Maria Inês, domingo, ao final de uma tarde de compras no hipermercado, fiquei sabendo que você viajou mais cedo. Encontrei lá a sua amiga, não sei o seu nome. Sei porém que ambas gostamos e admiramos você. Sempre que vejo esta sua amiga, após um rápido cumprimento, falamos logo sobre você e desta vez não foi diferente. Logo quis saber sobre você. Ela contou-me da sua viagem.
Maria Inês, minha amiga, companheira desde o primeiro dia de trabalho, quando eu tinha uma outra profissão.
Eu gordinha, você magrinha, eu estabanada, você tão calma e serena, eu tão infantil, você tão adulta. Posso ficar aqui enumerando infinitamente como eramos antagônicas, mas tinhamos tanto a falar...
Você se lembra do dia em que viajamos juntas numa excursão? Lembra-se de quando após um dia inteiro de trabalho preparamos o nosso lanche da viagem, com frios e pão de forma , escondidas atrás do ônibus?
Rimos tanto! Lembra-se de quando fui visitá-la na sua casa tomando quatro ônibus para chegar? E você estava lá no ponto de ônibus me esperando.Você se lembra de como adorei e quase acabei com todos os deliciosos pães doces recheados com goiabada que a sua mãe fez para nós? Quantas vezes aprontamos poucas e boas no trabalho! Quem estava ao meu lado quando um caminhão bateu no meu carro, na véspera de Natal? Você. Juntas gritamos muito! Sempre que eu estava em apuros, você sorria e me ajudava. Nada do que vivemos juntas foi por mim esquecido.
Naomeyinha, assim você me chamava.
Quando decidi deixar a empresa que juntas trabalhávamos e ser ilustradora em tempo integral, lamentamos muito não encontrarmos mais diáriamente. Você lá permaneceu firme e dedicada.
Ficamos longos anos ocupadas com as nossas buscas, ainda assim mantivemos contato que a vida corrida se encarregou em tornar raro. Porém, mesmo longe sabíamos que ambas torcíamos uma pela outra.
Passei anos sem ter notícias suas, mas você esteve sempre nas minhas boas recordações, nas cenas que gosto de relembrar. O seu sorriso sereno e envergonhado, aconchegante e amigo está nítidamente registrado na minha memória.
Mesmo longe, mesmo sem nos encontrarmos, tinha dentro de mim uma grande satisfação pois sabia que a minha amiga estava feliz, casou-se com uma pessoa boa, batalhadora, carinhosa e tinha muito amor por você. Também soube que você teria sido agraciada com três filhos e conhecendo você tão bem, tinha certeza que iria criá-los magnificamente.
Tinha sempre dentro de mim a esperança e o desejo de um dia nos encontrarmos e colocarmos todas as nossas novidades em dia. Duas amigas contando uma para outra o que recebeu da vida.
Mas, numa tarde de domingo, a noticia que recebi mudou os rumos desta minha esperança.
Maria Inês, que você tenha desembarcado no lugar tão lindo quanto o seu coração.
domingo, 17 de abril de 2011
sexta-feira, 15 de abril de 2011
Feliz Dia Mundial do Desenhista!
Em 1984 fiz este meu auto-retrato.
Cheia de incertezas, mas com muitos sonhos, ilusões e otimismo desenhava todos os dias.
No porão da minha casa dividia meu atelier com roupas sujas onde ficavam o tanque de lavar roupas e máquina de lavar roupas. Numa época em que desenhava sem pretensões, apenas por vontade e gosto.
Passava minhas tardes exatamente assim. Algumas tardes sem idéias e sem desenhos que me satisfizessem, mas muitas outras produtivas e divertidas também. Acredito que todo desenhista entenderá do que estou falando. Cenas nítidamente formadas em nossa mente, algumas vezes quando a desenhamos a mão não nos obedece e não representa exatamente como a imaginamos. Outras vezes conseguimos resultados inesperados.
É preciso persistir, persistir e persistir!
Temos força e energia para isso porque amamos desenhar!
Por vezes odiamos também, todavia não conseguimos viver sem desenhar porque é o que nos faz muito feliz!
Que todos os desenhistas encontrem um caminho que os façam realizados, satisfeitos por chegarem a um desenho que reflita exatamente o que temos dentro de nós!
Feliz Dia Mundial do Desenhista!
domingo, 10 de abril de 2011
Par ou ímpar?
Você quer pera ou maçã?
Quer ir ou ficar?
Apreciar ou produzir?
Podemos ficar com os dois?
Estamos sempre na berlinda.
Dois caminhos, dois rumos à frente.
O que fazer?
Procuro por uma moeda e tiro par ou ímpar?
Podemos trilhar pelos dois caminhos?
O que estariamos ganhando ou perdendo optado por apenas uma delas?
Somos um, ocupamos um só corpo em cada vida.
Impossível ocupar dois lugares num só tempo.
Espere...Podemos sim, trilhar pelos dois caminhos. Podemos ir por um caminho até a metade, voltar e pegar o outro até a metade. Seria mais uma opção de vida. Muitas vezes fazemos isso. Com muita sorte conseguimos ver que deste modo não finalizamos, não chegamos a lugar nenhum. Seria um motivo para começarmos tudo de novo. Começar é mais fácil.
Ficaremos dando voltas até o momento que não encontraremos mais desculpas para admitir que voltamos sempre no mesmo lugar ou que nem saimos dela.
Muitas vezes sou repetitiva ou até cansativa ao falar que a vida é muito generosa, que a vida é muito democrática. Ela nos fornece o que todo o ser humano mais valoriza e deseja: a liberdade.
A liberdade que nos fascina mas também nos desafia.
Ao fazer a escolha, não fuja, assuma. Esta é a regra do jogo.
Muitas vezes trapaceamos a vida. Apostamos, jogamos, escolhemos e quando não obtemos êxito, culpamos alguém ou ainda algum fenômeno da natureza ou do exoterismo. Não podemos fazer isso eternamente. Em algum momento da vida temos que fazer escolhas e reponsabilizarmos por elas. Toda escolha deixa em nós um frio na barriga, uma dor no estômago e uma voz que lá no fundo do nosso coração diz: - Será que fez a escolha certa? Não seria melhor ter ido por outro caminho? Veja! O outro parecia mais promissor...
Feita a escolha, ficamos pensando naquele caminho que não escolhemos, maquiando a opção não eleita de tal forma que ela passa a se apresentar mais sedutora. É... um risco que corremos. Repito novamente, a vida é democrática... Mas... E o caminho que escolhemos? Aquele que tomamos em nossas mãos, que está ao nosso alcance e sob nossa responsabilidade? Feita a escolha, parece-nos pequeno? Desprezamos? Não é ele que elegemos dentre tantos? Então, avante! Concentremo-nos dedicando nele energia, carinho e amor, fazendo dar certo.
Com certeza ele nos retribuirá nos proporcionando realização e isto provocará em nós o mais precioso, o mais importante das nossas vidas.
O prazer de sorrir!
Quer ir ou ficar?
Apreciar ou produzir?
Podemos ficar com os dois?
Estamos sempre na berlinda.
Dois caminhos, dois rumos à frente.
O que fazer?
Procuro por uma moeda e tiro par ou ímpar?
Podemos trilhar pelos dois caminhos?
O que estariamos ganhando ou perdendo optado por apenas uma delas?
Somos um, ocupamos um só corpo em cada vida.
Impossível ocupar dois lugares num só tempo.
Espere...Podemos sim, trilhar pelos dois caminhos. Podemos ir por um caminho até a metade, voltar e pegar o outro até a metade. Seria mais uma opção de vida. Muitas vezes fazemos isso. Com muita sorte conseguimos ver que deste modo não finalizamos, não chegamos a lugar nenhum. Seria um motivo para começarmos tudo de novo. Começar é mais fácil.
Ficaremos dando voltas até o momento que não encontraremos mais desculpas para admitir que voltamos sempre no mesmo lugar ou que nem saimos dela.
Muitas vezes sou repetitiva ou até cansativa ao falar que a vida é muito generosa, que a vida é muito democrática. Ela nos fornece o que todo o ser humano mais valoriza e deseja: a liberdade.
A liberdade que nos fascina mas também nos desafia.
Ao fazer a escolha, não fuja, assuma. Esta é a regra do jogo.
Muitas vezes trapaceamos a vida. Apostamos, jogamos, escolhemos e quando não obtemos êxito, culpamos alguém ou ainda algum fenômeno da natureza ou do exoterismo. Não podemos fazer isso eternamente. Em algum momento da vida temos que fazer escolhas e reponsabilizarmos por elas. Toda escolha deixa em nós um frio na barriga, uma dor no estômago e uma voz que lá no fundo do nosso coração diz: - Será que fez a escolha certa? Não seria melhor ter ido por outro caminho? Veja! O outro parecia mais promissor...
Feita a escolha, ficamos pensando naquele caminho que não escolhemos, maquiando a opção não eleita de tal forma que ela passa a se apresentar mais sedutora. É... um risco que corremos. Repito novamente, a vida é democrática... Mas... E o caminho que escolhemos? Aquele que tomamos em nossas mãos, que está ao nosso alcance e sob nossa responsabilidade? Feita a escolha, parece-nos pequeno? Desprezamos? Não é ele que elegemos dentre tantos? Então, avante! Concentremo-nos dedicando nele energia, carinho e amor, fazendo dar certo.
Com certeza ele nos retribuirá nos proporcionando realização e isto provocará em nós o mais precioso, o mais importante das nossas vidas.
O prazer de sorrir!
sábado, 2 de abril de 2011
Dia Internacional do Livro Infantil.
Dentre tantas saudades que sinto, todos os anos, nesta data, é neles que penso.
Quisera eu tê-los comigo.
Muita saudade deles.
Fecho meus olhos e os vejo.
Não os tenho mais comigo, aqui, agora.
Eram amorosos, estavam sempre presentes e à minha disposição.
Sempre ao alcance das minhas mãos.
Eram pálidos e amarelados.
Quando eu os tocava eram quase ásperos, ressecados, mas senti-los era sempre muito agradável.
Nunca soube dizer quando eles passaram a morar conosco nem quantas pessoas os possuiram antes de mim. Tudo que eu sabia era que os adorava e eram meus.
Muitas coisas me ensinou, levou-me a conhecer todas as épocas, mundos e fantasias que eu jamais poderia
conhecê-los sem eles.
Estive perto de princesas, príncipes, sapos, feras, lobos, piratas, escravas, a mulher de neve, o Barba Azul, a Emília ...
Nossa! Seria impossível enumerá-los todos. Muitas destas viagens fiz embaladas pela voz e pelas interpretações fantásticas da minha mãe. Como estes nossos momentos eram cheios de ternura!
No decorrer da minha vida, distraída com novidades, obrigações e sentimentos novos eles foram ficando em algum lugar, em alguma casa que fomos deixando para trás.
Gosto de imaginar que chegaram às mãos das crianças que ainda não os conheciam.
Tenho a certeza que souberam que todo o seu amor eu já os tinha absorvido.
Mesmo tendo-os bem guardados dentro da minha memória e do meu coração ainda queria muito vê-los, tocá-los e senti-los. Acabar com esta saudade!
Saudade de todos os meus livros infantis que tive. Livros de capas duras marcadas pelo tempo e manuseio, páginas amareladas, alguns, até faltando pedaços. Saudade das suas ilustrações em tinta azul, singelas, inocentes e lindas! Livros que ficavam espalhados pela casa toda, respeitados e amados por todos assim como os anciões da família. Se foram, mas não do meu coração. Nunca deixarei de lembrar como todos eles foram importantes na vida, na minha formação.
Que todas as crianças tenham amizade e amor pelos livros, assim como eu tive a felicidade de ter.
Muita gratidão a todos eles.
Quisera eu tê-los comigo.
Muita saudade deles.
Fecho meus olhos e os vejo.
Não os tenho mais comigo, aqui, agora.
Eram amorosos, estavam sempre presentes e à minha disposição.
Sempre ao alcance das minhas mãos.
Eram pálidos e amarelados.
Quando eu os tocava eram quase ásperos, ressecados, mas senti-los era sempre muito agradável.
Nunca soube dizer quando eles passaram a morar conosco nem quantas pessoas os possuiram antes de mim. Tudo que eu sabia era que os adorava e eram meus.
Muitas coisas me ensinou, levou-me a conhecer todas as épocas, mundos e fantasias que eu jamais poderia
conhecê-los sem eles.
Estive perto de princesas, príncipes, sapos, feras, lobos, piratas, escravas, a mulher de neve, o Barba Azul, a Emília ...
Nossa! Seria impossível enumerá-los todos. Muitas destas viagens fiz embaladas pela voz e pelas interpretações fantásticas da minha mãe. Como estes nossos momentos eram cheios de ternura!
No decorrer da minha vida, distraída com novidades, obrigações e sentimentos novos eles foram ficando em algum lugar, em alguma casa que fomos deixando para trás.
Gosto de imaginar que chegaram às mãos das crianças que ainda não os conheciam.
Tenho a certeza que souberam que todo o seu amor eu já os tinha absorvido.
Mesmo tendo-os bem guardados dentro da minha memória e do meu coração ainda queria muito vê-los, tocá-los e senti-los. Acabar com esta saudade!
Saudade de todos os meus livros infantis que tive. Livros de capas duras marcadas pelo tempo e manuseio, páginas amareladas, alguns, até faltando pedaços. Saudade das suas ilustrações em tinta azul, singelas, inocentes e lindas! Livros que ficavam espalhados pela casa toda, respeitados e amados por todos assim como os anciões da família. Se foram, mas não do meu coração. Nunca deixarei de lembrar como todos eles foram importantes na vida, na minha formação.
Que todas as crianças tenham amizade e amor pelos livros, assim como eu tive a felicidade de ter.
Muita gratidão a todos eles.
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número 59 do dia 02 de Abril de 2011
Uma homenagem ao Dia Internacional do Livro Infantil
onde a convite do Marciano Vasques tive o prazer de contribuir com uma postagem.
segunda-feira, 28 de março de 2011
O sorriso.
![]() |
| Do livro " Eca! Dá um bucadim..." História: João Francisco Paes Ilustração: Naomy Kuroda Editora Saraiva |
O silêncio necessário para escutar, ver, sentir, pensar, refletir, aprender e guardar no coração.
Tive a sensação de que qualquer manifestação verbal soaria leviana diante dos últimos acontecimentos.
A grande catástrofe que assolou a terra oriental, terra que acolheu meu pai no seu primeiro choro, dispertou-me fortes emoções..
Ao me deparar com as imagens tão assustadoramente nítidas, registradas com lentes e máquinas, tecnologia, fruto principalmente do povo que vive nestas mesmas terras que foram mutiladas pela natureza impiedosa, me deixou por um tempo vazia, sem saber o que pensar ou falar.
Imagens tristes, mais do que tristes, cruéis e com certeza amenas diante do que aquele povo viveu na realidade, na fatídica tarde de um dia normal de trabalho. Acredito que tristeza é um sentimento que vivenciamos quando ainda o desespero não tomou conta da nossa alma. As imagens mostram no rosto destas vítimas olhares mais do que tristes, são olhares perdidos, vazios dos que não enxergam horizontes. Olhares aterrorizados dos que ainda nada sabem o que está por vir. Adultos possuem cascas, grossas lâminas ao redor dos seus corações criadas pela vida, proteções que permitem agüentar infortúnios, mas e as crianças? Esses pequenos seres puros, vulneráveis, frágeis que precisam de proteção para crescer e aprender sobre a vida no seu devido tempo. No devido tempo e não assim, repentinamente e à força.
Dentre tantas imgens que me feriram duas ficaram incrustadas no meu coração. Na primeira imagem, um repórter brasileiro, um ser humano que não fugiu à primeira ameaça, à situação de risco, não pegou o primeiro avião de volta ao seu país de origem e está juntamente com o povo que o acolheu em sua terra para registrar e ajudar o povo a continuar enfrentando a vida. Durante a sua reportagem encontrou duas crianças vasculhando escombros para tentarem encontrar alguma comida para saciarem a fome. Ao serem abordados pelo repórter seus rostos expressaram susto, vergonha, desproteção e terror. Olhares assustados de quem foi pego fazendo algo errado. Duas crianças nítidamente bem tratadas, crianças que há alguns dias suas realidades eram completamente diferentes, protegidas, sem experiências ameaçadoras e naquele momento estavam lutando sózinhos para saciarem a fome, sobreviverem pelo menos naquele instante sem ao menos saberem onde estariam seus pais ou parentes, se estariam vivos ou mortos. O que sentir diante desta imagem? O que discursar diante disso? Culpar quem? A natureza enfurecida? O homem que cada vez mais destrói a natureza? Gritar? Chorar? Tudo isso seria muito pouco.
O repórter brasileiro, um homem experiente que no decorrer da sua profissão, imagino, já teria presenciado muitas coisas tristes parecia desmoronar. Com a voz embargada pediu às crianças que esperassem, correu até o seu van profissional, pegou o seu pouco alimento que possuia e entregou-os.
E neste instante pude ver a outra imagem que me calou profundamente. As duas crianças uma menina e um menino de cabelos negros e escorridos, peles alvas como a neve que os cercava, receberam os pacotes nas suas mãos minúsculas, agradeceram inclinando suas cabeças como fazem os japoneses e sorriram. Sorriram. Um sorriso puro, lindo, um sorriso que salva a nossa alma, um sorriso que aperta o nosso coração, que nos deixa sem ar e nos desconcerta. Crianças que naquele momento de dor profunda, separadas dos seus pais, com frio e fome, ainda conseguiam sorrir diante de uma prova de amor.
O repórter calou-se por alguns instantes e as crianças foram se distanciando protegendo-se um ao outro e mesmo de costas olharam inúmeras vezes para trás, para aquele que acariciou seus corações e que talvez nunca mais veriam, mas com certeza sempre se lembrariam.
segunda-feira, 14 de março de 2011
Caixa mágica musical.
Qual seria o mecanismo que aciona nossas emoções ao disparar a caixa musical interna?
A minha única resposta é:
- Não sei, ainda não descobri.
Resposta simplória e desanimadora? Pois é, mas infelizmente é só o que consigo responder por hora.
Tenho uma coleção de músicas que faz chover a minha alma, sem ao menos saber o porquê.
Seriam as mensaagens que elas transmitem? Não necessáriamente. Muitas vezes bastam apenas melodias.
Quando criança, nos eventos culturais, os professores da escola de língua japonesa, me treinavam, me enfeitavam, me vestiam com o kimono(traje típico japones) e sobre o palco me empurravam em direção ao microfone. Ninguém me consultava se eu gostaria de cantar. Nem ao menos eu tinha o benefício de escolher a música. Para a minha tristeza, geralmente músicas sentimentais e tristes eram destinadas para que eu cantasse.
Do alto do palco, meu coração tremia, sentia no ar a expectativa do público, pares de olhos brilhantes à espera da canção que eu soltaria pela minha garganta. E ela não vinha de imediato, quando aos trancos minha garganta expelia um som, mais parecia uma melodia em som digital com interferência. O que vinha em abundância eram lágrimas que desciam sem parar pela minha bochecha abaixo.
E eu ficava com raiva, muita raiva de mim, o meu sentimento era de:
- Que raiva!, Mais uma vez, não consegui me segurar. Não consigo parar!
A reação da platéia se dividia entre risadas e olhares de piedade, decepção e desaprovação. Pareciam interpretar as minhas lágrimas como lágrimas de uma criança que chorava de timidez, seria apenas mais uma criança passando por uma cena de "mico" num evento escolar.
Me esforçava em não me concentrar no conteúdo da música, mas nada adiantava. Bastava iniciar o fundo musical. Era o suficiente para sangrar meu coração. Estava acionado o meu mecanismo das lágrimas que não estancaria tão facilmente. Nem sempre era o que a letra dizia que me emocionava, a melodia agitava meu coração. Passava a maior vergonha e ao deixar o palco sentia uma enorme frustração e me ressentia dos professores que me convenciam ou melhor, práticamente me obrigavam a cantar incentivando e dizendo o quanto eu cantava bem e que por isso era meu dever representar a escola.
Muitos anos se passaram mas não criei nenhuma resistência quanto a este fato. Não é que eu não goste de cantar, pelo contrário, sinto muito prazer em cantar em casa, sózinha, diante de um aparelho de karaokê.
Porém ainda hoje,quando exercito a minha garganta, muitas músicas conseguem me derrubar. Pior ainda quando a letra da música retrata a mãe, por mais que eu tente não consigo chegar à metade dela sem chorar.Tudo continua o mesmo, amigos e parentes me elogiam e me fazem cantar. As pessoas acham engraçado esta minha falta de controle das emoções musicais e me pressionam a cantar e o meu lado otimista aceita o desafio para conferir se já superei esta minha falta. Verifico constrangida que este interessante fenômeno que a música me proporciona continua bem presente dentro do meu coração.
A minha caixa musical que guardo no meu coração é ainda a mesma desde a minha infância.
A minha única resposta é:
- Não sei, ainda não descobri.
Resposta simplória e desanimadora? Pois é, mas infelizmente é só o que consigo responder por hora.
Tenho uma coleção de músicas que faz chover a minha alma, sem ao menos saber o porquê.
Seriam as mensaagens que elas transmitem? Não necessáriamente. Muitas vezes bastam apenas melodias.
Quando criança, nos eventos culturais, os professores da escola de língua japonesa, me treinavam, me enfeitavam, me vestiam com o kimono(traje típico japones) e sobre o palco me empurravam em direção ao microfone. Ninguém me consultava se eu gostaria de cantar. Nem ao menos eu tinha o benefício de escolher a música. Para a minha tristeza, geralmente músicas sentimentais e tristes eram destinadas para que eu cantasse.
Do alto do palco, meu coração tremia, sentia no ar a expectativa do público, pares de olhos brilhantes à espera da canção que eu soltaria pela minha garganta. E ela não vinha de imediato, quando aos trancos minha garganta expelia um som, mais parecia uma melodia em som digital com interferência. O que vinha em abundância eram lágrimas que desciam sem parar pela minha bochecha abaixo.
E eu ficava com raiva, muita raiva de mim, o meu sentimento era de:
- Que raiva!, Mais uma vez, não consegui me segurar. Não consigo parar!
A reação da platéia se dividia entre risadas e olhares de piedade, decepção e desaprovação. Pareciam interpretar as minhas lágrimas como lágrimas de uma criança que chorava de timidez, seria apenas mais uma criança passando por uma cena de "mico" num evento escolar.
Me esforçava em não me concentrar no conteúdo da música, mas nada adiantava. Bastava iniciar o fundo musical. Era o suficiente para sangrar meu coração. Estava acionado o meu mecanismo das lágrimas que não estancaria tão facilmente. Nem sempre era o que a letra dizia que me emocionava, a melodia agitava meu coração. Passava a maior vergonha e ao deixar o palco sentia uma enorme frustração e me ressentia dos professores que me convenciam ou melhor, práticamente me obrigavam a cantar incentivando e dizendo o quanto eu cantava bem e que por isso era meu dever representar a escola.
Muitos anos se passaram mas não criei nenhuma resistência quanto a este fato. Não é que eu não goste de cantar, pelo contrário, sinto muito prazer em cantar em casa, sózinha, diante de um aparelho de karaokê.
Porém ainda hoje,quando exercito a minha garganta, muitas músicas conseguem me derrubar. Pior ainda quando a letra da música retrata a mãe, por mais que eu tente não consigo chegar à metade dela sem chorar.Tudo continua o mesmo, amigos e parentes me elogiam e me fazem cantar. As pessoas acham engraçado esta minha falta de controle das emoções musicais e me pressionam a cantar e o meu lado otimista aceita o desafio para conferir se já superei esta minha falta. Verifico constrangida que este interessante fenômeno que a música me proporciona continua bem presente dentro do meu coração.
A minha caixa musical que guardo no meu coração é ainda a mesma desde a minha infância.
sábado, 5 de março de 2011
Conviver=Lapidar-se.
Por muitas vezes ouço frases que nos levam ao desânimo tais como:
"Ninguém muda ninguém"
ou ainda
"É ilusão esperar que alguém mude de verdade".Ouvi, uma certa vez, uma piada que assim dizia:
O grande problema de um casal é que diante do altar, quando o casal está prestes a dizer o "Sim" a noiva, olhando para o seu amado noivo, estaria pensando:
- Ah! Agora como esposa dele vou poder mudá-lo, transformá-lo do jeitinho que me agradar.
Por sua vez, o noivo, olhando para a sua amada noiva, estaria pensando:
- Ah! Como minha noiva é bela! Ela nunca irá mudar, será sempre esta pessoa meiga, carinhosa e magra.
É apenas uma piada. Como toda piada, ela retrata com ironia uma situação da vida.
Todos nós sabemos que seja para o melhor ou para o pior o tempo nos transforma, nada permanece igual. Seria a vida como uma loteria? Poderíamos prever como estaremos daqui a alguns anos? Estaríamos amadurecidas e sábias ou talvez quem sabe estaremos mais amargas, descrentes?
Quem sabe estaremos serenas, dóceis e amáveis? É difícil apostarmos por alguma destas opções. Mas podemos sim mantermos alertas e vigilantes para seguir uma direção positiva.
Com um pouquinho de bom senso e sorte podemos nos lapidar, o que nem sempre significa que será para melhor, mas através das vivências e convivências conseguimos absorver o que o próximo tem para nos ensinar ou ainda o que os acontecimentos da vida possam nos inspirar.
Muitas vezes uma pessoa que passa por experiências desastrosas conseguem reunir força e coragem para se reerguer e se tornar uma pessoa melhor, porém também há exemplos de pessoas que infelizmente não conseguem fazer do limão uma limonada deliciosa.
É necessário ter "sorte" para cruzarmos com as pessoas certas que nos comovam e nos transformem em pessoas melhores?
Será necessário estarmos com o coração aberto para enxergarmos no outro o que eles têm de melhor para nos ensinar e acrescentar?
Desde a minha adolescência tenho me empenhado em mudar os aspectos da minha personalidade que tanto me incomodam. Confesso que não é uma tarefa fácil. Muitas vezes temos a ilusão e a falsa sensação de que estamos obtendo êxito, mas diante de algumas situações que fogem do esperado,
tudo que parecia ter conseguido melhorar, voltam à tona e então ficamos arrasadas e frustradas ao constatar que no fundo, lá no fundo, ainda não conseguimos chegar lá.
Então devo me render às duas afirmações acima e aceitar que é impossível mudarmos verdadeiramente e dar por encerrado a nossa tentativa de apararmos as nossas arestas que nos incomodam? Nascemos de um jeito e permaneceremos assim para sempre? E se vivessemos isoladas numa caverna? Mesmo assim imagino que teríamos a capacidade de mudarmos, teríamos tempo suficiente para convivermos conosco mesmo, de nos confrontarmos, assim como fazem os peregrinos que bravamente enfrentam a introspecção durante o "Caminho de Santiago de Compostela".
No decorrer da vida temos a feliz oportunidade de conviver com uma infinidade de seres humanos que muito nos ensinam pelos acertos ou pelos erros deles. É lindo sentirmos a transformação interior nem que seja um passinho muito pequeno. Para isso é necessário olhar, contemplar, admirar, apaixonar-se pelas pessoas, por todos os seres que a vida nos oferece e na convivência inspirarmos neles para nos lapidarmos. Fomos generosamente colocados num planeta cheio de riquezas com muito tempo para desfrutá-las, então o melhor que temos a fazer é aproveitarmos para nos construirmos de tal maneira que a nossa existência valha ter acontecido.
Conviver é lapidar-se, acredito nisso.
Que um dia nós possamos transformar numa linda jóia!
Que um dia nós possamos transformar numa linda jóia!
domingo, 20 de fevereiro de 2011
Entrevista para "Palavra Fiandeira" - Revista Digital Literária.
http://www.palavrafiandeira.blogspot.com/
Tive o prazer de ser entrevistada para "Palavra Fiandeira" - Revista Digital Literária - 56
de 20 de Fevereiro de 2011 do escritor Marciano Vasques.
Convido a todos a conhecerem este Blog com muitas entrevistas interessantes.
Um grande beijo,
Naomy.
quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011
Resignação.
Saudade de escrever, saudade de me expressar!
Como é bom estar de volta!
Não sei bem ao certo se me ensinaram, se me condicionaram ou se foi por uma crença própria que sempre acreditei que deveria me manter longe de certas palavras para não sofrer influência ou ser contaminada.
É como quando nossos pais nos diziam que deveríamos andar longe das "más companhias".
Tenho uma lista delas que me esforço em não pronunciá-las. Resignação é uma destas palavras. Acho que nunca me simpatizei com esta palavra pois o seu significado
parecia representar "entregar os pontos", me render, ser passiva, sem ação, ser perdedora.
A definição do dicionário "Aurélio" diz : Resignação = Renúncia espontânea de uma graça ou cargo. Submissão paciente aos sofrimentos da vida. Exatamente, situação nada promissora.
Todavia, quando vivemos por uns bons anos vamos percebendo que na realidade todas as palavras existentes em nossa linguagem são necessárias às nossas vidas. Graças ao bom Deus vamos aprendendo pela vida que nem sempre é o nosso dia de estar no controle da nossa vida. Nem sempre é o nosso dia de fazer pelos outros, ajudar, há dias que se faz necessário receber, aceitar ajuda.
Enquanto eu aguardava a minha vez de ser atendida na sala de internação, esta palavra pairava a minha cabeça, não de uma maneira negativa, mas de uma forma serena, calma, até carinhosa. Eu estava lá aguardando silenciosamente, acompanhada da pessoa que amo, me entregando resignada aos carinhos e cuidados dos médicos que eu tanto confio para fazer minha vida melhor. Eu nada podia fazer por mim a não ser tentar ser uma boa paciente batalhadora, otimista e obediente.
Meus alunos e amigos ao me desejarem boa sorte na cirurgia perguntaram receosos, lembrando-me dos riscos que eu iria enfrentar:
-Você está com medo?
Evidentemente quem disser que não teme ao se submeter a uma cirurgia, mesmo não sendo grave, estaria mentindo. Porém vale lembrar que viver é arriscado, atravessar uma rua que nem ao menos conhecemos quem são os motoristas é arriscado, entrar numa Agência Bancária é arriscado, hoje, até mesmo passear num Shopping Center é muito arriscado.
Mas topamos entrar neste jogo chamado "Vida", gostamos dela mesmo com todos os riscos!
Há momentos e situações em nossas vidas que é necessário confiar, resignar-se e humildemente receber com gratidão os cuidados necessários para podermos continuar a nossa trajetória, sonhando, produzindo e sendo feliz!
Cada vez que entro num hospital saio com o coração pleno de gratidão e admiração pelos médicos e por todos os profissionais que lá trabalham dedicado suas vidas em cuidar do próximo. Pelo árduo serviço diário que prestam com tanta dedicação e carinho, jamais eu conseguiria acreditar que lá estão pelo salário e sim pelo dom de sentir-se realizado em ajudar o próximo.
Graças à todos eles, à família e amigos, estou de volta aqui inteira, com os meus lápis, papéis, computadores e principalmente, feliz!
Muito obrigada a todos, de coração!
Naomy Kuroda
Como é bom estar de volta!
Não sei bem ao certo se me ensinaram, se me condicionaram ou se foi por uma crença própria que sempre acreditei que deveria me manter longe de certas palavras para não sofrer influência ou ser contaminada.
É como quando nossos pais nos diziam que deveríamos andar longe das "más companhias".
Tenho uma lista delas que me esforço em não pronunciá-las. Resignação é uma destas palavras. Acho que nunca me simpatizei com esta palavra pois o seu significado
parecia representar "entregar os pontos", me render, ser passiva, sem ação, ser perdedora.
A definição do dicionário "Aurélio" diz : Resignação = Renúncia espontânea de uma graça ou cargo. Submissão paciente aos sofrimentos da vida. Exatamente, situação nada promissora.
Todavia, quando vivemos por uns bons anos vamos percebendo que na realidade todas as palavras existentes em nossa linguagem são necessárias às nossas vidas. Graças ao bom Deus vamos aprendendo pela vida que nem sempre é o nosso dia de estar no controle da nossa vida. Nem sempre é o nosso dia de fazer pelos outros, ajudar, há dias que se faz necessário receber, aceitar ajuda.
Enquanto eu aguardava a minha vez de ser atendida na sala de internação, esta palavra pairava a minha cabeça, não de uma maneira negativa, mas de uma forma serena, calma, até carinhosa. Eu estava lá aguardando silenciosamente, acompanhada da pessoa que amo, me entregando resignada aos carinhos e cuidados dos médicos que eu tanto confio para fazer minha vida melhor. Eu nada podia fazer por mim a não ser tentar ser uma boa paciente batalhadora, otimista e obediente.
Meus alunos e amigos ao me desejarem boa sorte na cirurgia perguntaram receosos, lembrando-me dos riscos que eu iria enfrentar:
-Você está com medo?
Evidentemente quem disser que não teme ao se submeter a uma cirurgia, mesmo não sendo grave, estaria mentindo. Porém vale lembrar que viver é arriscado, atravessar uma rua que nem ao menos conhecemos quem são os motoristas é arriscado, entrar numa Agência Bancária é arriscado, hoje, até mesmo passear num Shopping Center é muito arriscado.
Mas topamos entrar neste jogo chamado "Vida", gostamos dela mesmo com todos os riscos!
Há momentos e situações em nossas vidas que é necessário confiar, resignar-se e humildemente receber com gratidão os cuidados necessários para podermos continuar a nossa trajetória, sonhando, produzindo e sendo feliz!
Cada vez que entro num hospital saio com o coração pleno de gratidão e admiração pelos médicos e por todos os profissionais que lá trabalham dedicado suas vidas em cuidar do próximo. Pelo árduo serviço diário que prestam com tanta dedicação e carinho, jamais eu conseguiria acreditar que lá estão pelo salário e sim pelo dom de sentir-se realizado em ajudar o próximo.
Graças à todos eles, à família e amigos, estou de volta aqui inteira, com os meus lápis, papéis, computadores e principalmente, feliz!
Muito obrigada a todos, de coração!
Naomy Kuroda
quarta-feira, 19 de janeiro de 2011
O que você deseja?
O que você deseja?
Quantas mil vezes esta pergunta foi feita em nossa vida por alguém?
Em várias ocasiões esta pergunta fez parte do nosso dia a dia. Num jantar, numa visita, numa loja, num restaurante, no aniversário, em uma infinidade de ocasiões. Mas... quantas vezes fizemos esta pergunta para nós mesmos, sériamente, de mulher para mulher, de homem para homem?
E quando acrescentamos mais uma palavra a esta interrogação:
- O que você deseja para você?
Muitas vezes, não estamos disponíveis para uma conversa destas conosco.
Que tal acrescentarmos mais uma palavra ainda:
- O que você deseja para você, nesta vida?
Vai ficando complicado falarmos disso, afinal precisamos pensar e para pensarmos sobre isso temos que organizar pensamentos, assumir compromissos, fazer promessas e tomar atitudes.
Ficaria mais fácil respondermos.
- Ah!, que conversa é essa? Não tenho tempo para "blá, blá, blá". Tenho muito o que fazer do que jogar conversa fora com você!
Não me chateie!
Deixamos assim o nosso outro "Eu" falando sózinho e adiando resoluções.
Poucas vezes temos esta oportunidade de estar só, ter uma conversa séria conosco, afinal precisa-se de tempo para isso. Tempo? Não, utilizar a falta de tempo como desculpa é uma fuga, um subterfúgio...
Na minha adolescência conversava comigo por longas horas. Refugiava-me sobre a "laje" da minha casa , à noite e sob as estrelas batíamos longos papos sobre a vida, o amor e me sentia encorajada, fortalecida.
Quando adulta vamos assumindo inúmeros compromissos e rolamos pela vida como uma bola de neve. Há algum tempo planejo criar um lugar, um espaço sagrado onde eu possa falar tranquila comigo, aconselhar-me, ouvir-me o que tenho para dizer, confessar minhas fraquezas, confidenciar meus planos e meus sonhos profissionais.
É muito simples e fácil fugir dos questionamentos de terceiros, porém é praticamente impossível fugir dos nossos, embora seja o que mais comumente fazemos. Parece tão simples falarmos conosco mesmo, afinal estamos em um só corpo, sempre juntos. Por que é tão difícil?
É sempre tempo de perguntar:
- A sua vida, está sendo como você quer ou planejou?
Nem sempre tudo que desejamos ou planejamos poderá se tornar realidade, todavia seria de muita consideração para conosco se pudéssemos nos respeitar e tentarmos chegar mais próximo possível dos nossos sonhos.
Muitas vezes seguimos inertes pela vida, à deriva, sendo levada pela situação, pelo mais fácil, pensando que mudar o rumo das coisas daria muito trabalho, seria um luxo, um capricho e que não temos este direito perante os outros.
Passados anos, olhando para trás reconhecemos que tivemos sim, bastante tempo para pensar, para meditar e tomar atitudes se tivéssemos tido coragem de enfrentar as mudanças na vida. Coragem caminha de mãos dadas com "responsabilidade", coragem não é "loucura" ou "leviandade", coragem é assumir posturas e tudo que vem com elas. É por isso que ter coragem é tão difícil.
Este ano quero sentar mais comigo, ser mais minha amiga, ao menos poder conversar um pouco mais comigo, ouvir os meus desejos, meus sonhos não realizados, traçar planos para mudar nem que seja um pouquinho. Rever minhas atitudes que não aprovo e que acabo deixando passar sendo condescendente comigo mesma.. Olhar firme nos meus olhos, me ouvir, entender direito o que desejo e juntas planejarmos como podemos chegar lá.
Quantas mil vezes esta pergunta foi feita em nossa vida por alguém?
Em várias ocasiões esta pergunta fez parte do nosso dia a dia. Num jantar, numa visita, numa loja, num restaurante, no aniversário, em uma infinidade de ocasiões. Mas... quantas vezes fizemos esta pergunta para nós mesmos, sériamente, de mulher para mulher, de homem para homem?
E quando acrescentamos mais uma palavra a esta interrogação:
- O que você deseja para você?
Muitas vezes, não estamos disponíveis para uma conversa destas conosco.
Que tal acrescentarmos mais uma palavra ainda:
- O que você deseja para você, nesta vida?
Vai ficando complicado falarmos disso, afinal precisamos pensar e para pensarmos sobre isso temos que organizar pensamentos, assumir compromissos, fazer promessas e tomar atitudes.
Ficaria mais fácil respondermos.
- Ah!, que conversa é essa? Não tenho tempo para "blá, blá, blá". Tenho muito o que fazer do que jogar conversa fora com você!
Não me chateie!
Deixamos assim o nosso outro "Eu" falando sózinho e adiando resoluções.
Poucas vezes temos esta oportunidade de estar só, ter uma conversa séria conosco, afinal precisa-se de tempo para isso. Tempo? Não, utilizar a falta de tempo como desculpa é uma fuga, um subterfúgio...
Na minha adolescência conversava comigo por longas horas. Refugiava-me sobre a "laje" da minha casa , à noite e sob as estrelas batíamos longos papos sobre a vida, o amor e me sentia encorajada, fortalecida.
Quando adulta vamos assumindo inúmeros compromissos e rolamos pela vida como uma bola de neve. Há algum tempo planejo criar um lugar, um espaço sagrado onde eu possa falar tranquila comigo, aconselhar-me, ouvir-me o que tenho para dizer, confessar minhas fraquezas, confidenciar meus planos e meus sonhos profissionais.
É muito simples e fácil fugir dos questionamentos de terceiros, porém é praticamente impossível fugir dos nossos, embora seja o que mais comumente fazemos. Parece tão simples falarmos conosco mesmo, afinal estamos em um só corpo, sempre juntos. Por que é tão difícil?
É sempre tempo de perguntar:
- A sua vida, está sendo como você quer ou planejou?
Nem sempre tudo que desejamos ou planejamos poderá se tornar realidade, todavia seria de muita consideração para conosco se pudéssemos nos respeitar e tentarmos chegar mais próximo possível dos nossos sonhos.
Muitas vezes seguimos inertes pela vida, à deriva, sendo levada pela situação, pelo mais fácil, pensando que mudar o rumo das coisas daria muito trabalho, seria um luxo, um capricho e que não temos este direito perante os outros.
Passados anos, olhando para trás reconhecemos que tivemos sim, bastante tempo para pensar, para meditar e tomar atitudes se tivéssemos tido coragem de enfrentar as mudanças na vida. Coragem caminha de mãos dadas com "responsabilidade", coragem não é "loucura" ou "leviandade", coragem é assumir posturas e tudo que vem com elas. É por isso que ter coragem é tão difícil.
Este ano quero sentar mais comigo, ser mais minha amiga, ao menos poder conversar um pouco mais comigo, ouvir os meus desejos, meus sonhos não realizados, traçar planos para mudar nem que seja um pouquinho. Rever minhas atitudes que não aprovo e que acabo deixando passar sendo condescendente comigo mesma.. Olhar firme nos meus olhos, me ouvir, entender direito o que desejo e juntas planejarmos como podemos chegar lá.
domingo, 9 de janeiro de 2011
E a festa continua...
Feliz Ano Novo!
De tanto repetir esta frase desejando ao próximo que sejam garantidos felicidade completa por 365 dias, fiquei com a sensação de que a vida é uma eterna festa.
De tanto festejar e deliciar com quitutes, fiquei iludida de que todo dia é dia de comida boa e que pelo menos por estes dias todas aquelas guloseimas não nos acrescentariam pesos extras.
De tanto observar que algumas lojas e escritórios ainda permanecem fechados, fiquei com a impressão de que os feriados ainda continuavam.
Lembrei-me que a minha mãe dizia que os três primeiros dias do ano eram feriados e assim passeávamos por três dias. Não costumávamos viajar, mas nos três dias íamos ao cinema, fazíamos ou recebíamos visitas. Havia na época três cinemas japoneses no bairro da Liberdade. Cine Jóia, Cine Nippon e Cine Niterói. Estava garantido assim, um filme por dia. A família inteira vestida com roupas novas, sapatos novos e apertados, íamos aos matinês. Era um programa tradicional de família e repetimos este ritual até os ultimos suspiros destes cinemas. Hoje percebo que era uma forma de compensar a falta de possibilidade financeira de viajar, passar as férias em hotéis ou pousadas. A seus modos meus pais se esforçavam para ficar junto de nós fornecendo-nos cultura, lazer e companhia. Talvez para muitos seria "um programa careta". Certo ano, já adulta, num destes programas familiares de cinema encontrei um amigo do trabalho, um descolado nissei carioca. Ele estava só e ao me cumprimentar abriu um largo sorriso, todavia ao perceber que eu estava acompanhada de toda a minha família preferiu não se juntar a nós, mesmo convidado. Pareceu surpreso que eu, mesmo sendo adulta, fazia programa com a família inteira.
Me pareceu triste e solitário.
Tenho muitas recordações de infância de "programas de índio" como muitos dizem. Nos Natais íamos apreciar os enfeites de Natal pelas ruas da cidade. Sairmos todos juntos para fazer compras no Mappin, Yaohan(loja de departamentos do Japão que se estabeleceu apenas por alguns anos em São Paulo, no bairro de Pinheiros) e no bairro oriental da Liberdade para comprar revistas de Mangá(HQ do Japão) era um "programão"! Nos feriados, íamos passear no Zoológico, Jardim Botânico, Museu do Ipiranga, Parque do Ibirapuera, Planetário, Butantã, Horto Florestal...
Fazíamos piquenique com tudo que tínhamos direito, enfim, éramos "farofeiros". Na infância, nunca viajamos de avião, nem de navio. Para nós, viajar era irmos de "Fusca" até a cidade de Campinas ou Marília, onde moravam nossos avôs e tios. Não importava, éramos felizes, não havia luxo, porém havia o mais importante, estávamos sempre juntos. Sempre em família.
É...terminaram-se as festas, verifico assustada que os quitutes ficaram devidamente registrados em meu corpo. Acumulam-se os serviços me pressionando e cobrando uma atitude. Bem, vamos lá, é hora de arregaçar as mangas, entrar novamente na dieta e encarar o serviço. Sem problema, a festa continua... Continua agora dentro dos nossos corações, cada sorriso, cada brincadeira dita, cada gargalhada, cada comentário feito nestas ocasiões estão bem guardados dentro de mim e mantêm meu coração aquecido até a próxima festa.
Vamos em frente! Logo vem o Carnaval!
De tanto repetir esta frase desejando ao próximo que sejam garantidos felicidade completa por 365 dias, fiquei com a sensação de que a vida é uma eterna festa.
De tanto festejar e deliciar com quitutes, fiquei iludida de que todo dia é dia de comida boa e que pelo menos por estes dias todas aquelas guloseimas não nos acrescentariam pesos extras.
De tanto observar que algumas lojas e escritórios ainda permanecem fechados, fiquei com a impressão de que os feriados ainda continuavam.
Lembrei-me que a minha mãe dizia que os três primeiros dias do ano eram feriados e assim passeávamos por três dias. Não costumávamos viajar, mas nos três dias íamos ao cinema, fazíamos ou recebíamos visitas. Havia na época três cinemas japoneses no bairro da Liberdade. Cine Jóia, Cine Nippon e Cine Niterói. Estava garantido assim, um filme por dia. A família inteira vestida com roupas novas, sapatos novos e apertados, íamos aos matinês. Era um programa tradicional de família e repetimos este ritual até os ultimos suspiros destes cinemas. Hoje percebo que era uma forma de compensar a falta de possibilidade financeira de viajar, passar as férias em hotéis ou pousadas. A seus modos meus pais se esforçavam para ficar junto de nós fornecendo-nos cultura, lazer e companhia. Talvez para muitos seria "um programa careta". Certo ano, já adulta, num destes programas familiares de cinema encontrei um amigo do trabalho, um descolado nissei carioca. Ele estava só e ao me cumprimentar abriu um largo sorriso, todavia ao perceber que eu estava acompanhada de toda a minha família preferiu não se juntar a nós, mesmo convidado. Pareceu surpreso que eu, mesmo sendo adulta, fazia programa com a família inteira.
Me pareceu triste e solitário.
Tenho muitas recordações de infância de "programas de índio" como muitos dizem. Nos Natais íamos apreciar os enfeites de Natal pelas ruas da cidade. Sairmos todos juntos para fazer compras no Mappin, Yaohan(loja de departamentos do Japão que se estabeleceu apenas por alguns anos em São Paulo, no bairro de Pinheiros) e no bairro oriental da Liberdade para comprar revistas de Mangá(HQ do Japão) era um "programão"! Nos feriados, íamos passear no Zoológico, Jardim Botânico, Museu do Ipiranga, Parque do Ibirapuera, Planetário, Butantã, Horto Florestal...
Fazíamos piquenique com tudo que tínhamos direito, enfim, éramos "farofeiros". Na infância, nunca viajamos de avião, nem de navio. Para nós, viajar era irmos de "Fusca" até a cidade de Campinas ou Marília, onde moravam nossos avôs e tios. Não importava, éramos felizes, não havia luxo, porém havia o mais importante, estávamos sempre juntos. Sempre em família.
É...terminaram-se as festas, verifico assustada que os quitutes ficaram devidamente registrados em meu corpo. Acumulam-se os serviços me pressionando e cobrando uma atitude. Bem, vamos lá, é hora de arregaçar as mangas, entrar novamente na dieta e encarar o serviço. Sem problema, a festa continua... Continua agora dentro dos nossos corações, cada sorriso, cada brincadeira dita, cada gargalhada, cada comentário feito nestas ocasiões estão bem guardados dentro de mim e mantêm meu coração aquecido até a próxima festa.
Vamos em frente! Logo vem o Carnaval!
segunda-feira, 27 de dezembro de 2010
À espera do Ano Novo!
Lentamente, sobre a terra, giramos novamente por trezentos e sessenta e cinco dias e seis horas ao redor do sol.
É impossível deixar de pensar sobre o que fiz durante todos estes dias, horas e minutos neste ano que se finda. Vejo a minha agenda-calendário e verifico que tive uma enorme quantidade de compromissos e obrigações que fui cumprido a cada dia. Constato também satisfeita que este ano além das obrigações me empenhei em agradar também a minha alma. A cada mês vejo lembretes dos dias agendados para assistir a peças teatrais, concertos e exposições que fui ticando a cada evento que contemplei.
Cada um tem a sua maneira de preencher e satisfazer a sua alma. Indo a um bom restaurante, fazendo compras, indo aos salões de belezas, viajando, namorando...
Para mim o que me alimenta, me revigora é apreciar as obras que são frutos do talento e do esforço artístico do ser humano.
Nossos prazeres são mutantes e evoluem juntamente com a nossa maturidade. Na minha infância por exemplo o que me dava um enorme prazer era desenhar, brincar de faz-de-conta, me transformando em professora, médica, enfermeira, desenhista ou estilista. A cada etapa da vida vivemos tão centradas em nossas buscas que muitas vezes deixamos de perceber a quantidade estonteante de dias e horas que caminhamos e respiramos a cada ano.
Na adolescência, não percebi o tempo passar me concentrando na descoberta da paixão, vivendo e registrando meus sentimentos nos meus diários. Na pós-adolescência não reparei o tempo passar me dedicando nos estudos e correndo atrás dos meus sonhos. Conseguir uma vaga numa universidade pública, escolher a minha futura profissão era tudo que importava. A cada consquista fui feliz sentindo que os dias e os anos não haviam sido em vão. Atingindo a maioridade, já formada e empregada a vida se estabilizou, vivi dias, meses e anos de calmaria sem grandes agitações nem emoções, até encontrar um grande amor. Já mais madura me deparei com uma inevitável encruzilhada. Fazer a escolha entre a profissão dita "segura" ou transformar em profissão a minha paixão, o desenho, a ilustração.
Não posso dizer que tenha sido fácil, muito menos que o caminho não tenha sido íngreme e mais uma vez não vi o tempo passar. Sinto que cheguei rápidamente aos dias atuais sem olhar para a contabilidade do tempo. Graças a Deus cada dia, cada ano foi gratificante por tudo que aprendi, pelas pessoas que conheci e principalmente por ter aprendido a me conhecer, saber dos meus limites, da minha garra, de entender como a vida acontece e descobrir a minha real paixão. Aprendi a não ser tão exigente com os outros e principalmente comigo mesma, saber esperar, perceber que não se consegue encerrar tudo que começamos apenas por que o ano se finda, que não podemos nem conseguimos entrar para o novo ano com tudo resolvido, sem pendências e que as coisas não acontecem como gostaríamos e sim como deve ser, cada coisa a seu tempo.
Lembro-me que quando criança, minha mãe, eu e a minha irmã limpávamos toda a casa, arrumávamos tudo, canto por canto até os últimos minutos do último dia do ano para iniciarmos o novo ano com tudo limpo, lavado, passado e novo! No primeiro dia do novo ano estávamos exaustas, contudo começávamos o ano com a sensação de começar do zero, se é que isso é possível. Hoje, tento deixar a vida em ordem até onde consigo, tendo a consciência de que nem sempre o que consigo é tudo que gostaria e que nem por isto sou menos feliz, muito pelo contrário.
Procuro me poupar, ser menos rígida comigo, me permitir ter fôlego, respirar para continuar caminhando tranquila ainda por muitos anos, usufruindo da vida e completando o meu aprendizado.
Entender que o ano é a consequência do anterior e que o ano que se finda passa a ser história para se viver o outro utilizando-se das experiências e recordações acumuladas de todos que vivemos até hoje!
Feliz Ano Novo!
Que o ano de 2011 nos traga muita paz nos nossos corações e os aqueça com muitas alegrias!
Muito obrigada à todas as pessoas que me fazem feliz me cercando de carinho, dedicando-me amor, cuidando de mim, ajudando-me a viver forte com coragem e alegria!
Muito obrigada à todos os leitores e seguidores do meu Blog me emprestando seus olhos e sentimentos para compartilhar os meus!
Desejo intensamente à todos muita sorte, saúde e Amor!
Convido a todos que continuem me visitando em 2011 escrevendo-me as suas apreciações.
Um grande beijo no coração de todos!
Naomy Kuroda.
É impossível deixar de pensar sobre o que fiz durante todos estes dias, horas e minutos neste ano que se finda. Vejo a minha agenda-calendário e verifico que tive uma enorme quantidade de compromissos e obrigações que fui cumprido a cada dia. Constato também satisfeita que este ano além das obrigações me empenhei em agradar também a minha alma. A cada mês vejo lembretes dos dias agendados para assistir a peças teatrais, concertos e exposições que fui ticando a cada evento que contemplei.
Cada um tem a sua maneira de preencher e satisfazer a sua alma. Indo a um bom restaurante, fazendo compras, indo aos salões de belezas, viajando, namorando...
Para mim o que me alimenta, me revigora é apreciar as obras que são frutos do talento e do esforço artístico do ser humano.
Nossos prazeres são mutantes e evoluem juntamente com a nossa maturidade. Na minha infância por exemplo o que me dava um enorme prazer era desenhar, brincar de faz-de-conta, me transformando em professora, médica, enfermeira, desenhista ou estilista. A cada etapa da vida vivemos tão centradas em nossas buscas que muitas vezes deixamos de perceber a quantidade estonteante de dias e horas que caminhamos e respiramos a cada ano.
Na adolescência, não percebi o tempo passar me concentrando na descoberta da paixão, vivendo e registrando meus sentimentos nos meus diários. Na pós-adolescência não reparei o tempo passar me dedicando nos estudos e correndo atrás dos meus sonhos. Conseguir uma vaga numa universidade pública, escolher a minha futura profissão era tudo que importava. A cada consquista fui feliz sentindo que os dias e os anos não haviam sido em vão. Atingindo a maioridade, já formada e empregada a vida se estabilizou, vivi dias, meses e anos de calmaria sem grandes agitações nem emoções, até encontrar um grande amor. Já mais madura me deparei com uma inevitável encruzilhada. Fazer a escolha entre a profissão dita "segura" ou transformar em profissão a minha paixão, o desenho, a ilustração.
Não posso dizer que tenha sido fácil, muito menos que o caminho não tenha sido íngreme e mais uma vez não vi o tempo passar. Sinto que cheguei rápidamente aos dias atuais sem olhar para a contabilidade do tempo. Graças a Deus cada dia, cada ano foi gratificante por tudo que aprendi, pelas pessoas que conheci e principalmente por ter aprendido a me conhecer, saber dos meus limites, da minha garra, de entender como a vida acontece e descobrir a minha real paixão. Aprendi a não ser tão exigente com os outros e principalmente comigo mesma, saber esperar, perceber que não se consegue encerrar tudo que começamos apenas por que o ano se finda, que não podemos nem conseguimos entrar para o novo ano com tudo resolvido, sem pendências e que as coisas não acontecem como gostaríamos e sim como deve ser, cada coisa a seu tempo.
Lembro-me que quando criança, minha mãe, eu e a minha irmã limpávamos toda a casa, arrumávamos tudo, canto por canto até os últimos minutos do último dia do ano para iniciarmos o novo ano com tudo limpo, lavado, passado e novo! No primeiro dia do novo ano estávamos exaustas, contudo começávamos o ano com a sensação de começar do zero, se é que isso é possível. Hoje, tento deixar a vida em ordem até onde consigo, tendo a consciência de que nem sempre o que consigo é tudo que gostaria e que nem por isto sou menos feliz, muito pelo contrário.
Procuro me poupar, ser menos rígida comigo, me permitir ter fôlego, respirar para continuar caminhando tranquila ainda por muitos anos, usufruindo da vida e completando o meu aprendizado.
Entender que o ano é a consequência do anterior e que o ano que se finda passa a ser história para se viver o outro utilizando-se das experiências e recordações acumuladas de todos que vivemos até hoje!
Feliz Ano Novo!
Que o ano de 2011 nos traga muita paz nos nossos corações e os aqueça com muitas alegrias!
Muito obrigada à todas as pessoas que me fazem feliz me cercando de carinho, dedicando-me amor, cuidando de mim, ajudando-me a viver forte com coragem e alegria!
Muito obrigada à todos os leitores e seguidores do meu Blog me emprestando seus olhos e sentimentos para compartilhar os meus!
Desejo intensamente à todos muita sorte, saúde e Amor!
Convido a todos que continuem me visitando em 2011 escrevendo-me as suas apreciações.
Um grande beijo no coração de todos!
Naomy Kuroda.
terça-feira, 21 de dezembro de 2010
Feliz Natal!
- O que é que você quer ganhar de presente no Natal?
Perguntou, o meu amor.
Quando alguém nos dá esta oportunidade e liberdade, nossos olhos giram, giram à procura de algo muito especial. Cheia de ansiedade para aproveitarmos da situação e escolher um presente caro ou alguma coisa que não podemos ganhar no dia-a-dia, acabamos por não chegar à nenhuma conclusão. Muitas coisas passaram pela minha cabeça, mas é claro, não poderia exagerar, pareceria que sou interesseira,
então fiz "um doce".
Com uma voz humilde e delicada respondi:
então fiz "um doce".
Com uma voz humilde e delicada respondi:
- Ah, não sei... não esquenta, tenho tudo que preciso, você!
Aguardei em seguida que ele insistisse na proposta. Cheia de esperança já havia preparado uma resposta, porém sendo ele experiente, astuto e brincalhão disse:
- Ah, não vai querer nada, que bom, então vou comprar algo para mim.
Sorriu se divertindo e esperou minha reação.
Enquanto fazíamos este jogo minha memória convidou-me a entrar na máquina do tempo.
Topei. Viajei, viajei pelo tempo e cheguei à minha infância. Uma época em que ganhávamos presentes apenas nos aniversários e nos Natais. Dia das crianças, nada ganhávamos e na escola cantávamos:
- Criança feliz, feliz a cantar...
http://letras.terra.com.br/turma-do-re-mi/145018
Realmente mesmo sem presentes éramos felizes, muito felizes!http://letras.terra.com.br/turma-do-re-mi/145018
Nos aniversários ganhávamos livros de "Mangá"(HQ japonês). Natais, às vezes brinquedos ou roupas...
A máquina do tempo me conduziu ao tempo em que ainda acreditávamos em Papai Noel. Eu e a minha irmã de pijama e camisola, pendurávamos as nossas meias na janela e nos preocupávamos com o tamanho das nossas meias que eram muito pequenas. Temíamos que os nossos presentes seriam minúsculos como os nossos pés. Havia um outro grande problema: a necessidade de adormecer o quanto antes, do contrário, Papai Noel não nos visitaria e consequentemente não ganharíamos os presentes.
Tentava de todas as formas pegar no sono, contar carneirinho, fechar bem os olhos, mas a ansiedade me deixava totalmente vigilante.
Entrei em desespero, comecei a chorar pedindo socorro para minha irmã:
- Não consigo dormir, o que vamos fazer, o Papai Noel não virá...
Minha irmã, do alto da sua serenidade de irmã mais velha apenas repetia:
- Dorme, dorme quietinha...
Minha irmã, do alto da sua serenidade de irmã mais velha apenas repetia:
- Dorme, dorme quietinha...
Chorei, chorei, cansada, adormeci.
Na manhã seguinte os nossos presentes estavam lá.
Na manhã seguinte os nossos presentes estavam lá.
Não eram grandes, entretanto não estavam dentro das meias, estavam ao lado dos nossos travesseiros.
Comparados aos brinquedos de hoje o nosso presente era tão singelo e de tão singelo, era especial, cheio de amor. Era um brinquedo feito de lata, um boneco sobre uma bicicleta que ao dar corda girava, girava e atrás do seu assento girava também algo como um peão e o seu desenho de redemoinho rodava, rodava e então ficávamos paralizadas contemplando este brinquedo tão lindo! Cada uma com o seu brinquedo nas mãos, sorríamos com o coração cheio de gratidão e felicidade! Hoje, tenho quase certeza de que no fundo percebíamos que eram presentes comprados pelos nossos pais. E sentíamos docemente o carinho deles nos nossos corações.
Tantos presentes lindos e especiais já ganhei até hoje, porém sempre acabo me recordando deste brinquedo que nos foi presenteado numa época de difícil situação financeira, mas que meus pais jamais nos privaram de vivermos a alegria de receber um presente com um pouco de magia, cor e alegria.
sábado, 11 de dezembro de 2010
Sembazuru (1000 tsurus)
"Dedicação", "Perseverança", "Generosidade", "Carinho" e "Amor".
Acredito que 1000 tsurus de origami representam lindamente estas palavras.
"Tsuru", palavra de origem japonesa que significa ave aquática "grou".
Tsuru também é o simbolo da arte do Origami japonês. Origami, arte da dobradura (ori= dobrar e kami=papel / Kami escrita em outro ideograma significa Deus) onde tsuru é a representação da saúde, felicidade e sorte. Diz-se no Japão que ao dobrar 1000 tsurus desejando ao próximo saúde, felicidade e boa sorte a cada dobra, o pedido será atendido.
Para uma breve história sobre esta arte e o seu significado: www.portalsaofrancisco.com.br/alfa/origami/origami-3.php.
Na sala da minha casa tenho o prazer de contemplar diáriamente um lindo móbile com 1000 tsurus fruto de um amor sincero de uma pessoa que entrou na minha vida através de um outro amor, do meu irmão por ela.
Minha cunhada, esposa do meu irmão, mãe dos meus dois amados sobrinhos. Uma irmãzinha querida, minha amiga de risadas, brigas, lágrimas, fofocas, mas principalmente de uma amizade sincera e verdadeira. Dedicar algo a alguém é muito fácil quando compramos e presenteamos. Presentearmos alguém com algo que confeccionamos é outro sabor, outro amor e outro empenho. Há alguns anos, num momento difícil da minha vida, recebi um grande pacote de presente num dia que não era meu aniversário nem dia de Natal. Minha cunhada me entregou o pacote sem nada dizer. Sem entender nada ao abrí-lo e perceber que se tratava de "Sembazuru" confeccionado e dedicado a mim, lágrimas subiram em golfadas do meu coração, nada consegui falar. "Arigatou" (muito obrigada em japonês), única palavra que saiu da minha boca entre soluços, expressava todo meu sentimento de gratidão pela sua amizade sincera e amor que ela dedicava a mim, assim como o meu sentimento de felicidade pela existência de uma pessoa que torcia por mim e dizia através dos tsurus, "Nós te amamos". A cada intervalo dos seus afazeres, que não são nada poucos, ela havia dobrado 1000 micro tsurus me desejando saúde, felicidade e boa sorte a cada dobra.
Diáriamente frequentava a casa dela, nunca havia percebido nem rastro do que ela estava confeccionando para mim. Meus sobrinhos, tão pequenos ainda, souberam manter-se firmes no silêncio para fazer a surpresa para tia. Confeccionar 1000 micro tsurus de origami em tão pouco tempo cuidando dos seus dois filhos, marido e agenda cheia, só com muita dedicação, perseverança, generosidade, carinho e amor.
Tenho uma imensa gratidão e orgulho desta irmãzinha que faz parte da minha vida me fortalecendo e me ensinando que amor não precisa ser anunciado, apenas dedicado e sentido. São estes gestos que concretizam a existência de um sentimento, não palpável em absolutamente real.
Mais um Natal está para chegar.
Natal, aniversário do menino Jesus.
Jesus que nos ensina a amar, perdoar, agradecer, encontrarmos o único e grande propósito da vida que está muito longe dos shoppings centers e das comilanças.
AMOR, o grande e único propósito da vida.
Acredito que 1000 tsurus de origami representam lindamente estas palavras.
"Tsuru", palavra de origem japonesa que significa ave aquática "grou".
Tsuru também é o simbolo da arte do Origami japonês. Origami, arte da dobradura (ori= dobrar e kami=papel / Kami escrita em outro ideograma significa Deus) onde tsuru é a representação da saúde, felicidade e sorte. Diz-se no Japão que ao dobrar 1000 tsurus desejando ao próximo saúde, felicidade e boa sorte a cada dobra, o pedido será atendido.
Para uma breve história sobre esta arte e o seu significado: www.portalsaofrancisco.com.br/alfa/origami/origami-3.php.
Na sala da minha casa tenho o prazer de contemplar diáriamente um lindo móbile com 1000 tsurus fruto de um amor sincero de uma pessoa que entrou na minha vida através de um outro amor, do meu irmão por ela.
Minha cunhada, esposa do meu irmão, mãe dos meus dois amados sobrinhos. Uma irmãzinha querida, minha amiga de risadas, brigas, lágrimas, fofocas, mas principalmente de uma amizade sincera e verdadeira. Dedicar algo a alguém é muito fácil quando compramos e presenteamos. Presentearmos alguém com algo que confeccionamos é outro sabor, outro amor e outro empenho. Há alguns anos, num momento difícil da minha vida, recebi um grande pacote de presente num dia que não era meu aniversário nem dia de Natal. Minha cunhada me entregou o pacote sem nada dizer. Sem entender nada ao abrí-lo e perceber que se tratava de "Sembazuru" confeccionado e dedicado a mim, lágrimas subiram em golfadas do meu coração, nada consegui falar. "Arigatou" (muito obrigada em japonês), única palavra que saiu da minha boca entre soluços, expressava todo meu sentimento de gratidão pela sua amizade sincera e amor que ela dedicava a mim, assim como o meu sentimento de felicidade pela existência de uma pessoa que torcia por mim e dizia através dos tsurus, "Nós te amamos". A cada intervalo dos seus afazeres, que não são nada poucos, ela havia dobrado 1000 micro tsurus me desejando saúde, felicidade e boa sorte a cada dobra.
Diáriamente frequentava a casa dela, nunca havia percebido nem rastro do que ela estava confeccionando para mim. Meus sobrinhos, tão pequenos ainda, souberam manter-se firmes no silêncio para fazer a surpresa para tia. Confeccionar 1000 micro tsurus de origami em tão pouco tempo cuidando dos seus dois filhos, marido e agenda cheia, só com muita dedicação, perseverança, generosidade, carinho e amor.
Tenho uma imensa gratidão e orgulho desta irmãzinha que faz parte da minha vida me fortalecendo e me ensinando que amor não precisa ser anunciado, apenas dedicado e sentido. São estes gestos que concretizam a existência de um sentimento, não palpável em absolutamente real.
Mais um Natal está para chegar.
Natal, aniversário do menino Jesus.
Jesus que nos ensina a amar, perdoar, agradecer, encontrarmos o único e grande propósito da vida que está muito longe dos shoppings centers e das comilanças.
AMOR, o grande e único propósito da vida.
sexta-feira, 19 de novembro de 2010
Rejeição.
Algumas palavras e os seus significados bloqueiam e dificultam as nossas vidas.
Tenho certeza, Deus nada criou que não seja necessário para o nosso aprendizado e crescimento.
Mas este aprendizado nem sempre é rápido e muito menos indolor.
Rejeição é uma delas. Muitas dificuldades, sofrimentos e problemas com a nossa auto-estima perderiam a sua noscividade se a palavra "rejeição" desaparecesse dos nossos sentimentos. Contudo, ela existe, sofremos, mas com algum esforço superamos. Sózinhos ou com a ajuda de terceiros, profissionais ou não, vamos entendendo o mecanismo da rejeição para então tornarmos fortes e inabaláveis.
Ao receber telefonemas de candidatos a se tornarem alunos de desenho sempre costumo perguntar se já desenham. Praticamente cem porcento das pessoas que estão do outro lado da linha, respondem com evasivas. Mesmo aquelas pessoas que depois ao primeiro contato vejo que são desenhistas experientes, nunca respondem afirmativamente.
Presumo que isso seja a humildade dos artistas, porém até mesmo pela minha própria experiência, sei que ao afirmarmos que somos desenhistas tememos saber a reação das pessoas ao apresentarmos os trabalhos. Medo de decepcionar e da rejeição através das críticas.
Pior ainda é o medo da própria rejeição. Muitas vezes quando estou diante de um papel, ao dar o primeiro traço sinto um certo friozinho na barriga, uma ansiedade, uma preocupação se algum traço feio, mal feito se espalhará sobre o imaculado papel. Medo de me decepcionar com o meu próprio traço. E quando a expectativa é sanada com sucesso, até sorrio feliz. Que coisa estranha e ao mesmo tempo complicada.
Tive um professor, grande aquarelista, que se negava a pintar rodeado pelos alunos, pois ele dizia que os alunos costumavam superestimar o professor imaginando que o artista é uma máquina de fazer arte, não percebiam que o artista tem os seus dias de inspiração e não. E aquele dia poderia ser justamente um dia ruim. A obra nem sempre é aquele trabalho que saiu na primeira pincelada, pode até acontecer, mas também poderá ser o último de uma montanha de trabalhos descartados. Ele dizia que não seria justo ser alvo de um julgamento e crítica dos alunos, por apenas um dia ruim.
Em todas as profissões o fantasma da rejeição é sempre um temor difícil de ser superado.
Atores, modelos e muitos outros profissionais precisam conviver diáriamente com a rejeição. No relacionamento amoroso, familiar, a cada dia convive-se com amor, mas também com a rejeição. É preciso aprender a não se machucar a cada novo contato com a dita cuja. Não é fácil.
Uma certa vez ajudei uma amiga a divulgar o seu curso de idiomas. Distribui panfletos na avenida Paulista! Avenida Paulista, uma grande avenida comercial, empresarial onde um número incalculável de pessoas transitam muito apressadamente. Isto foi para mim um desafio e um grande exercício de humildade e coragem. Não existe nada mais difícil do que tentar interromper os passos de uma enxurrada de pessoas que transitam pelas ruas apressadíssimas e ao entregar o panfleto, ser bruscamente rejeitada. É um exercício e tanto para se acostumar com a rejeição. A grande maioria das pessoas olhavam feio com uma certa irritação, outras simplesmente não nos enxergavam, nos ignoravam. No entanto, existiram aquelas pessoas que delicadamente aceitaram, sorriram e até agradeceram. Era o instante que nos apaziguava o coração. Depois desta minha experiência, ao passar pelas pessoas que distribuem propagandas e panfletos nas ruas, aceito e agradeço com um sorriso pois sei como isto faz a diferença. É um trabalhador que está o dia todo na rua, sob o sol forte para garantir o seu sustento. No meu caso, mesmo sendo com o propósito de colaborar com uma grande amiga, foi uma experiência nada fácil.
A rejeição existe por todos os cantos, a todos os instantes, mas com entendimento e compreensão do outro e com um pouquinho de boa vontade poderemos atenuar algumas pontadas no coração que ela provoca.
Aceitamos ou tentamos aceitar com serenidade que aquele "Não!" não é nada pessoal, não é pelo que somos. É apenas o resultado de uma opção entre o "Sim" e o "Não". E sem o ponto de exclamação.
Tenho certeza, Deus nada criou que não seja necessário para o nosso aprendizado e crescimento.
Mas este aprendizado nem sempre é rápido e muito menos indolor.
Rejeição é uma delas. Muitas dificuldades, sofrimentos e problemas com a nossa auto-estima perderiam a sua noscividade se a palavra "rejeição" desaparecesse dos nossos sentimentos. Contudo, ela existe, sofremos, mas com algum esforço superamos. Sózinhos ou com a ajuda de terceiros, profissionais ou não, vamos entendendo o mecanismo da rejeição para então tornarmos fortes e inabaláveis.
Ao receber telefonemas de candidatos a se tornarem alunos de desenho sempre costumo perguntar se já desenham. Praticamente cem porcento das pessoas que estão do outro lado da linha, respondem com evasivas. Mesmo aquelas pessoas que depois ao primeiro contato vejo que são desenhistas experientes, nunca respondem afirmativamente.
Presumo que isso seja a humildade dos artistas, porém até mesmo pela minha própria experiência, sei que ao afirmarmos que somos desenhistas tememos saber a reação das pessoas ao apresentarmos os trabalhos. Medo de decepcionar e da rejeição através das críticas.
Pior ainda é o medo da própria rejeição. Muitas vezes quando estou diante de um papel, ao dar o primeiro traço sinto um certo friozinho na barriga, uma ansiedade, uma preocupação se algum traço feio, mal feito se espalhará sobre o imaculado papel. Medo de me decepcionar com o meu próprio traço. E quando a expectativa é sanada com sucesso, até sorrio feliz. Que coisa estranha e ao mesmo tempo complicada.
Tive um professor, grande aquarelista, que se negava a pintar rodeado pelos alunos, pois ele dizia que os alunos costumavam superestimar o professor imaginando que o artista é uma máquina de fazer arte, não percebiam que o artista tem os seus dias de inspiração e não. E aquele dia poderia ser justamente um dia ruim. A obra nem sempre é aquele trabalho que saiu na primeira pincelada, pode até acontecer, mas também poderá ser o último de uma montanha de trabalhos descartados. Ele dizia que não seria justo ser alvo de um julgamento e crítica dos alunos, por apenas um dia ruim.
Em todas as profissões o fantasma da rejeição é sempre um temor difícil de ser superado.
Atores, modelos e muitos outros profissionais precisam conviver diáriamente com a rejeição. No relacionamento amoroso, familiar, a cada dia convive-se com amor, mas também com a rejeição. É preciso aprender a não se machucar a cada novo contato com a dita cuja. Não é fácil.
Uma certa vez ajudei uma amiga a divulgar o seu curso de idiomas. Distribui panfletos na avenida Paulista! Avenida Paulista, uma grande avenida comercial, empresarial onde um número incalculável de pessoas transitam muito apressadamente. Isto foi para mim um desafio e um grande exercício de humildade e coragem. Não existe nada mais difícil do que tentar interromper os passos de uma enxurrada de pessoas que transitam pelas ruas apressadíssimas e ao entregar o panfleto, ser bruscamente rejeitada. É um exercício e tanto para se acostumar com a rejeição. A grande maioria das pessoas olhavam feio com uma certa irritação, outras simplesmente não nos enxergavam, nos ignoravam. No entanto, existiram aquelas pessoas que delicadamente aceitaram, sorriram e até agradeceram. Era o instante que nos apaziguava o coração. Depois desta minha experiência, ao passar pelas pessoas que distribuem propagandas e panfletos nas ruas, aceito e agradeço com um sorriso pois sei como isto faz a diferença. É um trabalhador que está o dia todo na rua, sob o sol forte para garantir o seu sustento. No meu caso, mesmo sendo com o propósito de colaborar com uma grande amiga, foi uma experiência nada fácil.
A rejeição existe por todos os cantos, a todos os instantes, mas com entendimento e compreensão do outro e com um pouquinho de boa vontade poderemos atenuar algumas pontadas no coração que ela provoca.
Aceitamos ou tentamos aceitar com serenidade que aquele "Não!" não é nada pessoal, não é pelo que somos. É apenas o resultado de uma opção entre o "Sim" e o "Não". E sem o ponto de exclamação.
quarta-feira, 10 de novembro de 2010
Essencial.
- Naomy, o que é "essencial" na sua existência?
Uma querida amiga, não, querida é muito pouco, uma grande amiga, uma amiga verdadeira, uma irmã, daquelas pouquíssimas jóias preciosas que temos em toda a nossa vida, me perguntou, de repente.
Fiquei por um instante exitante, afinal temos tantas coisas essenciais na vida. Ela me ajudou.
- O que ou para o que você acharia que valeu e vale a pena viver?
E mais uma vez muitas coisas passaram pela minha cabeça.
Tantas coisas fazem a nossa vida valer a pena!
Família, conhecer pessoas, ensinar, doar-se, amizades... amar!
Ah! como vale a pena amar e ser amada, dar carinho e receber carinho, cuidar e ser cuidada!
Ela me ajudou mais ainda para organizar meus pensamentos e direcionar a uma única resposta.
- O que seria o marco da sua existência?
Então não tive dúvidas!
- Ah! O desenho! Ele me dá identidade, me faz sentir que existo, me anima e me ensina a lutar.
Só eu consigo sentir a dimensão da palpitação que sinto a cada nova proposta, o frescor de cada novo desafio e a gratidão que sinto a cada nova oportunidade.
Eu me pergunto:
-Se eu ganhasse uma fortuna na loteria nunca mais desenharia? Passaria o resto dos meus dias em alguma praia, esticada sobre uma toalha na areia, tomando um suco? Jogaria todos os meus materiais de desenho pela janela a fora?
-Com certeza, não! Pois desenhar é o que faço desde que me conheço por gente, desde que nada sabia sobre valores materiais, apenas pelo prazer de criar e colorir o meu mundo. Evidentemente seria uma pessoa menos preocupada com as contas no final do mês, contudo mesmo milionária desenharia sim e de preferência, para algum livro. Sentiria a mesma palpitação a cada novo texto, seria a mesma Naomy que encontraria satisfação ao transformar em imagens cada cena, cada sentimento. Isto sim é impagável.
É realmente algo essencial, independentemente de ser um bom desenho ou não é o caminho que me possibilita externar como recebo e sinto a vida. É algo que faço nos momentos felizes, infelizes, difíceis e fáceis por que é o que me acalma, me interioriza, faz meu coração bater mais forte e me possibilita renascer!
Uma querida amiga, não, querida é muito pouco, uma grande amiga, uma amiga verdadeira, uma irmã, daquelas pouquíssimas jóias preciosas que temos em toda a nossa vida, me perguntou, de repente.
Fiquei por um instante exitante, afinal temos tantas coisas essenciais na vida. Ela me ajudou.
- O que ou para o que você acharia que valeu e vale a pena viver?
E mais uma vez muitas coisas passaram pela minha cabeça.
Tantas coisas fazem a nossa vida valer a pena!
Família, conhecer pessoas, ensinar, doar-se, amizades... amar!
Ah! como vale a pena amar e ser amada, dar carinho e receber carinho, cuidar e ser cuidada!
Ela me ajudou mais ainda para organizar meus pensamentos e direcionar a uma única resposta.
- O que seria o marco da sua existência?
Então não tive dúvidas!
- Ah! O desenho! Ele me dá identidade, me faz sentir que existo, me anima e me ensina a lutar.
Só eu consigo sentir a dimensão da palpitação que sinto a cada nova proposta, o frescor de cada novo desafio e a gratidão que sinto a cada nova oportunidade.
Eu me pergunto:
-Se eu ganhasse uma fortuna na loteria nunca mais desenharia? Passaria o resto dos meus dias em alguma praia, esticada sobre uma toalha na areia, tomando um suco? Jogaria todos os meus materiais de desenho pela janela a fora?
-Com certeza, não! Pois desenhar é o que faço desde que me conheço por gente, desde que nada sabia sobre valores materiais, apenas pelo prazer de criar e colorir o meu mundo. Evidentemente seria uma pessoa menos preocupada com as contas no final do mês, contudo mesmo milionária desenharia sim e de preferência, para algum livro. Sentiria a mesma palpitação a cada novo texto, seria a mesma Naomy que encontraria satisfação ao transformar em imagens cada cena, cada sentimento. Isto sim é impagável.
É realmente algo essencial, independentemente de ser um bom desenho ou não é o caminho que me possibilita externar como recebo e sinto a vida. É algo que faço nos momentos felizes, infelizes, difíceis e fáceis por que é o que me acalma, me interioriza, faz meu coração bater mais forte e me possibilita renascer!
quarta-feira, 3 de novembro de 2010
Página do Ilustrador - AEILIJ Paulista
http://www.aeilijpaulista.blogspot.com/
A convite do ilustrador Danilo Macedo Marques e da escritora Regina Sormani tenho o prazer de apresentar os meus trabalhos na "Página do Ilustrador - Edição 10 - Novembro/2010" do AEILIJ- Paulista(Associação dos Escritores e Ilustradores de Literatura Infantil e Juvenil do Estado de São Paulo).
Danilo Macedo Marques - http://www.danilomarques.com.br/
Regina Sormani - http://www.vivaolivroinfantil.blogspot.com/
Convido a todos para que façam uma visita!
Muito obrigada,
Naomy Kuroda
A convite do ilustrador Danilo Macedo Marques e da escritora Regina Sormani tenho o prazer de apresentar os meus trabalhos na "Página do Ilustrador - Edição 10 - Novembro/2010" do AEILIJ- Paulista(Associação dos Escritores e Ilustradores de Literatura Infantil e Juvenil do Estado de São Paulo).
Danilo Macedo Marques - http://www.danilomarques.com.br/
Regina Sormani - http://www.vivaolivroinfantil.blogspot.com/
Convido a todos para que façam uma visita!
Muito obrigada,
Naomy Kuroda
domingo, 24 de outubro de 2010
As melhores coisas do mundo.
Assistindo ao filme "As melhores coisas do mundo" de Lais Bodanzky refleti sobre vários temas da vida e do comportamento humano.
Em primeiro lugar, me atingiu profundamente a idéia do preconceito, pré-julgamento, que por mais que pensamos estar imunes, não estamos. Inicialmente fiquei muito surpresa ao constatar que os jovens adolescentes que considero livres, modernos e inovadores também carregam dentro de si ideologias conservadoras e preconceituosas e ao mesmo tempo são vítimas delas. Alvos também do inconsciente coletivo, discriminação e do julgamento banal de comportamentos alheios. E no meio disso tudo eles precisam sobreviver sem saber o caminho que devem seguir, como entender seus próprios sentimentos, sem orientação pois os adultos também vivem sem certezas sem definições das idéias, dos próprios sentimentos e como devem se comportar para não sofrerem acusações de reacionários e antiquados. Pensando nisso tudo também fiquei muito surpresa com o meu próprio pré-julgamento que me faz pensar que os jovens de hoje são livres, modernos e inovadores, como se fosse mais fácil e simples ser adolescente nos dias de hoje. O que me faz pensar que eles sejam tão diferentes do adolescente que um dia fui? São apenas jovens que foram gerados e criados pelos adultos de hoje, adolescentes de ontem. Jovens que precisam conviver no seu cotidiano com a banalização dos segredos íntimos, bulying, preconceitos sobre as opções sexuais, descoberta dos próprios sentimentos e a necessidade de encontrar o seu próprio "eu" no meio deste turbilhão de emoções.
É muito interessante quando o personagem principal diz que não teria preconceito de nada se acontecesse a mesma situação com outra pessoa, o problema é que a situação é com ele.
Quando não estamos sendo alvos de uma situação constrangedora podemos dizer elegantemente que somos liberais, sem preconceitos. Tudo isso faz com que precisemos refletir sobre as nossas condutas morais e comportamentais.
Mas "a melhor coisa do mundo" é a constatação de que todos somos iguais, com as mesmas fragilidades, emoções, e ainda, o melhor é constatarmos que ninguém é melhor do que ninguém e que sempre precisamos um do outro. O mais importante é a compreensão e o amor sem julgamentos.
Os jovens atores que, sob a direção maravilhosa da Laís Bodanzky, dão o recado com as suas ótimas atuações nos alegra prometendo o futuro cada vez melhor ao filme nacional.
sexta-feira, 15 de outubro de 2010
Feliz Dia dos Professores! - Feliz Dia dos Médicos!
Vivemos as nossas vidas amparadas por várias e caras pessoas.
Estamos aqui bem vivos, saudáveis, criando e produzindo graças ao amor e dedicação de um número incalculável de pessoas!
Inicialmente duas pessoas foram responsáveis para nos trazer ao mundo. Nossos pais nos geraram, nos amaram, nos criaram e educaram com a ajuda de uma infinidade de pessoas.Estamos aqui bem vivos, saudáveis, criando e produzindo graças ao amor e dedicação de um número incalculável de pessoas!
Nascemos e vivemos no mundo em que, de tão maravilhoso, ninguém quer partir. Por que sentimos este mundo tão maravilhoso? Por que temos tanto apego à vida?
A minha resposta seria : "Porque é nela que existe o que há de mais encantador e de mais sedutor!"
A beleza! A beleza da natureza, da arte, do ser humano, da amizade, da doação, da generosidade, do amar e ser amado. Enfim, tudo que se frutifica a partir do encontro de pessoas, de animais e da natureza.
Por tudo isso adoramos estar vivos neste mundo!
Passado o Dia das Crianças nos deparamos com o Dia do Professor (Dia 15/10)e em seguida com o Dia do Médico(Dia 18/10).
Seria quase impossível enumerarmos a enorme quantidade de professores que nos ajudaram na construção da nossa formação cultural, intelectual e até pessoal. Alguns professores mais especiais guardamos para sempre na nossa memória, com muito carinho.
A minha primeira professora, do primeiro ano primário,( não cursei o pré-primário) foi uma pessoa inesquecívelmente especial, tamanho era o seu carinho, dedicação e amor pelos alunos. Lembro-me perfeitamente até do seu perfume, da sua elegância clássica e discreta, do seu sorriso amoroso e guardo comigo no meu álbum de recordações as suas belas letras escritas com uma caneta tinteiro onde me dedica uma poesia infantil muito graciosa. Penso que fui muito feliz ao ser acolhida na primeira escola da minha vida por uma pessoa tão cheia de amor e carinho.
Sinto que conhecer pessoas maravilhosas na infância pode ser determinate para a nossa formação assim como o contrário, a infelicidade de cruzarmos pelo nosso caminho pessoas amargas podem nos deixar rastros de amargura também. Nunca ganhei nenhum prêmio na loteria, mas para compensar-me Deus sempre cercou-me de pessoas muito especiais que cuidam, ensinam e dedicam muito amor e amizade por mim.
Estamos a alguns dias do Dia do Médico. No decorrer da minha vida desde a minha infância passei por alguns sustos em matéria de saúde, todavia sempre tive a providência divina a meu favor me fazendo ir ao encontro de médicos competentes e principalmente muito humanos. A cada encontro com eles aprendo a admirá-los profundamente e sinto no coração o significado das palavras dedicação humana e amor ao próximo.
Pessoas que se dedicam em cuidar do próximo, muitas vezes sacrificando sua juventude, suas vidas com o único objetivo de salvar e recuperar as nossas.
Graças a estas pessoas estamos aqui vivas, fortes e saudáveis para aproveitar cada dia, cada segundo de tudo que nos seduz!
Feliz Dia do Professor!
Feliz Dia do Médico!
Muito obrigada!
terça-feira, 12 de outubro de 2010
Feliz Dia de Todos Nós!
Feliz Dia das Crianças! ...A nossa criança interna e eterna!
Tomo a liberdade de iniciar esta postagem com esta frase gentilmente enviada por um anônimo como um comentário referente à minha postagem anterior "Preencher a vida".
Hoje é Dia das Crianças!
Crianças, seres puros e límpidos como a água, inocentes e também tão sábios!
Sábios, pois sabem viver, são felizes pois são livres de preconceitos, hipocrisias, falsidades e manipulações. Vivem aproveitando cada segundo do dia, tudo que a vida, a natureza nos presenteia de mais maravilhoso. Sabem contemplar uma formiga que se esconde entre as folhas do jardim, percebem as flores que desabrocham, o desenho que a nuvem pinta sobre o céu, a música que a chuva compõe ao cair sobre o telhado. Sorriem com a careta, sorriem com o "pum", sorriem com tudo que faz barulho e que os adultos
enrugam suas testas.
Quando estou com elas sinto como é fácil ser feliz, como é simples viver!
Por que complicamos tanto a vida? Em qual manual estaria escrito que para ser adulto temos que ser sérios,
sempre ocupados, ler livros difíceis e pesados, não gostar de guloseimas, não chorar por qualquer coisa, saber suportar e não dar trabalhos para os outros?
Já fomos crianças e sabemos como é divino ser criança!
É como andar de bicicleta, jamais esqueceremos.
Evidentemente que não voltaremos a usar babador e fraldas, nem bateremos as pernas no chão quando queremos algo, mas por que não recuperarmos ou acordarmos um pouco da criança que um dia fomos?
Aquela criança que empacotamos e guardamos no porão da nossa vida e que está ávida para ser lembrada.
A criança que sorria muito, que conversava com todos, que tinha a curiosidade acentuada, que acreditava
na vida, na magia, na fantasia, nas pessoas, não via problema em se sentar no chão, em se sujar com a terra, cantar alto, enfim, ser livre e feliz a cada sopro de vida!
Feliz Dia de Todos Nós, crianças que fomos e sempre seremos!
Tomo a liberdade de iniciar esta postagem com esta frase gentilmente enviada por um anônimo como um comentário referente à minha postagem anterior "Preencher a vida".
Hoje é Dia das Crianças!
Crianças, seres puros e límpidos como a água, inocentes e também tão sábios!
Sábios, pois sabem viver, são felizes pois são livres de preconceitos, hipocrisias, falsidades e manipulações. Vivem aproveitando cada segundo do dia, tudo que a vida, a natureza nos presenteia de mais maravilhoso. Sabem contemplar uma formiga que se esconde entre as folhas do jardim, percebem as flores que desabrocham, o desenho que a nuvem pinta sobre o céu, a música que a chuva compõe ao cair sobre o telhado. Sorriem com a careta, sorriem com o "pum", sorriem com tudo que faz barulho e que os adultos
enrugam suas testas.
Quando estou com elas sinto como é fácil ser feliz, como é simples viver!
Por que complicamos tanto a vida? Em qual manual estaria escrito que para ser adulto temos que ser sérios,
sempre ocupados, ler livros difíceis e pesados, não gostar de guloseimas, não chorar por qualquer coisa, saber suportar e não dar trabalhos para os outros?
Já fomos crianças e sabemos como é divino ser criança!
É como andar de bicicleta, jamais esqueceremos.
Evidentemente que não voltaremos a usar babador e fraldas, nem bateremos as pernas no chão quando queremos algo, mas por que não recuperarmos ou acordarmos um pouco da criança que um dia fomos?
Aquela criança que empacotamos e guardamos no porão da nossa vida e que está ávida para ser lembrada.
A criança que sorria muito, que conversava com todos, que tinha a curiosidade acentuada, que acreditava
na vida, na magia, na fantasia, nas pessoas, não via problema em se sentar no chão, em se sujar com a terra, cantar alto, enfim, ser livre e feliz a cada sopro de vida!
Feliz Dia de Todos Nós, crianças que fomos e sempre seremos!
domingo, 10 de outubro de 2010
Preencher a Vida.
Um grande papel alvo.
De tão alvo me assusta e me desafia.
O que vou desenhar?
Com quais cores vou preenchê-lo?
Puxando o fio da meada da vida lembrei-me que quando criança, nada disso me assustava, pelo contrário, quanto mais branco, quanto mais espaço eu tivesse para preenchê-lo com desenhos me animava.
Seria o descomprometimento com o resultado, a falta de responsabilidade sobre a arte final?
Nesta manhã um tanto cinza, um tanto fria, diante do papel branco me encarando resolvi fazer uma
volta ao meu passado.
Me ví deitada no chão, de bruços, sobre o chão de tacos pequenos, alguns soltos que me incomodavam na barriga. Nada disso importava, a mesa era pequena demais para desenhar. A minha blusa que ficava suja nos cotovelos e na barriga em contato com o chão não importava, eu só queria desenhar.
Desenhar simplesmente! Simplesmente me fazer feliz.
O que me instigava era a certeza de que eu poderia construir o meu mundo de faz de conta com as minhas próprias mãos, apenas com a ajuda do lápis e papel. Um mundo só meu, onde seria tudo que eu quisesse!
Eu era a princesa, era bonita, era boazinha, era alta, magra, rica e um principe a me cortejar.
Enquanto ia desenhando também ia falando alto as falas de cada personagem, precisava me desdobrar!
Empostar a voz nas falas do príncipe, afinar a voz nas falas da princesa e assim meu dia acabava rapidinho
juntamente com os papéis e os lápis. O papel era um grande problema. Numa época em que não tínhamos condições de comprar sulfites muito menos cadernos de desenhos que não fossem para serem usados na escola. Mas existiam os papéis de embrulhos que eram acirradamente disputados entre mim e minha irmã.
Todos os papéis que entravam na casa eram desamassados e divididos igualmente para as duas, milímetro por milímetro. E assim éramos plenas e felizes! Hoje contemplo com alegria meus sobrinhos empilhando cadernos e cadernos de desenhos com as folhas preenchidas com arte, liberdade e criatividade.
E com que perfeição, dedicação representam o mundo real e o imaginários deles! Parece que nasceram outro dia mas sabem representar perfeitamente, através dos desenhos, a vida que imaginam, sentem e vêem.
Desenhar, preencher um papel alvo e intocável é como viver, pensei.
Quando crianças nada tememos, se errarmos, fazemos de novo ou não erramos pois não tememos.
Crianças sabem viver, sabem aproveitar cada minuto do dia e sabem amar a vida com maestria.
E elas nos ensinam muito. Ensinam que mesmo adultos não podemos jamais esquecer a pura alma infantil, o olhar curioso sobre a vida, simplesmente fazer porque amamos e amarmos o que fazemos.
Pensar em tudo isso me deixou cheia de disposição para encarar o meu papel branco e continuar a preenchê-lo, assim como a vida, com amor e dedicação.
sexta-feira, 1 de outubro de 2010
AEILIJ - Paulista "Vice-Versa"
Este mês tive o prazer de participar do "Vice-Versa" de Outubro/2010 da AEILIJ-Paulista- Associação dos Escritores e Ilustradores de Literatura Infantil e Juvenil do Estado de São Paulo,
a convite da escritora Regina Sormani onde sou entrevistada pelo escritor, poeta e editor Marco Haurélio Fernandes e tive o prazer de entrevistá-lo também.
Covido a todos a conhecerem este escritor dedicado também à Literatura de Cordel.
Blog do Marco Haurélio : http://www.marcohaurelio.blogspot.com/
a convite da escritora Regina Sormani onde sou entrevistada pelo escritor, poeta e editor Marco Haurélio Fernandes e tive o prazer de entrevistá-lo também.
Covido a todos a conhecerem este escritor dedicado também à Literatura de Cordel.
Blog do Marco Haurélio : http://www.marcohaurelio.blogspot.com/
domingo, 26 de setembro de 2010
Guarda-chuva.
Meu guarda-chuva chamava atenção.
Curiosamente sempre que o carregava comigo alguém fazia questão de tecer comentários sobre ele.
- Nossa! Que guarda-chuva bonito, elegante!
Era bonito sim, mas não estonteantemente bonito, sua cor pairava entre magenta e coral, poucas listas horizontais em marrom e creme completavam a sua estampa. Discreto, o cabinho (não sei qual é exatamente o nome desta parte do guarda-chuva) onde se segura era de madeira clarinha e o seu tecido de ótima qualidade, levemente acetinado de origem japonesa.
Para mim, mais do que a sua beleza, tinha uma lembrança afetiva. Eu havia presenteado à minha mãe e ela
o guardava com muito carinho. Acamada por tantos anos ela não tinha oportunidade de usá-lo, mas de tempos em tempos tirava da sua gaveta para contemplá-lo.
Um certo dia, não sei exatamente o que teria passado na sua cabeça, resolveu que iria me presentear o guarda-chuva. Aceitei pois compreendi que fazia com muito carinho. Depois que a minha mãe partiu, passaram-se anos até que eu tivesse a coragem de começar a utilizá-lo, transformar esta lembrança num utilitário.
Não, não era apenas um utilitário, quando o carregava comigo sentia que minha mãe me acompanhava. Mesmo assim, sempre me sentia vulnerável quando estava com ele como se um dia fosse perdê-lo. O que mais se perde, o que mais se esquece num dia chuvoso quando a chuva se vai? Guarda-chuvas. Então eu cuidava, me mantinha sempre alerta para que isto não ocorresse.
Todavia, não é possível estarmos atentos o tempo inteiro principalmente quando algo inesperado acontece na nossa rotina. É como se a vida fosse um vídeo game, precisamos estar ligadas, não devemos descuidar dos improvisos, das ciladas que testam a nossa atenção, a nossa distração. Fui pega! Nunca fui boa para jogos.
Era um dia normal, pouco cinzento, ameaçando chuva, porém o tempo fazia uma brincadeira de garoa, não garoa...
Querendo mostrar precaução já estava preparada com a minha proteção contra qualquer possibilidade de me molhar. Guarda-chuva firme e seguro sobre o braço caminhava sem nada pensar...até que... de repente lembrei-me que havia esquecido as chaves da sala para onde me dirigia! Não percebi, porém ali já seria o início do jogo. Quem iria ganhar o teste da atenção? A minha cabeça foi preenchida pela necessidade de resolver tal situação, afinal como entraria na sala? Teria alunos me aguardando. Hummm..., sou esperta, a dona da sala que mora a alguns quarteirões dali poderia me ajudar. Passaria lá para pegar as chaves emprestada. Telefonaria do meu telefone celular para avisá-la. Tomada pela situação o guarda-chuva sobre o braço ficara em segundo plano e enquanto eu telefonava distraída, ele resolveu me deixar, ficar por algum canto da rua sem que eu nada percebesse. Já muito longe, após caminhar por vários quarteirões notei a sua ausência. Entrei em pânico!
-Não! Cadê o meu guarda-chuva?!
Mesmo estando atrasada voltei correndo todo o meu trajeto, procurei por cada esquina, cada jardim, cada buraco das calçadas, perguntei aos transeuntes, aos porteiros dos prédios! Nada... não havia nem sombra dele... Alguém já deveria ter-se intitulado seu dono. Até hoje ao andar por esta rua tenho a sensação que ele estará lá em algum canto me esperando ou que alguém virá gentilmente me devolver. Por muitos dias fiquei pensando o que eu deveria aprender com este episódio, desapego às coisas materiais, falta de atenção...
Mas, afinal o que eu esperava dele, qual seria a minha expectativa ao tê-lo comigo? Garantia de uma lembrança emocional, um objeto que me proporcionaria uma fantástica viagem ao passado onde eu pudesse rever os momentos felizes? Não cheguei a nenhuma conclusão, contudo a única certeza é que mesmo sem o guarda-chuva perto de mim continuo me recordando perfeitamente do carinho da minha mãe, do seu sorriso ao presentear-me com ele e do quanto ela me amava.
Curiosamente sempre que o carregava comigo alguém fazia questão de tecer comentários sobre ele.
- Nossa! Que guarda-chuva bonito, elegante!
Era bonito sim, mas não estonteantemente bonito, sua cor pairava entre magenta e coral, poucas listas horizontais em marrom e creme completavam a sua estampa. Discreto, o cabinho (não sei qual é exatamente o nome desta parte do guarda-chuva) onde se segura era de madeira clarinha e o seu tecido de ótima qualidade, levemente acetinado de origem japonesa.
Para mim, mais do que a sua beleza, tinha uma lembrança afetiva. Eu havia presenteado à minha mãe e ela
o guardava com muito carinho. Acamada por tantos anos ela não tinha oportunidade de usá-lo, mas de tempos em tempos tirava da sua gaveta para contemplá-lo.
Um certo dia, não sei exatamente o que teria passado na sua cabeça, resolveu que iria me presentear o guarda-chuva. Aceitei pois compreendi que fazia com muito carinho. Depois que a minha mãe partiu, passaram-se anos até que eu tivesse a coragem de começar a utilizá-lo, transformar esta lembrança num utilitário.
Não, não era apenas um utilitário, quando o carregava comigo sentia que minha mãe me acompanhava. Mesmo assim, sempre me sentia vulnerável quando estava com ele como se um dia fosse perdê-lo. O que mais se perde, o que mais se esquece num dia chuvoso quando a chuva se vai? Guarda-chuvas. Então eu cuidava, me mantinha sempre alerta para que isto não ocorresse.
Todavia, não é possível estarmos atentos o tempo inteiro principalmente quando algo inesperado acontece na nossa rotina. É como se a vida fosse um vídeo game, precisamos estar ligadas, não devemos descuidar dos improvisos, das ciladas que testam a nossa atenção, a nossa distração. Fui pega! Nunca fui boa para jogos.
Era um dia normal, pouco cinzento, ameaçando chuva, porém o tempo fazia uma brincadeira de garoa, não garoa...
Querendo mostrar precaução já estava preparada com a minha proteção contra qualquer possibilidade de me molhar. Guarda-chuva firme e seguro sobre o braço caminhava sem nada pensar...até que... de repente lembrei-me que havia esquecido as chaves da sala para onde me dirigia! Não percebi, porém ali já seria o início do jogo. Quem iria ganhar o teste da atenção? A minha cabeça foi preenchida pela necessidade de resolver tal situação, afinal como entraria na sala? Teria alunos me aguardando. Hummm..., sou esperta, a dona da sala que mora a alguns quarteirões dali poderia me ajudar. Passaria lá para pegar as chaves emprestada. Telefonaria do meu telefone celular para avisá-la. Tomada pela situação o guarda-chuva sobre o braço ficara em segundo plano e enquanto eu telefonava distraída, ele resolveu me deixar, ficar por algum canto da rua sem que eu nada percebesse. Já muito longe, após caminhar por vários quarteirões notei a sua ausência. Entrei em pânico!
-Não! Cadê o meu guarda-chuva?!
Mesmo estando atrasada voltei correndo todo o meu trajeto, procurei por cada esquina, cada jardim, cada buraco das calçadas, perguntei aos transeuntes, aos porteiros dos prédios! Nada... não havia nem sombra dele... Alguém já deveria ter-se intitulado seu dono. Até hoje ao andar por esta rua tenho a sensação que ele estará lá em algum canto me esperando ou que alguém virá gentilmente me devolver. Por muitos dias fiquei pensando o que eu deveria aprender com este episódio, desapego às coisas materiais, falta de atenção...
Mas, afinal o que eu esperava dele, qual seria a minha expectativa ao tê-lo comigo? Garantia de uma lembrança emocional, um objeto que me proporcionaria uma fantástica viagem ao passado onde eu pudesse rever os momentos felizes? Não cheguei a nenhuma conclusão, contudo a única certeza é que mesmo sem o guarda-chuva perto de mim continuo me recordando perfeitamente do carinho da minha mãe, do seu sorriso ao presentear-me com ele e do quanto ela me amava.
sexta-feira, 17 de setembro de 2010
Equilíbrio.
Asfaltos e terras já caminhei por quilômetros, pratos e pratos de arroz com feijão já vitaminaram meu corpo, uma infinidade de livros, cadernos e lápis enriqueceram minha mente, entretanto apenas recentemente comecei a perceber o mais simples e o óbvio das nossas buscas.
Uma palavra que esteve sempre perto de nós, palavra até comum, porém traz no seu conteúdo o quase impraticável.
Que atire a primeira pedra quem diga que é fácil praticá-lo.
"Equilíbrio"
De uma maneira moderada todos somos capazes de exercê-lo. Há quem diga que o excesso dele torna tudo sem graça, sem prazer e sem paixão. Ora, até mesmo praticá-lo faz-se necessário equilibrar-se.
Muitos fazem deste tema uma profissão tentando ensinar a colocar em prática o equilíbrio na vida das pessoas ministrando cursos de Yoga, Zen Budismo, Florais e tantos outros conhecimentos a favor do "equilíbrio" emocional, mental e corporal. Livros e mais livros sobre o tema aguardam seus leitores nas vitrines das livrarias. Cursos e mais cursos abrem suas portas em busca de candidatos interessados em assimilar tais conhecimentos. Enganam-se aqueles que imaginam conseguir tal façanha quando finda a leitura ou o curso. Se todos os habitantes deste planeta fossem mestres em equilíbrio após a leitura de um livro ou com o certificado nas mãos não teríamos guerras, obesos, consumistas, work-a-holic, chocólatras e uma lista de desequilíbrios que assola a nossa vida.
É uma eterna busca, vigília, dedicação e perseverança sem folga nem férias.
Nunca gritei em público, nunca batí em ninguém, nunca atirei um vaso em ninguém como se faz em filmes, mas com certeza estou longe de ser um exemplo de moderação. Prova disto é que desde que me conheço por gente estou de dieta, falo alto, dou gargalhada barulhenta, quando estou trabalhando meu atelier fica intransitável com copos e xícaras de café, e chá por todos os lados, não posso entrar em livrarias que o meu consumismo se agita e... é bom parar por aqui.
Como fazer uma fisionomia elegante diante de um pudim suculento e dizer:
Como fazer uma fisionomia elegante diante de um pudim suculento e dizer:
- Não, obrigada.
Como entrar numa livraria que é um jardim florido de tentações sem fazer estrago na sua conta bancária?
Como não se descabelar e gritar diante de um inseto prestes a pular sobre nós?
Como não gargalhar de boca aberta expondo as obturações dos dentes diante de uma boa piada?
Como não se descabelar e gritar diante de um inseto prestes a pular sobre nós?
Como não gargalhar de boca aberta expondo as obturações dos dentes diante de uma boa piada?
Conheço pessoas razoávelmente equilibradas que não se abalam, não choram, não se assustam, não falam alto, são organizadas, econômicas, comem frugalmente, recusam sobremesa, estão sempre alinhadas sem um fio de cabelo fora do lugar. Estas pessoas vão se tornando meus ídolos. São pessoas que alcançaram o que não é possível para mim ainda. Ídolos, significam seres inatingíveis, distantes, contudo à medida que vou me aprofundando na amizade acabo descobrindo que sempre existe algum caminho do subterfúgio, uma gastrite,
uma dor na coluna ou uma compulsão bem guardada e então respiro aliviada. Somos todos humanos com fraquezas, limitações e carências, do contrário não estaríamos aqui na terra.
uma dor na coluna ou uma compulsão bem guardada e então respiro aliviada. Somos todos humanos com fraquezas, limitações e carências, do contrário não estaríamos aqui na terra.
A vida é uma eterna busca, uma humilde tentativa, um longo aprendizado. Cada vela sobre o bolo que vou assoprando sinto que vou me acalmando um tantinho, vou perdendo um pouquinho da compulsão, tentando chegar ao equilíbrio.
Quem sabe daqui a cem anos andarei de monociclo sobre uma ponte suspensa.
Quem sabe daqui a cem anos andarei de monociclo sobre uma ponte suspensa.
sexta-feira, 10 de setembro de 2010
De mãos dadas.
De mãos dadas, caminhamos sorrindo .
De mãos dadas, não há solidão .
Meu pai registrou esta cena com a sua lente, acredito, numa atitude de muito amor e carinho pelas filhas. Foi numa época em que eu ainda era mais baixinha do que a minha irmã,
numa época em que se caminhava muito, numa época em que nós nos arrumávamos com o vestido novo, sapato novo e com casaquinho na mão íamos visitar nossos avós, aos domingos.
Através dos meus passos apressados observa-se que já estávamos muito perto de chegar ao nosso destino .numa época em que se caminhava muito, numa época em que nós nos arrumávamos com o vestido novo, sapato novo e com casaquinho na mão íamos visitar nossos avós, aos domingos.
Logo chegaria o momento de encontrar minha avó que enrugaria o seu rosto e com o seu sorriso apertado nos receberia sempre com a mesma frase.
- Que bom que vocês chegaram!Dita em língua japonesa, acompanhada de muita alegria. Era tudo que precisávamos ouvir para ter a certeza de que estávamos sendo recebidas em um território amigo de muito amor.
Meus tios, ainda todos solteiros, nos esperavam para passar o domingo conosco. Um dia inteiro de muita conversa, brincadeira e comilança .
Meus tios, ainda todos solteiros, nos esperavam para passar o domingo conosco. Um dia inteiro de muita conversa, brincadeira e comilança .
Hoje esta rua residencial é repleta de casas valorizadas, apenas a casa dos meus avó resiste do mesmo jeito como semper foi. Minha mãe, meus avós, e alguns tios já partiram, mas todas as vezes ao entrar na casa dos meus avós, todas as gargalhadas dadas, as festas, o cheiro de comida da minha avó imediatamente
retornam à minha mente e ao meu coração. Sou envolvida por uma sensação que se resume em uma única palavra. "Amor". Não me lembro de ter falado nem de ter ouvido
" Eu te amo". Não era necessário, o sabor inesquecível do arroz com feijão, bife com batatas preparadas pela minha avó, o chocolate em forma de carrinho que meu avô nos presenteava, o enorme sorriso dos meus avós que expressavam a imensa alegria ao nos receber era muito mais do que uma declaração de amor. Os meus tios que não saíam de casa aos domingos e passavam o dia conosco era o mesmo que dizer:
retornam à minha mente e ao meu coração. Sou envolvida por uma sensação que se resume em uma única palavra. "Amor". Não me lembro de ter falado nem de ter ouvido
" Eu te amo". Não era necessário, o sabor inesquecível do arroz com feijão, bife com batatas preparadas pela minha avó, o chocolate em forma de carrinho que meu avô nos presenteava, o enorme sorriso dos meus avós que expressavam a imensa alegria ao nos receber era muito mais do que uma declaração de amor. Os meus tios que não saíam de casa aos domingos e passavam o dia conosco era o mesmo que dizer:
- Preferimos ficar com vocês, passar o domingo com vocês por que nós amamos vocês.
Da nossa parte, voltarmos lá a cada domingo, mesmo caminhando muito, era a nossa declaração de amor.
Hoje, mesmo sem tê-los perto de nós, as lembranças do sorriso, da amizade e do amor são coisas que jamais se apagarão dos nossos corações. Enquanto estivermos munidas e fortalecidas com o estoque de combustível chamado "Amor" que nos foi dedicado por todas estas pessoas, sempre teremos força e coragem para escalar todas as ladeiras das nossas vidas, mas ...
Quero sempre uma mão para segurar.
Quero sempre um sorriso para me acalmar.
Quero sempre um amor para amar e ser amada.
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