brancos na minha vida, mesmo após a partida da minha mãe.
Levo sempre flores coloridas e alegres para ela. Exatamente como ela foi, linda e alegre!
Olho para o céu sempre que tenho vontade de conversar com ela.
Mãe, eu te amo!
Feliz Dia das Mães!
terça-feira, 4 de maio de 2010
Feliz ou Muuuuuito Feliz!
Assistindo uma partida de futebol pela televisão, encontrei um rosto, uma expressão facial muito contagiante. Falando assim até parece que sou muito fanática por futebol, não, não sou assim. Num domingo, justamente no momento que sentei diante da televisão para fazer companhia ao meu marido e dar uma espiadinha no jogo, presenciei o gol e pude contemplar uma expressão facial que podemos chamar de representação exata do momento de extrema felicidade. Do meu marido e o do jogador. Um jovem jogador acabara de fazer um gol no momento crucial do jogo e salvara o time. A vibração do atacante não foi daquelas de correr loucamente pelo gramado, puxar a camiseta sobre o seu rosto nem sambou nem simulou embalar um bebê. Toda sua felicidade se concentrou no seu rosto, olhou para baixo, sorriu até tímidamente mas era um sorriso de alegria plena que vem lá do fundo da alma. Um sorriso de felicidade íntima, particular, advinda de uma realização profissional e pessoal. Me pareceu até um momento de reencontro com o seu batalhado passado que neste momento estava sendo premiado com um gol decisivo.
Se estivesse orientando um aluno a praticar o desenho de observação eu diria :
- Para representar este rosto que expressa felicidade máxima observe bem o movimento das sombrancelhas,
o brilho e a direção dos seus olhos, os traços elevados dos cantos da sua boca, a abertura das marcas de expressão. Observe, até o nariz, orelhas e os fios do cabelo parecem sorrir.
Foi agradável assistir uma pessoa feliz. Certamente meu rosto também sorria, um efeito dominó de felicidades. Percebí que felicidade tem graus, níveis. O do jogador grau "Máxima Satisfação", do meu marido que vibrava pelo seu time de coração,"Alta Satisfação", meu de platéia, "Satisfação".
Lembrei-me de um diálogo dos meus alunos durante a aula.
Depois de algumas aulas se dedicando a um desenho, o aluno Cema concluiu uma obra digna de respeito, duas araras magníficamente desenhadas em técnica de nanquim e bico-de-pena.
A outra aluna interrompeu o seu pincel, contemplou, admirou e perguntou:
-Você está feliz?
Com um sorriso enorme ele respondeu com entusiasmo:
- Muuuuuito Feliz!
A felicidade visita a vida das pessoas em várias oportunidades, até repetidas vezes ao dia.
Quando comemoramos o aniversário, quando ganhamos presente, quando chupamos um sorvete, quando pensamos em alguém que amamos, quando aplaudimos alguém, quando recebemos flores, quando terminamos um desenho, quando...
Temos motivo para reclamarmos da vida?
A única variação existente é, se hoje fomos:
"Felizes ou Muuuuuuuuito Felizes!
quinta-feira, 29 de abril de 2010
A Copa do Mundo e o Amor.
- Tia, qual é o time de futebol que você torce?
Durante o jantar, o sobrinho do meu marido me perguntou.
Respondí:
- Ué, o mesmo time que seu tio torce. Gosto de ver meu marido feliz!
Gosto de futebol, assisto os jogos, mas sou uma grande torcedora quando o Brasil está em jogo.
Quando vivemos a Copa do Mundo fico ansiosa, meu coração palpita, sofre, vibra e se alegra. Quando o Brasil vence um jogo fico feliz e realizada. Sou descendente de japoneses, tenho características físicas orientais, então frequentemente me colocam na berlinda e perguntam se realmente torço pelo Brasil quando joga Brasil X Japão.
Não posso dizer que me sinto confortável quando estes dois países estão em jogo, não gosto de ver os dois países se confrontarem. Meu pai e minha mãe são japoneses, tive um aprendizado muito grande da cultura japonesa, tenho dentro de mim muita influência da tradição japonesa. Mas antes de tudo isso nascí em terras brasileiras, em São Paulo, que verdadeiramente amo, no bairro da Praça da Árvore, aquí é a minha Pátria. É onde nascí, vivo e morrerei. Sinto os meus dois pés totalmente enraizados neste país que me recebeu ao primeiro choro, que me cercou de pessoas amigas, me deu instrução gratuita do ensino primário até a conclusão da Faculdade, me deu trabalho, oportunidades, tenho muita gratidão e amor por este país.
Recentemente, andando pelas ruas comerciais observei que já se encontram disponíveis muitos objetos para utilizarmos quando começar a Copa. Reparei numa camiseta amarela de frisos verdes bordadas com lantejoulas " Eu amo Brasil". Apesar de chamativa era bonita.
Atrás de mim percebí um casal olhando para a mesma camiseta.
A esposa falou em tom de desabafo:
- Eu não amo o Brasil, não!
O seu marido ao ouvir isto, ficou muito indignado e com os olhos arregalados respondeu:
-O que você falou?! Não acredito no que ouví, você está falando sério? A Copa já está começando e você falando uma coisa dessas! Que absurdo! Não, eu não quero ouvir isso!
Ainda ela insistiu:
-Eu não amo mesmo!
E os dois foram andando pela rua brigando e gesticulando.
Pensativa peguei o meu rumo, de um lado achei bonito a indignação do marido pela confissão da mulher, mas fiquei tentando entender o lado dela. Ela não gosta do país onde nasceu e mora, isto deve ser muito frustrante. É como não amar a sua própria família, sua casa, seu lar. É triste, muito triste, pensei.
Qual seria o país que ela gostaria de ter nascido? Deve existir um país que ela idealizou, que acredita ser melhor, será que tem a ver com riqueza? Com política? Para amarmos alguém precisamos conviver, cultivar, regar, estar com o coração aberto. Acredito que para amarmos um país também precisamos das mesmas coisas, um país não é só riqueza ou beleza. Já viví muitos anos neste país, (não vou dizer quanto... ) e amo este país principalmente pelas pessoas que aquí vivem, um país que está sempre de braços bem abertos para o novo, para te receber, para colocar mais água no feijão, para te beijar, te abraçar, para conversar em filas ou no ônibus, para pular dentro de águas imundas numa inundação, para socorrer o próximo. E a lista continua...
É um país sem problemas?
Evidentemente que não, temos outra lista para eles, mas o "Passárgada" existe? Só gostamos de pessoas perfeitas sem nenhum problema ou defeito? Ou ainda, amamos apenas por serem bonitos, perfeitos e não nos causarem problemas?
No amor verdadeiro e incondicional nada disso é levado em conta.
Alguns dirão:
- Ah, a Copa do Mundo fabrica "patriotismo temporário"!
É uma possibilidade, mas eu penso que pode ser o grande gancho para alguém que ainda não havia se decidido ou nem havia reparado nesta palavra a aprender e ter a oportunidade de vivenciar o exato momento em que milhões e milhões de corações irão bater por um único objetivo e perceber que isso também é amar o nosso país!
Durante o jantar, o sobrinho do meu marido me perguntou.
Respondí:
- Ué, o mesmo time que seu tio torce. Gosto de ver meu marido feliz!
Gosto de futebol, assisto os jogos, mas sou uma grande torcedora quando o Brasil está em jogo.
Quando vivemos a Copa do Mundo fico ansiosa, meu coração palpita, sofre, vibra e se alegra. Quando o Brasil vence um jogo fico feliz e realizada. Sou descendente de japoneses, tenho características físicas orientais, então frequentemente me colocam na berlinda e perguntam se realmente torço pelo Brasil quando joga Brasil X Japão.
Não posso dizer que me sinto confortável quando estes dois países estão em jogo, não gosto de ver os dois países se confrontarem. Meu pai e minha mãe são japoneses, tive um aprendizado muito grande da cultura japonesa, tenho dentro de mim muita influência da tradição japonesa. Mas antes de tudo isso nascí em terras brasileiras, em São Paulo, que verdadeiramente amo, no bairro da Praça da Árvore, aquí é a minha Pátria. É onde nascí, vivo e morrerei. Sinto os meus dois pés totalmente enraizados neste país que me recebeu ao primeiro choro, que me cercou de pessoas amigas, me deu instrução gratuita do ensino primário até a conclusão da Faculdade, me deu trabalho, oportunidades, tenho muita gratidão e amor por este país.
Recentemente, andando pelas ruas comerciais observei que já se encontram disponíveis muitos objetos para utilizarmos quando começar a Copa. Reparei numa camiseta amarela de frisos verdes bordadas com lantejoulas " Eu amo Brasil". Apesar de chamativa era bonita.
Atrás de mim percebí um casal olhando para a mesma camiseta.
A esposa falou em tom de desabafo:
- Eu não amo o Brasil, não!
O seu marido ao ouvir isto, ficou muito indignado e com os olhos arregalados respondeu:
-O que você falou?! Não acredito no que ouví, você está falando sério? A Copa já está começando e você falando uma coisa dessas! Que absurdo! Não, eu não quero ouvir isso!
Ainda ela insistiu:
-Eu não amo mesmo!
E os dois foram andando pela rua brigando e gesticulando.
Pensativa peguei o meu rumo, de um lado achei bonito a indignação do marido pela confissão da mulher, mas fiquei tentando entender o lado dela. Ela não gosta do país onde nasceu e mora, isto deve ser muito frustrante. É como não amar a sua própria família, sua casa, seu lar. É triste, muito triste, pensei.
Qual seria o país que ela gostaria de ter nascido? Deve existir um país que ela idealizou, que acredita ser melhor, será que tem a ver com riqueza? Com política? Para amarmos alguém precisamos conviver, cultivar, regar, estar com o coração aberto. Acredito que para amarmos um país também precisamos das mesmas coisas, um país não é só riqueza ou beleza. Já viví muitos anos neste país, (não vou dizer quanto... ) e amo este país principalmente pelas pessoas que aquí vivem, um país que está sempre de braços bem abertos para o novo, para te receber, para colocar mais água no feijão, para te beijar, te abraçar, para conversar em filas ou no ônibus, para pular dentro de águas imundas numa inundação, para socorrer o próximo. E a lista continua...
É um país sem problemas?
Evidentemente que não, temos outra lista para eles, mas o "Passárgada" existe? Só gostamos de pessoas perfeitas sem nenhum problema ou defeito? Ou ainda, amamos apenas por serem bonitos, perfeitos e não nos causarem problemas?
No amor verdadeiro e incondicional nada disso é levado em conta.
Alguns dirão:
- Ah, a Copa do Mundo fabrica "patriotismo temporário"!
É uma possibilidade, mas eu penso que pode ser o grande gancho para alguém que ainda não havia se decidido ou nem havia reparado nesta palavra a aprender e ter a oportunidade de vivenciar o exato momento em que milhões e milhões de corações irão bater por um único objetivo e perceber que isso também é amar o nosso país!
sexta-feira, 23 de abril de 2010
Resiliência e a arte de se reerguer.
Fui apresentada a esta palavra.
Projetada na imagem do "data show" a palavra era bonita e imponente mas o que significava?
A palestrante Dra. Fabiana perguntou para a platéia se conhecíamos o significado daquela palavra.
A palestrante Dra. Fabiana perguntou para a platéia se conhecíamos o significado daquela palavra.
Instalou-se um zum, zum, zum ou um ???
Para mim era totalmente desconhecida.
Fiquei um pouco tensa e preocupada se eu seria a única a desconhecer. Mas logo observei que era também para a maioria das pessoas alí presentes. Apenas duas pessoas ergueram os seus braços.
Fiquei mais tranquila. Como é gratuito e engraçado o nosso orgulho, mesmo secretamente.
Fiquei um pouco tensa e preocupada se eu seria a única a desconhecer. Mas logo observei que era também para a maioria das pessoas alí presentes. Apenas duas pessoas ergueram os seus braços.
Fiquei mais tranquila. Como é gratuito e engraçado o nosso orgulho, mesmo secretamente.
A pessoa que levantou o braço explicou-nos utilizando como exemplo uma situação quando alguém pula sobre um colchão e a espuma se afunda, mas após a pessoa se retirar, a espuma logo tem a capacidade de voltar ao seu estado normal.
Dra. Fabiana agradeceu e explicou-nos porque havia escolhido esta palavra para a nossa reflexão.
(Resiliência é um termo da física. Propriedade pela qual a energia armazenada em um corpo deformado é devolvida quando cessa a tensão causadora duma deformação elástica. - Dicionário Novo Aurélio)
O seu objetivo era nos fazer refletir sobre a necessidade e a importância da arte e da capacidade de se reerguer em qualquer situação das nossas vidas. No decorrer da nossa existência acabamos por deparar com situações difíceis quando então saímos do nosso equilíbrio. Quando a nossa qualidade de vida fica esquecida, quando o problema que enfrentamos passa a ser protagonista.
(Resiliência é um termo da física. Propriedade pela qual a energia armazenada em um corpo deformado é devolvida quando cessa a tensão causadora duma deformação elástica. - Dicionário Novo Aurélio)
O seu objetivo era nos fazer refletir sobre a necessidade e a importância da arte e da capacidade de se reerguer em qualquer situação das nossas vidas. No decorrer da nossa existência acabamos por deparar com situações difíceis quando então saímos do nosso equilíbrio. Quando a nossa qualidade de vida fica esquecida, quando o problema que enfrentamos passa a ser protagonista.
O que faria diferença nestes momentos seria, no sentido figurado, a nossa "Resiliência". A nossa capacidade de dar volta por cima, retornarmos ao nosso estado normal de equilíbrio, inteiras, para então continuarmos enxergando a vida multicolorida e seguirmos firme pela vida, recuperando a capacidade de sorrir e sentir a felicidade.
Isto que escrevo foi apenas o início de uma linda palestra de uma médica que é também mãe, mulher, meiga, porém forte e principalmente uma pessoa generosa que tem dentro dela além dos conhecimentos da Ciência, muito amor para oferecer ao próximo. A palestrante Dra. Fabiana Baroni Alves Makdissi é médica Mastologista dedicada a oferecer à mulher não apenas cuidados médicos mas também tornar a mulher cada vez mais consciente da necessidade de atenção e prevenção à Saúde da Mulher. E para tal, não economiza esforços driblando a sua apertada agenda para se dedicar às palestras com o objetivo único de tornar a qualidade de vida das mulheres cada vez melhor.
Seres humanos normalmente vivem por longos anos. Aspiramos viver por setenta, oitenta, noventa anos?
Seria o suficiente? Quem sabe cem? Porém, seria impossível viver estes longos anos sem depararmos e enfrentarmos as ciladas da vida, as pedras e as montanhas que de uma forma ou de outra acabam por interditar momentâneamente o caminho das nossas vidas. Então como sentirmo-nos felizes apesar de tudo?
Como vivermos os nossos momentos de felicidade apesar de uma situação difícil?
Não é preciso ser muito atenta para tomarmos conhecimento de pessoas que tiveram suas vidas devastadas
por uma infelicidade acidental, da natureza, por um diagnóstico dilacerante sobre a sua saúde. Tanto se ouve falar sobre superação, sobre situações aparentemente irreversíveis que culminam com uma superação milagrosa. O que faz a diferença? Ciência, fé, milagre, amor, força física, força interior? Quem tem a receita? Não temos e possívelmente nunca teremos, mas acredito que refletindo sobre a nossa "Resiliência" ou sobre a "Qualidade de Vida" estamos a caminho. Uma paciente da Dra. Fabiana sugeriu como definição : "Qualidade de Vida é se permitir viver um dia de cada vez saboreando todos os momentos, lembrando de ter prazer e ser feliz!".
Encerro este assunto inesgotável com a frase que foi destacada na palestra:"Aquilo que não me destrói, me fortalece"
Friedrich W. Nietzsche.
sábado, 17 de abril de 2010
Comida e Arte.
Lavar panelas nunca foi o meu forte.
Principal-mente agora que acabei de trocar a torneira elétrica da minha cozinha.
A torneira anterior, muito baixinha, me dificultava lavar panelas grandes e então quando ela deu o seu ultimo suspiro resolvi trocar por uma com prolongador elevado. Na minha imaginação assim teria espaço suficiente entre a torneira e a cuba para lavar panelas maiores.
É..., mas como tudo na vida tem dois lados, sendo a torneira alta, a queda da água é maior e assim irriga totalmente a minha barriga que detesta ser coberta por um avental. Enquanto minhas mãos lavavam rápidamente a panela e a minha barriga se encharcava, meus ouvidos detectaram sons divinos de uma orquestra.
Ao prestar atenção na tela do pequeno televisor da cozinha, percebi que falavam sobre uma orquestra composta de jovens músicos residentes em uma favela. Não consegui ouvir o nome da orquestra, a reportagem já estava no final mas apenas pela pequena demonstração meus ouvidos e o meu coração ficaram mais felizes! Não me importei por estar ocupada com os serviços domésticos, pois a sinfonia que penetrou dentro de mim me fez lembrar que logo chegaria o dia de prestigiar a Camerata Aberta do MASP no último domingo do mês.
Arnaldo Antunes, Marcelo Fromer e Sérgio Brito estavam certíssimos quando compuseram a música "Comida". Queremos mais riqueza em nossas vidas, riqueza para a nossa alma.
A maioria das pessoas passam a semana inteirinha trabalhando duro por oito, dez horas diárias para garantir o pagamento do supermercado, do condomínio, da energia elétrica, telefone fixo e celular, escola das crianças, etc, etc, etc.
Final de semana muitas vezes correm para fazer tudo que não podem fazer durante a semana ou ficam tão cansados que nem saem de casa para poder guardar energia e começar tudo novamente na segunda-feira.
... a gente não quer só comida,
a gente quer comida, diversão e arte...
Precisamos reservar um tempinho ou um tempão para a nossa alma, para estocarmos não só mantimentos
mas estocarmos também o deleite da nossa alma que só o amor e a arte podem nos fornecer.
O que poderia substituir uma boa leitura, uma música divina, uma linda peça teatral, um filme marcante, um concerto inesquecível, uma exposição de arte maravilhosa?
É difícil encontrarmos uma resposta.
Tenho uma aluna de 75 anos de idade, maravilhosa! A Darcy, aproveita totalmente a sua vida dedicando-se
às artes como criadora e apreciadora. Frequenta religiosamente todas as óperas, exposições, concertos, teatros, filmes de todos os estilos, sem preconceito. E faz tudo isso sem gastar muito pois além da vantagem de fazer parte da "melhor idade", aposentada e pagar apenas 50% do valor dos ingressos, está sempre antenada e informadíssima sobre muitos programas gratuitos que São Paulo nos oferece. Tem a cabeça e a postura moderníssima, mais do que muitos jovens e uma sabedoria incrível.
Chamo-a de "cultura ambulante". Sempre que conversa com jovens, crianças ou adultos, generosa, não economiza em compartilhar seus conhecimentos ensinando tudo sobre as artes e sobre o mundo por onde andou e respirou. Sem papas na língua, brava e divertida é a animadora de qualquer ambiente. Trabalhou duro pela vida para sempre manter-se sózinha mas nunca se esqueceu de ser feliz!
... a gente não quer só dinheiro,
a gente quer dinheiro e felicidade...
( trechos da música : "Comida" - composição: Arnaldo Antunes, Marcelo Fromer e Sérgio Brito)
Principal-mente agora que acabei de trocar a torneira elétrica da minha cozinha.
A torneira anterior, muito baixinha, me dificultava lavar panelas grandes e então quando ela deu o seu ultimo suspiro resolvi trocar por uma com prolongador elevado. Na minha imaginação assim teria espaço suficiente entre a torneira e a cuba para lavar panelas maiores.
É..., mas como tudo na vida tem dois lados, sendo a torneira alta, a queda da água é maior e assim irriga totalmente a minha barriga que detesta ser coberta por um avental. Enquanto minhas mãos lavavam rápidamente a panela e a minha barriga se encharcava, meus ouvidos detectaram sons divinos de uma orquestra.
Ao prestar atenção na tela do pequeno televisor da cozinha, percebi que falavam sobre uma orquestra composta de jovens músicos residentes em uma favela. Não consegui ouvir o nome da orquestra, a reportagem já estava no final mas apenas pela pequena demonstração meus ouvidos e o meu coração ficaram mais felizes! Não me importei por estar ocupada com os serviços domésticos, pois a sinfonia que penetrou dentro de mim me fez lembrar que logo chegaria o dia de prestigiar a Camerata Aberta do MASP no último domingo do mês.
Arnaldo Antunes, Marcelo Fromer e Sérgio Brito estavam certíssimos quando compuseram a música "Comida". Queremos mais riqueza em nossas vidas, riqueza para a nossa alma.
A maioria das pessoas passam a semana inteirinha trabalhando duro por oito, dez horas diárias para garantir o pagamento do supermercado, do condomínio, da energia elétrica, telefone fixo e celular, escola das crianças, etc, etc, etc.
Final de semana muitas vezes correm para fazer tudo que não podem fazer durante a semana ou ficam tão cansados que nem saem de casa para poder guardar energia e começar tudo novamente na segunda-feira.
... a gente não quer só comida,
a gente quer comida, diversão e arte...
Precisamos reservar um tempinho ou um tempão para a nossa alma, para estocarmos não só mantimentos
mas estocarmos também o deleite da nossa alma que só o amor e a arte podem nos fornecer.
O que poderia substituir uma boa leitura, uma música divina, uma linda peça teatral, um filme marcante, um concerto inesquecível, uma exposição de arte maravilhosa?
É difícil encontrarmos uma resposta.
Tenho uma aluna de 75 anos de idade, maravilhosa! A Darcy, aproveita totalmente a sua vida dedicando-se
às artes como criadora e apreciadora. Frequenta religiosamente todas as óperas, exposições, concertos, teatros, filmes de todos os estilos, sem preconceito. E faz tudo isso sem gastar muito pois além da vantagem de fazer parte da "melhor idade", aposentada e pagar apenas 50% do valor dos ingressos, está sempre antenada e informadíssima sobre muitos programas gratuitos que São Paulo nos oferece. Tem a cabeça e a postura moderníssima, mais do que muitos jovens e uma sabedoria incrível.
Chamo-a de "cultura ambulante". Sempre que conversa com jovens, crianças ou adultos, generosa, não economiza em compartilhar seus conhecimentos ensinando tudo sobre as artes e sobre o mundo por onde andou e respirou. Sem papas na língua, brava e divertida é a animadora de qualquer ambiente. Trabalhou duro pela vida para sempre manter-se sózinha mas nunca se esqueceu de ser feliz!
... a gente não quer só dinheiro,
a gente quer dinheiro e felicidade...
( trechos da música : "Comida" - composição: Arnaldo Antunes, Marcelo Fromer e Sérgio Brito)
domingo, 11 de abril de 2010
Rubem Alves
Há algum tempo guardo dentro de mim uma vontade imensa de escrever sobre Rubem Alves.
Todas as vezes a falta de coragem me impede de concretizar este intento, mas a vontade não quer saber de ir embora. O máximo que consegui fazer foi adicionar o site do Rubem Alves na lista dos links que recomendo. Sei que perguntariam o por quê da "falta de coragem". Para explicar, contarei como foi o meu encontro com o Rubem..., não, com o livro do Rubem Alves, pois se um dia tiver a felicidade de encontrá-lo pessoalmente, acho que ficaria tão emocionada que nem saberia manter um diálogo com ele.
Após as festividades de Natal, fui até a Livraria Cultura fazer o que mais adoro: trocar por um livro o "Vale Presente" que havia ganhado da minha amiga. Levei comigo uma lista de livros que poderia ser o meu presente. Não gosto de pedir informação ao atendente, gosto de "curtir" o momento de procurar nas estantes os livros que procuro, quase como uma brincadeira de "esconde-esconde". Procurei, procurei e procurei mas não conseguia encontrar nenhum dos livros da minha lista, já havia passado muito tempo e logo chegaria a hora combinada com o meu marido que havia se misturado na multidão entre as estantes do setor de "Informática". Iria me render, chamei um atendente, este consultou rápidamente na tela do computador e me comunicou que nenhum dos livros da minha lista teria em estoque. Dito isto ele logo me descartou e iniciou o atendimento de outro cliente. Fiquei frustrada! Como assim? Vou para casa sem o meu presente?
O meu semblante deveria ser digno de pena pois surgiu ao meu lado um iluminado atendente:
-Tudo bem com você?
Perguntou ele. E eu respondi, balançando a lista com desânimo, que nada estava bem pois soubera que não havia os livros que procurava.
Ele sorriu suavemente e disse:
-Pelo visto você gosta de crônicas.
Dito isto retirou da estante um livro com a capa de cor laranja e disse:
-Conhece Rubem Alves? Este é o mais recente livro dele,
"Desfiz 75 anos".
Depositou o livro na minha mão e sumiu como um anjo pelos labirintos de estantes. Achei o título inusitado e interessante, alí mesmo comecei a folhear e ler. Lembro que a primeira impressão foi: Meu Deus! É uma crônica assim, escrita assim, com estas palavras, esta emoção, este calor que eu sempre tive vontade de ler e que há muito procuro! Como se já soubesse que um dia encontraria uma crônica assim.
Não conseguia mais parar de ler e então a minha "gula literária" se acentuou, procurei na estante outros livros dele, eram todos geniais. No mesmo instante tive uma crise de vergonha. Quanta ignorância a minha, como poderia não conhecer este autor? Peguei mais um livro seu, "Ostra feliz não faz pérola" e este até já havia ouvido falar mas não sabia o nome do autor. Enrubeci e para tentar recuperar o tempo perdido resolvi logo levar três livros. Defini que o livro do presente seria o livro indicado pelo anjo atendente: "Desfiz 75 anos".
Estes livros da foto são os três primeiros de uma série.
Explico agora o por quê da falta de coragem em escrever sobre Rubem Alves. Tamanha responsabilidade seria escrever sobre um escritor que imensamente admiro, um grande mestre das palavras, um filósofo, um intelectual, um teólogo, professor, psicanalista e ainda assim
um homem que retrata, através de palavras, tão terna e singelamente, a vida simples, o cotidiano, o sentimento de uma forma tão magníficamente bela!
Diante disso resolvi tomar coragem, jogar a vergonha fora e escrever humildemente com a minha maneira simples de escrever sobre a admiração e o respeito que sinto por este escritor chamado Rubem Alves.
Todas as vezes a falta de coragem me impede de concretizar este intento, mas a vontade não quer saber de ir embora. O máximo que consegui fazer foi adicionar o site do Rubem Alves na lista dos links que recomendo. Sei que perguntariam o por quê da "falta de coragem". Para explicar, contarei como foi o meu encontro com o Rubem..., não, com o livro do Rubem Alves, pois se um dia tiver a felicidade de encontrá-lo pessoalmente, acho que ficaria tão emocionada que nem saberia manter um diálogo com ele.
Após as festividades de Natal, fui até a Livraria Cultura fazer o que mais adoro: trocar por um livro o "Vale Presente" que havia ganhado da minha amiga. Levei comigo uma lista de livros que poderia ser o meu presente. Não gosto de pedir informação ao atendente, gosto de "curtir" o momento de procurar nas estantes os livros que procuro, quase como uma brincadeira de "esconde-esconde". Procurei, procurei e procurei mas não conseguia encontrar nenhum dos livros da minha lista, já havia passado muito tempo e logo chegaria a hora combinada com o meu marido que havia se misturado na multidão entre as estantes do setor de "Informática". Iria me render, chamei um atendente, este consultou rápidamente na tela do computador e me comunicou que nenhum dos livros da minha lista teria em estoque. Dito isto ele logo me descartou e iniciou o atendimento de outro cliente. Fiquei frustrada! Como assim? Vou para casa sem o meu presente?
O meu semblante deveria ser digno de pena pois surgiu ao meu lado um iluminado atendente:
-Tudo bem com você?
Perguntou ele. E eu respondi, balançando a lista com desânimo, que nada estava bem pois soubera que não havia os livros que procurava.
Ele sorriu suavemente e disse:
-Pelo visto você gosta de crônicas.
Dito isto retirou da estante um livro com a capa de cor laranja e disse:
-Conhece Rubem Alves? Este é o mais recente livro dele,
"Desfiz 75 anos".
Depositou o livro na minha mão e sumiu como um anjo pelos labirintos de estantes. Achei o título inusitado e interessante, alí mesmo comecei a folhear e ler. Lembro que a primeira impressão foi: Meu Deus! É uma crônica assim, escrita assim, com estas palavras, esta emoção, este calor que eu sempre tive vontade de ler e que há muito procuro! Como se já soubesse que um dia encontraria uma crônica assim.
Não conseguia mais parar de ler e então a minha "gula literária" se acentuou, procurei na estante outros livros dele, eram todos geniais. No mesmo instante tive uma crise de vergonha. Quanta ignorância a minha, como poderia não conhecer este autor? Peguei mais um livro seu, "Ostra feliz não faz pérola" e este até já havia ouvido falar mas não sabia o nome do autor. Enrubeci e para tentar recuperar o tempo perdido resolvi logo levar três livros. Defini que o livro do presente seria o livro indicado pelo anjo atendente: "Desfiz 75 anos".
Estes livros da foto são os três primeiros de uma série.
Explico agora o por quê da falta de coragem em escrever sobre Rubem Alves. Tamanha responsabilidade seria escrever sobre um escritor que imensamente admiro, um grande mestre das palavras, um filósofo, um intelectual, um teólogo, professor, psicanalista e ainda assim
um homem que retrata, através de palavras, tão terna e singelamente, a vida simples, o cotidiano, o sentimento de uma forma tão magníficamente bela!
Diante disso resolvi tomar coragem, jogar a vergonha fora e escrever humildemente com a minha maneira simples de escrever sobre a admiração e o respeito que sinto por este escritor chamado Rubem Alves.
quarta-feira, 31 de março de 2010
Ser único.
Uma das melhores coisas ao participar de palestras é o encontro com pessoas interessantes de todas as áreas, não só aquelas que estão com o microfone na mão como também as que se sentam ao seu lado para prestigiar. Numa palestra sobre
"Qualidade de Vida" conheci uma monja budista que recentemente retornara ao Brasil após anos de estudos no Japão. Uma oriental simpática, alta, com a sua cabeça raspada e seus trages de monja sentou-se ao meu lado. Seu sorriso receptivo fazia com que as pessoas a cumprimentassem espontâneamente.
Inclusive eu.
Quando vejo pessoas assim todas as indagações, reflexões sem resposta acumuladas dentro de mim se agitam e me pressionam a aproveitar aquela oportunidade para receber alguma forma de orientação. Principalmente quando conheço pessoas calmas, aparentando sabedoria, vivência e muito conhecimento tenho vontade de escutá-las e aprender com elas ou ainda, se possível fosse, apreender um pouco da sabedoria até por "osmose".
Sou exatamente o oposto de pessoas que citei acima, sou apressada, curiosíssima, nada calma, ansiosa, falo muito, falo e depois penso, talvez por isso admire tanto as pessoas de modos calmos e tranquilos.
Conversamos sobre muitas coisas, embora o tempo de intervalo da palestra fosse muito curto. Aproveitei esta oportunidade e contei-lhe sobre a angústia que sinto quando muitas vezes tenho dificuldade em responder a algumas indagações dos meus alunos. Alunos que me trazem perguntas difíceis sobre a falta de oportunidade, de reconhecimento no campo artístico mesmo empenhando-se com toda dedicação e amor
ao trabalho artístico. Sentem-se inconformados ao constatar que outros trabalhos de outros profissionais que considera menos elaborados estejam alcançando reconhecimento quando dele não. Com a sua voz serena e um sorriso suave, assim ela respondeu:
- O grande problema está na comparação. Antes de qualquer coisa é necessário entendermos
que somos seres únicos, cada um de nós somos capazes de produzirmos trabalhos únicos, exclusivos.
Desse modo, não é possível fazer comparações, fazê-lo é o caminho errado.
Infelizmente foi apenas esta conversa que foi possível neste dia. Mas foi o bastante para o início de muitas reflexões. Não existe e nunca existirá duas pessoas idênticas nem que sejam gêmeos. Cada um tem o seu recado baseado na sua vivência, seu modo de expressar a alegria, o amor, a beleza ou até mesmo sentimentos não tão positivos que gostaria de representar na sua arte. Realmente tentar fazer comparações não pode dar certo é necessário não perdermos tempo olhando para o outro que faz sucesso ou não.
O importante é sentirmos prazer passando a nossa mensagem, a nossa interpretação da vida, sentirmos amor ao produzirmos, criarmos a nossa arte única e conscientizarmos que se somos capazes de atrair e provocar sentimentos belos no outro a nossa arte também poderá fazer o mesmo.
domingo, 28 de março de 2010
O Som da "União".
Hoje tive o grande prazer de sentir e ouvir o som da "união", da disciplina, da perseve- rança e principalmente o som da "paixão" de 35 jovens
músicos que nos presentearam com momentos singulares de encontro com Mozart e Schubert.
Sob a regência do Maestro Gil Jardim, a Orquestra de Câmara da Universidade de São Paulo - OCAM nos ofereceu um domingo muito especial no Grande Auditório do MASP- Museu de Arte de São Paulo.
A voz inacreditávelmente bela da soprano
Elizabeth Ratzersdorf ecoou e registrou em nossos ouvidos e no coração, o fruto do talento, do aperfeiçoamento e da dedicação. Dedicação e o treinamento que não vemos, que nem conseguimos dimensionar o tamanho do empenho
que se faz necessário para se chegar a este resultado.
Enquanto apreciava estes momentos únicos pude refletir sobre a beleza da Arte que não precisa de palavras ou não se consegue encontrar palavras para decrevê-las. Basta sentí-las. O turbilhão de emoções que sentimos quando entramos em contato com o "Belo" é absolutamente idêntico em todas as artes. É o que nos enriquece, nos molda, nos faz pessoas melhores. Ao contemplar cada um dos jovens músicos, ví 35 músicos talentosos que certamente são brilhantes individualmente mas que não se faz necessário destacar-se mais do que outro, com a união do esforço de cada integrante se chega à aquela obra de arte coletiva.
A linda Sinfonia no. 5 de F. Schubert me fez sentir doloridamente a beleza de um artista que deixou como herança para a humanidade estas obras de arte, sem nunca conhecer nem glórias nem reconhecimento em sua vida tão curta. Eternamente estas obras plantarão e germinarão nos corações da humanidade a adoração pela Arte.
músicos que nos presentearam com momentos singulares de encontro com Mozart e Schubert.
Sob a regência do Maestro Gil Jardim, a Orquestra de Câmara da Universidade de São Paulo - OCAM nos ofereceu um domingo muito especial no Grande Auditório do MASP- Museu de Arte de São Paulo.
A voz inacreditávelmente bela da soprano
Elizabeth Ratzersdorf ecoou e registrou em nossos ouvidos e no coração, o fruto do talento, do aperfeiçoamento e da dedicação. Dedicação e o treinamento que não vemos, que nem conseguimos dimensionar o tamanho do empenho
que se faz necessário para se chegar a este resultado.
Enquanto apreciava estes momentos únicos pude refletir sobre a beleza da Arte que não precisa de palavras ou não se consegue encontrar palavras para decrevê-las. Basta sentí-las. O turbilhão de emoções que sentimos quando entramos em contato com o "Belo" é absolutamente idêntico em todas as artes. É o que nos enriquece, nos molda, nos faz pessoas melhores. Ao contemplar cada um dos jovens músicos, ví 35 músicos talentosos que certamente são brilhantes individualmente mas que não se faz necessário destacar-se mais do que outro, com a união do esforço de cada integrante se chega à aquela obra de arte coletiva.
A linda Sinfonia no. 5 de F. Schubert me fez sentir doloridamente a beleza de um artista que deixou como herança para a humanidade estas obras de arte, sem nunca conhecer nem glórias nem reconhecimento em sua vida tão curta. Eternamente estas obras plantarão e germinarão nos corações da humanidade a adoração pela Arte.
Assinar:
Postagens (Atom)










.jpg)












