sábado, 17 de abril de 2010

Comida e Arte.

Lavar panelas nunca foi o meu forte.
Principal-mente agora que acabei de trocar a torneira elétrica da minha cozinha.
A  torneira anterior, muito baixinha, me dificultava lavar panelas grandes e então quando ela deu o seu ultimo suspiro resolvi trocar por uma com prolongador elevado. Na minha imaginação assim teria espaço suficiente entre a torneira e a cuba para lavar panelas maiores. 
É..., mas como tudo na vida tem dois lados, sendo a torneira  alta, a queda da água é maior e assim irriga totalmente a minha barriga que detesta ser coberta por um  avental. Enquanto minhas mãos lavavam rápidamente a panela e a minha barriga se encharcava, meus ouvidos detectaram sons divinos de uma orquestra.
Ao prestar atenção na tela do pequeno televisor da cozinha, percebi que falavam sobre uma orquestra composta de jovens músicos residentes em uma favela. Não consegui ouvir o nome da orquestra, a reportagem já estava no final mas apenas pela pequena demonstração meus ouvidos e o meu coração ficaram mais felizes! Não me importei por estar ocupada com os serviços domésticos, pois a sinfonia  que penetrou dentro de mim me fez lembrar que logo chegaria o dia de prestigiar a Camerata Aberta do MASP no último domingo do mês.
Arnaldo Antunes, Marcelo Fromer e Sérgio Brito estavam certíssimos quando compuseram a música "Comida". Queremos mais riqueza em nossas vidas, riqueza para a nossa alma.
A maioria das pessoas passam a semana inteirinha trabalhando duro por oito, dez horas diárias para garantir o pagamento do supermercado, do condomínio, da energia elétrica, telefone fixo e celular, escola das crianças, etc, etc, etc.
Final de semana muitas vezes correm para fazer tudo que não podem fazer durante a semana ou ficam tão cansados que nem saem de casa para poder guardar energia e começar tudo novamente na segunda-feira.

            ... a gente não quer só comida,
                a gente quer comida, diversão e arte...

Precisamos reservar um tempinho ou um tempão para a nossa alma, para estocarmos não só mantimentos
mas estocarmos também o deleite da nossa alma que só o amor e a arte podem nos fornecer.
O que poderia substituir uma boa leitura, uma  música divina, uma linda peça teatral, um filme marcante, um concerto inesquecível, uma exposição de arte maravilhosa?
É difícil encontrarmos uma resposta.
Tenho uma aluna de 75 anos de idade, maravilhosa! A Darcy, aproveita totalmente a sua vida dedicando-se
às artes como criadora e apreciadora. Frequenta religiosamente todas as óperas, exposições, concertos, teatros, filmes de todos os estilos, sem preconceito. E faz tudo isso sem gastar muito pois além da vantagem de fazer parte  da "melhor idade", aposentada e pagar apenas 50% do valor dos ingressos, está sempre antenada e informadíssima sobre muitos programas gratuitos que São Paulo nos oferece. Tem a cabeça e a postura moderníssima, mais do que muitos jovens e uma sabedoria incrível.
Chamo-a de "cultura ambulante". Sempre que conversa com jovens, crianças ou adultos, generosa, não economiza em compartilhar seus conhecimentos  ensinando tudo sobre as artes e sobre o mundo por onde andou e respirou. Sem papas na língua, brava e divertida é a animadora de qualquer ambiente. Trabalhou duro pela vida para sempre manter-se sózinha mas nunca se esqueceu de ser feliz!

            ... a gente não quer só dinheiro,
                a gente quer dinheiro e felicidade...
 
( trechos da música : "Comida" - composição: Arnaldo Antunes, Marcelo Fromer e Sérgio Brito)

domingo, 11 de abril de 2010

Rubem Alves

Há algum tempo guardo dentro de mim uma vontade imensa de escrever sobre Rubem Alves.
Todas as vezes a falta de coragem me impede de concretizar este intento, mas a vontade não quer saber de ir embora. O máximo que consegui fazer foi adicionar o site do Rubem Alves na lista dos links que recomendo. Sei que perguntariam o  por quê da "falta de coragem". Para explicar,  contarei como foi o meu encontro com o Rubem..., não, com o livro do Rubem Alves, pois se um dia tiver a felicidade de encontrá-lo pessoalmente, acho que ficaria tão emocionada que nem saberia manter um diálogo com ele.
Após as festividades de Natal, fui até a Livraria Cultura fazer o que mais adoro: trocar por um livro o "Vale Presente" que havia ganhado da minha amiga. Levei comigo uma lista de livros que poderia ser o meu presente. Não gosto de pedir informação ao atendente, gosto de "curtir" o momento de procurar nas estantes os livros que procuro, quase como uma brincadeira de "esconde-esconde". Procurei, procurei e procurei mas não conseguia encontrar nenhum dos livros da minha lista, já havia passado muito tempo e logo chegaria a hora combinada com o meu marido que havia se misturado na multidão entre as estantes do setor de "Informática". Iria me render, chamei um atendente, este consultou rápidamente na tela do computador e me comunicou que nenhum dos livros da minha lista teria em estoque. Dito isto ele logo me descartou e iniciou o atendimento de outro cliente. Fiquei frustrada! Como assim? Vou para casa sem o meu presente?
O meu semblante deveria ser digno de pena pois surgiu ao meu lado um iluminado atendente:
-Tudo bem com você?
Perguntou ele. E eu respondi, balançando a lista com desânimo, que nada estava bem pois soubera que não havia os livros que procurava.
Ele sorriu suavemente e disse:
-Pelo visto você gosta de crônicas.
Dito isto retirou da estante um livro com a capa de cor laranja e disse:
-Conhece Rubem Alves? Este é o mais recente livro dele,
 "Desfiz 75 anos".
Depositou o livro na minha mão e sumiu  como um anjo pelos labirintos de estantes. Achei o título inusitado e interessante, alí mesmo comecei a folhear e ler. Lembro que a primeira impressão foi: Meu Deus! É uma crônica assim, escrita assim, com estas palavras, esta emoção, este calor que eu sempre tive vontade de ler e que há muito procuro! Como se já soubesse que um dia encontraria uma crônica assim.
Não conseguia mais parar de ler e então a minha "gula literária" se acentuou, procurei na estante outros livros dele, eram todos geniais. No mesmo instante tive uma crise de vergonha. Quanta ignorância a minha, como poderia não conhecer este autor? Peguei mais um livro seu, "Ostra feliz não faz pérola" e este até já havia ouvido falar mas não sabia o nome do autor.  Enrubeci e para tentar recuperar o tempo perdido resolvi logo levar três livros. Defini que o livro do presente seria o livro indicado pelo anjo atendente: "Desfiz 75 anos".
Estes livros da foto são os três primeiros de uma série.
Explico agora  o  por quê da falta de coragem em escrever sobre Rubem Alves. Tamanha responsabilidade seria escrever sobre um escritor que imensamente admiro, um grande mestre das palavras, um filósofo, um intelectual, um teólogo, professor, psicanalista e ainda assim
um homem que retrata, através de palavras, tão terna e singelamente,  a vida simples, o cotidiano, o sentimento de uma forma tão magníficamente bela!
Diante disso resolvi tomar coragem, jogar a vergonha fora e escrever humildemente com a minha maneira simples de escrever sobre a admiração e o respeito que sinto por este escritor chamado Rubem Alves.

quarta-feira, 31 de março de 2010

Ser único.


Uma das melhores coisas ao participar de palestras é o encontro com pessoas interessantes de todas as áreas, não só aquelas que estão com o microfone na mão como também as que se sentam ao seu lado para prestigiar. Numa palestra sobre
"Qualidade de Vida" conheci uma monja budista que recentemente retornara ao Brasil após anos de estudos no Japão. Uma oriental simpática, alta, com a sua cabeça raspada e seus trages de monja sentou-se ao meu lado. Seu sorriso receptivo fazia com que as pessoas a cumprimentassem espontâneamente.
Inclusive eu.
Quando vejo pessoas assim todas as indagações, reflexões sem resposta acumuladas dentro de mim se agitam e me pressionam a aproveitar aquela oportunidade para receber alguma forma de orientação. Principalmente quando conheço pessoas calmas, aparentando sabedoria, vivência e muito conhecimento tenho vontade de escutá-las e aprender com elas ou ainda, se possível fosse, apreender um pouco da sabedoria  até por "osmose".
Sou exatamente o oposto de pessoas que citei acima, sou apressada, curiosíssima, nada calma, ansiosa, falo muito, falo e depois penso, talvez por isso admire tanto as pessoas de modos calmos e tranquilos.
Conversamos sobre muitas coisas, embora o tempo de intervalo da palestra fosse muito curto. Aproveitei esta oportunidade e contei-lhe sobre a angústia que sinto quando muitas vezes tenho dificuldade em responder a algumas indagações dos meus alunos. Alunos que me trazem perguntas difíceis sobre  a falta de oportunidade, de reconhecimento no campo artístico mesmo empenhando-se com toda dedicação e amor
ao trabalho artístico. Sentem-se inconformados ao constatar que outros trabalhos de outros profissionais que considera menos elaborados estejam alcançando reconhecimento quando dele não. Com a sua voz serena e um sorriso suave,  assim ela respondeu:
- O grande problema está na comparação. Antes de qualquer coisa é necessário entendermos
que somos seres únicos, cada um de nós somos capazes de produzirmos trabalhos únicos, exclusivos.
Desse modo, não é possível fazer comparações, fazê-lo é o caminho errado.

Infelizmente foi apenas esta conversa que foi possível neste dia. Mas foi o bastante para o início de muitas reflexões. Não existe e nunca existirá duas pessoas idênticas nem que sejam gêmeos. Cada um tem o seu recado baseado na sua vivência, seu modo de expressar a alegria, o amor, a beleza ou até mesmo sentimentos não tão positivos que gostaria de representar na sua arte. Realmente tentar fazer comparações não pode dar certo é necessário não perdermos tempo olhando para o outro que faz sucesso ou não.
O importante é sentirmos prazer passando a nossa mensagem, a nossa interpretação da vida, sentirmos amor ao produzirmos, criarmos a  nossa arte única e conscientizarmos que se somos capazes de atrair e provocar sentimentos belos no outro a nossa arte também poderá fazer o mesmo.

domingo, 28 de março de 2010

O Som da "União".

Hoje tive o grande prazer de sentir e ouvir o som da "união",  da  disciplina, da perseve- rança  e principalmente o som da "paixão" de  35  jovens
músicos que nos presentearam com momentos singulares de encontro com Mozart e Schubert.
Sob a regência do Maestro Gil Jardim, a Orquestra de Câmara da Universidade de São Paulo - OCAM nos ofereceu  um domingo muito especial no Grande Auditório do MASP- Museu de Arte de São Paulo.
A voz inacreditávelmente bela da soprano
Elizabeth Ratzersdorf ecoou e registrou em nossos ouvidos e no coração, o fruto do talento, do aperfeiçoamento e da dedicação. Dedicação e o treinamento que não vemos, que nem conseguimos dimensionar o tamanho do empenho
que se faz necessário para se chegar a este resultado.
Enquanto apreciava estes momentos únicos pude refletir sobre a beleza da Arte que não precisa de palavras ou não se consegue encontrar palavras para decrevê-las. Basta sentí-las. O turbilhão de emoções que sentimos quando entramos em contato com o "Belo" é  absolutamente idêntico em todas as artes. É o que nos enriquece, nos molda, nos faz pessoas melhores. Ao contemplar cada um dos jovens músicos, ví 35 músicos talentosos que certamente são brilhantes individualmente mas que não se faz necessário destacar-se mais do que outro, com a união do esforço de cada integrante se chega à aquela obra de arte coletiva.
A linda Sinfonia no. 5 de F. Schubert me fez sentir doloridamente a beleza de um artista que deixou como herança para a humanidade estas obras de arte, sem  nunca conhecer nem glórias nem reconhecimento em sua vida tão curta. Eternamente estas obras plantarão e germinarão nos corações da humanidade a adoração pela Arte.

terça-feira, 23 de março de 2010

"Essa mãozinha vai longe" - Editora do Brasil


-Tia Naomy, sabe, este ano vou estudar com um livro que a senhora ilustrou!
O nome do livro é "Essa mãozinha vai longe". É livro de caligrafia!
Com a sua voz terna e um sorriso meigo meu sobrinho contou-me a novidade assim que entrei na sua casa.
-Tia Naomy, eu mostrei para meus amigos, eu disse que a ilustradora deste livro é minha tia! O sobrenome é igual ao meu!
Puxando um pouco o "o" do meu nome Naomy, como ele sempre faz, contou-me animado com um certo orgulho. Tia "corujona" como sou,  fiquei me derretendo de alegria e ao mesmo tempo senti muita gratidão em viver esta situação. Eu desenho, os desenhos viram ilustrações de livros didáticos, os livros são impressos, vendidos e um deles  para na mão do meu amado sobrinho que faz questão de contar aos amigos que aqueles desenhos foram feitos pela tia dele. Fiquei feliz, ele tem orgulho da profissão da tia, se ele não achasse interessante não contaria aos amigos, pensei.
Diante de crianças menores tenho vivido algumas situações interessantes e algumas "saias justas".
Certa vez uma colega de trabalho fez questão de me apresentar ao seu filho que estudava com um livro que ilustrei.
- Olha, filho, esta é a tia que fez os desenhos dos livros que você tem!
Contou ao seu filho, toda animada, minha colega. A reação do seu pequeno filho foi muito inusitado.
Me olhou de lado, olhar desconfiado, entortou o cantinho da sua pequena boca e disse:
- Ah, vai, mentira! O livro quem faz é fábrica!  Não é essa tia, não!
E todas rimos muito e o menino ficou me olhando feio como se estivesse me acusando de "enganadora de crianças".
Numa outra oportunidade, num desses encontros de família, estávamos todos reunidos e novamente surgiu a
minha profissão como assunto do dia. Uma das primas do meu marido disse à sua filha de seis anos:
- Filhinha, essa tia que é a tia Naomy! Lembra desse nome que está na capa do seu livro "O Dedal da Vovó"?
Então, é ela que fez aqueles desenhos!
Todas as atenções se voltaram para mim e para esta pequena garota com um ar de muito viva e inteligente.
Ela me olhou de cima a baixo, me analisou, pensou e deu o seu veredicto:
- Duvido, ela não tem cara de quem desenha aqueles desenhos não.  É mentira!
Nesta altura eu já estava vermelha, com a autoestima em queda livre, com mil dúvidas na cabeça.
-Puxa! Cara de quê eu tenho? Todos dizem que as crianças são sinceras e destemidas, eu, justamente por isso, sempre tenho medo das opiniões que vão sair da boquinha das crianças.
Ela continuou:
-Se você tá dizendo que é verdade, desenha aí que eu quero ver se sabe fazer igualzinho! E ainda ela veio com esta! Nestas alturas alguém já havia providenciado uma caneta e um papel.
Lá fui eu desenhar a vovó do livro citado morrendo de medo que não saísse parecido, pois já fazia muito tempo que eu havia ilustrado o tal livro. Bem, desenhei rapidamente e submetí ao seu parecer.
Ela olhou desconfiada, analisou, pensou, levantou o seu rostinho e disse com um certo ar de superioridade:
- É..., pode ser. Não sei, pode ser...
Crianças, seres maravilhosos que enriquecem e alegram as nossas vidas!

sexta-feira, 19 de março de 2010

Manual "Como cuidar de idosos" - JICA

 Cada vez que recebo o exemplar de um livro que ilustrei degusto uma sensação muito especial. Digo "especial" pois não consigo encontrar uma palavra que traduza exatamente o que se passa dentro do meu coração e da cabeça. Ao receber o pacote meu coração acelera, fico com um leve medo, uma preocupação do que vou encontrar.
É uma sensação como : "Será que cuidaram bem dos meus filhos?" No decorrer da minha profissão já tive algumas surpresas, boas e ruins. Surpresas em relação às cores, nitidez, qualidade de impressão.
Aqueles desenhos que sairam da minha imaginação, aqueles personagens que criei, dei cor e vida, entreguei para a Editora, que passaram por muitos processos, pelas mãos de muitas pessoas, pelas máquinas e em forma de livro retornaram com outros aromas.
O reencontro com a minha criação me dá saudade e um leve estranhamento, assim como quando os filhos passam as férias na casa dos avós e voltam para casa um pouco diferentes.
Abro o envelope e no primeiro reencontro com a capa um "Oi!".
Sorrio e abraço como se abraça um filho e folheio as páginas, devagar, sempre temerosa com o resultado. Quando fico satisfeita fico rindo à toa, vejo muitas vezes apenas com o coração e depois com a cabeça. O que eu poderia ter feito melhor, a combinação das cores que usei, como poderia melhorar num próximo trabalho.
Passado esta primeira fase fico ansiosa aguardando a hora do meu crítico carinhoso chegar para mostrá-lo e então poder ouvir o "Ah! Ficou legal heim!".
Recebi, recentemente, estes exemplares do "Manual de Como Cuidar de Idosos" que ilustrei para a JICA*-Japan International Cooperation Agency. Um manual produzido por voluntários japoneses visando ajudar e instruir aquelas pessoas que cuidam dos seus idosos queridos e que muitas vezes têm
dúvidas e preocupações se estariam cuidando de maneira correta de uma pessoa idosa com dificuldades de locomoção e movimentação. Foram produzidos em duas versões, em língua portuguesa e japonesa. Foi um trabalho muito interessante de se fazer pois os voluntários são do Japão e sendo assim, os textos e as instruções das ilustrações vieram todos em língua japonesa.
Nestas horas fico muito grata aos meus pais que me ensinaram a língua japonesa desde muito pequena, assim como o gosto pela Literatura, Filmes japoneses e pelo Mangá. Os manuais ficaram muito bons, não foram produzidos pelo esquema de uma Editora mas a qualidade de impressão, diagramação e principalmente o seu conteúdo estão de ótima qualidade.
Parabéns para a JICA por mais esta iniciativa.
*JICA tem funcionado como uma ponte entre o povo japonês e os países em desenvolvimento tendo como objetivo a cooperação internacional através do compartilhamento de conhecimento e experiência na construção de um mundo mais pacífico e próspero.


domingo, 14 de março de 2010

Teatro João Caetano.

Fiquei sabendo através de uma das minhas alunas que a Prefeitura de São Paulo estaria nos presenteando com Vesperais Líricas, espetáculos de Ópera no Olido - Centro de São Paulo e para a minha felicidade, também no Teatro João Caetano na Zona Sul de São Paulo. "Em versão "pocket" com encenações gratuitas em comemoração à 30 anos das Vesperais Líricas. Coordenada pela meio-soprano Eloisa Baldim tem como objetivo, segundo ela, "democratizar" a ópera em São Paulo para possibilitar formar novas platéias e valorizar o trabalho dos artistas nacionais"(extraído da revista "emcartaz"- guia da secretaria Municipal de Cultura-março/2010/no.33).
Estive lá para apreciar Carmen de Bizet. Como profunda admiradora da Arte Cênica, a existência de um Teatro no bairro próximo ao meu onde podemos até ir andando é motivo de orgulho e satisfação muito grande. Teatro João Caetano nos remete à nossa infância e um local que nos traz muitas lembranças alegres e felizes. Quando eu tinha aproximadamente seis anos e não frequentava ainda a escola, pois na época entrávamos na escola pública aos sete anos completos, a minha irmã dois anos mais velha já estudava na Escola Municipal de Ensino Fundamental Jean Mermoz, no bairro da Praça da Árvore Zona Sul de São Paulo.(Na época era uma escola com paredes de madeira)
No final de cada ano as professoras organizavam apresentações teatrais e danças de alunos para famíliares e amigos. A apresentação seria no bonito Teatro João Caetano, local muito chique e novo, na época.
No final do primeiro ano, minha irmã iria participar de uma apresentação de dança com trajes chineses. Eu que não estudava ainda, tinha uma enorme vontade de fazer tudo igual à irmã mais velha, ia em todos os ensaios e sabia de todos os passos de dança e música que seria apresentado. A minha mãe vendo esta minha "inveja" declarada resolveu pelo menos me dar "um gostinho" tirando uma fotografia com os trajes chineses da minha irmã. E eu toda feliz fiz a minha pose para as lentes do meu pai. Já no ano seguinte, quando a minha irmã encerrava o segundo ano a apresentação foi uma dança típica japonesa com
kimono e também eu ia a todos os ensaios e então a professora Dona Isaura consternada com meu interesse acabou me convidando para dançar juntamente com a turma da minha irmã sem ao menos ser estudante ainda daquela escola. Nem preciso dizer a minha alegria e realização em fazer a minha estréia nos palcos do Teatro João Caetano. Naquela época Teatro João Caetano estava tinindo de novo e para nós pequerruchas pareceu um teatro enorme, hoje, quando frequento o local não tem a mesma dimensão que eu sentia naquela época, nem tão novo assim, mas é um local que respiro arte, sinto intimidade, acolhimento, ternura e um sorriso automático nos meus lábios ao relembrar a minha simples mas feliz infância.

Próximos Espetáculos de Ópera no Teatro João Caetano(SP)
Sempre às 19:00hs.
Ingresso distribuído uma hora antes.

Dia 15/04/10: WHERTER, de Massenet.
Dia 13/05/10: LA SERVA PADRONA, de Pergolesi
intermezzo em duas partes.
Dia 17/06/10: CAVALLERIA RUSTICANA, de Mascagni.

quinta-feira, 11 de março de 2010

Sem medo de voar.


- Naomy, eu tenho medo de desenhar.
Uma aluna nova confessou-me sincera-mente durante a nossa conversa inicial. Uma confissão
assim inesperada me pegou totalmente de surpresa. Olhei para o seu rosto para me certificar se tratava de uma brincadeira ou se falava de coração.Vi nos seus olhos uma sinceridade quase envergonhada demonstrando até uma certa culpa parecendo também um pedido de socorro. Percebi através dos seus gestos uma ansiedade em ouvir a minha resposta.
Precisei de alguns minutos de reflexão para fazer
qualquer tipo de comentário, pois a sua confissão merecia muito respeito e cuidado. O que eu poderia dizer a uma pessoa que me contava o que se passava no íntimo dela? Afinal se ela não ligasse profundamente para esse medo, não se sentisse incomodada com a situação não iria atrás de uma pessoa que pudesse lhe ensinar a desenhar.
E então mais serena, lhe fiz uma pergunta:
- E mesmo assim você gosta de desenhar?
Neste instante o seu rosto e o movimento das suas sobrancelhas demonstraram surpresa, talvez pela sua própria resposta que veio naquele instante na sua mente e ela respondeu pausadamente.
- Si..m...
- Então que tal gostarmos mais ainda dele e não ter medo dele. Quando gostamos de alguém, queremos namorar alguém, gostaríamos de conhecê-lo melhor, aprender mais sobre esse alguém, não é?
- Si...m...
-Preciso te dizer mais alguma coisa? O que você acha da minha proposta?
Depois desta minha resposta ela sorriu e através dele observei que se acalmara como se visse uma luz no fundo do túnel.
Mas aquela confissão é a mesma de muitas pessoas que tem a arte como ofício, inclusive a minha própria. Ao desenharmos estamos registrando a nossa alma, as nossas emoções sobre um papel imaculado. Estamos nos expondo principalmente para nós mesmos.
Tudo que temos de bom e de ruim dentro de nós parece transparecer através dos nosso traços e cores. E como é difícil constatarmos quem realmente somos, em qual estágio de amadurecimento estamos naquele momento. Por isso sinto que é tão importante chegar ao aluno com amor, oferecendo apoio, encorajando-o e principalmente incentivando-o a respeitar o seu próprio desenho esteja em que estágio estiver. Mostrar a eles que eles podem mais, muito mais se desenhar com amor e capricho através do carinho. Que eles podem voar sem medo ao encontro do crescimento e amadurecimento artístico. Parece jocoso e piegas escrever sobre isso mas não tenho vergonha de confessar que eu tenho muito amor pelos meus alunos. Não sou candidata a nada, nem preciso adular, apenas não tenho vergonha de confidenciar o meu amor sincero pelos meus alunos, o meu desejo de vê-los todos felizes e plenos com as suas artes e o que eu puder ajudá-los para mostrar os caminhos e as quebradas para chegar onde eles almejam chegar, estarei sempre aqui em terra, firme e forte.

quinta-feira, 4 de março de 2010

Você me ama?


- Você me ama?
Quantas vezes repetimos esta mesma pergunta à pessoa amada?
Insegu-
rança? Nem sempre. Gostamos do som destas palavras e mais ainda do som das respostas, principalmente do que ela provoca nos nossos corações.
- É claro que eu te amo!
Outras vezes apenas três palavras
- Eu te amo!
Com que intensidade estas palavras, vindas da pessoa amada, nos preenchem, nos acarinham e nos fortalecem. Porém, uma resposta aparentemente simples às vezes pode ser muito difícil de se conseguir, não porque não somos correspondidas, mas porque existem várias personalidades masculinas que não se entregam tão fácilmente.
- Ah, você já sabe a resposta!
Ou os mais desconfiados:
- Pra que você quer saber?
Ou ainda, os mais irônicos e brincalhões:
- Já te falei esta semana, tá bom, vou deixar um saldo para semana que vem, marca aí:
eu te amo, eu te amo, eu te amo, eu te amo, eu te amo, eu te amo, eu te amo.
Frequentemente estas várias facetas se concentram em úma única pessoa, mas por fim sempre acabamos conseguindo o nosso intento de ouvir o som inebriante " Eu te amo" e assim os nossos corações se inundam de calor e felicidade.
O amor, como o vinho, com o passar do tempo amadurece e se aprimora.
Longos anos juntos iniciam-se outras fases do amor quando então passamos a dispensar palavras e apenas com olhares nos comunicamos e captamos o desejo e o amor do outro.
O silêncio passa a dar lugar à possibilidade de ouvirmos através dos olhos e do coração.
Com um único olhar percebemos quando ele quer um carinho ou que coce as suas costas ou com um olhar e o coração eles passam a perceber quando desejamos uma massagem nos ombros ou um forte abraço.
E dentro dos seus olhos e do seu longo abraço, sem palavras, sentimos através do sorriso carinhoso e do seu calor o quanto somos amadas.








segunda-feira, 1 de março de 2010

Quando meu coração palpita e sou feliz.


O que seria da nossa vida se não existisse a alegria e o prazer de contem-
plar o belo?
O que faríamos com as nossas emoções se não existisse a "Arte"?
Como conter aquela nossa imensa vontade de aplaudir, de gritar "Bravo!!!" ?
Quando as nossas lágrimas de emoção teriam a sua vez?
Não consigo nem ao menos imaginar como seria a minha vida sem teatro, sem música, sem cinema, sem desenho, sem literatura. Não, não poderia ser feliz.
No último sábado, já sentada na poltrona da terceira fileira do Teatro do SESI- SP- Centro Cultural Fiesp- Sala Ruth Cardoso, enquanto aguardava o espetáculo "O Capote" iniciar, eu estava muito feliz. Assim como todas as vezes que aguardo pelo início de um filme, show, concerto, ao abrir um livro, meu coração palpitava . Enquanto lia e folheava o programa da peça eu agradecia por esta possibilidade de ter acesso a um espetáculo baseado na obra literária de Nikolai Gogol , "The Overcoat" (O Capote), através da Cia de Teatro Britânica Gecko. Ao desligar o celular e ouvir a campainha que anunciava o início do espetáculo fui envolvida pelo clima e a energia contangiante dos atores. Foram 75 minutos de envolvimento, reflexão, humor e contemplação da arte de representar onde a linguagem de várias origens e o desconhecimento de algumas delas não nos impediu de forma alguma, não só compreendemos como sentimos na pele a angústia, a dor e a vivência do personagem Akaki. Toda plástica visual do cenário, iluminação, maravilhosos.
Teatro, o grande prazer da vida!

sábado, 27 de fevereiro de 2010

Ainda não.


Ainda não, disse-me , uma pessoa cujos pensa-
mentos e sabedoria respeito e admiro.
Palavras vindas de alguém que tenho certeza do seu carinho por mim deixou-me cheia de curiosidade e frustração. Por que? O que falta em mim? Quanto tempo levarei para ser merecedora
de compreender o que ela declarava que ainda não era hora de saber, de assimilar sua orientação. Ansiosamente me inundei em reflexões e ao fazê-las comecei a encontrar semelhança com atitudes minhas em relação aos meus alunos.
Muitas vezes eles me questionam quanto tempo levarão para desenhar bem, sem nenhuma dificuldade. E quando se trata de jovens que me dirigem tal questionamento está intrínseco que "quanto tempo" significa "quantos meses" ou quem sabe, "quantas semanas". Também tenho experiência em juventude etária, sei perfeitamento da pressa, da ansiedade do saber, da velocidade que eles querem conquistar o mundo. Nestas horas percebo que não adianta fazer um discurso
e fazê-los compreender que aprendizado não conhece o fim, que tempo para totalizar um conhecimento não se pode precisar e tão pouco desconheço se existe o fim e então brinco com eles.

- Olha, eu também penso que se existisse um "chip" que pudessemos comprar e instalar na nossa cabeça e saíssemos desenhando seria ótimo, mas infelizmente ainda não inventaram nada parecido, não posso prever, muito menos prometer em quanto tempo você será um bom desenhista, terá que ir vencendo etapas mas garanto a você que a cada etapa se sentirá feliz e realizado.
Não será apenas ao concluir que se sentirá gratificado. Vamos nos divertindo a cada etapa. Apreciando o desenhar e não apenas contemplando o desenho finalizado.
Graças a Deus eles me compreendem.
Em outras circunstâncias, ao analisar os desenhos dos alunos, vejo que muitas vezes não é hora ainda de fazer certas críticas ou orientações ele terá que vencer uma etapa para compreender o que eu teria para falar e guardo para uma outra oportunidade e quando este dia chega muitas vezes eles me interrogam.

- Nossa, Naomy por que você não me disse antes?

E eu torcendo para que eles me entendam respondo:

-Porque naquele momento ainda não era a hora. Você já reparou que quanto melhor você está desenhando estou ficando mais exigente? Faço isso pois sei que você já pode me entender
e sei que você já pode fazer bem melhor.
E graças a Deus eles me compreendem e me dão ainda de brinde um bonito sorriso de satisfação e cumplicidade, um sorriso que interpreto como:

"Sei que você está fazendo o melhor por mim".

E então posso compreender aquela pessoa que me diz :

-Ainda não, Naomy.

Pois assim como meus alunos sei que tem amor por mim e faz sempre o melhor por mim.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Camilla Cerqueira César



Longas estradas percorremos no decorrer das nossas vidas e pelo caminho vamos conhecendo e guardando em nossos corações pessoas queridas que ficarão conosco para sempre. Se começarmos a enumerar todas as pessoas que nos agraciaram com a sua presença, nos ensinaram, nos ajudaram, dividiram conosco o seu pão e a água, teremos uma lista incalculável de lindos nomes!
Tenho muito prazer em recordar sobre todas estas pessoas e ao fazê-las tenho a grata oportunidade de encontrá-las
novamente, mesmo as que não posso mais vê-las nesta vida.
Camilla Cerqueira César é uma dessas pessoas que adoro recordar. No artigo anterior que postei contei como a conheci
nas reuniões do CELIJU. Uma senhora muito terna, delicada, porém forte, ativa e dedicada à tudo que dizia respeito à Literatura Infantil e Juvenil. Era um dos membros mais importantes do CELIJU. Chegava dirigindo seu fusquinha, sempre elegante com os seus lindos cabelos grisalhos. Em todas as reuniões me procurava e carinhosamente me incluía nas conversas do grupo para me deixar sempre inserida e à vontade e eu percebia esta sua generosidade com muita gratidão.
Assim como a Lúcia Pimentel Góes, observando a minha grande paixão pela ilustração, Camilla ofereceu-me um texto que há muitos anos ela guardava com a intenção de publicar. O livro "Nem assim, Nem assado" foi o segundo grande presente que recebí, possibilitando assim dar continuidade à carreira de ilustradora. Logo me apaixonei pelo texto, em cada página ela se utilizava de antônimos contando a história de "Biba e Bilíu" a "gordinha" e a "magrinha". Fui muito feliz ilustrando esta história. Durante o processo de ilustração ela me ofereceu mais um texto também contando uma outra história da "Biba e Bilíu" só que esta ela mesma já havia ilustrado muito graciosa-
mente em preto e branco. Porém, ela não possuía mais segurança nas suas mãos para arte finalizá-las e então aceitei fazer a diagramação interna do livro e arte finalizei todas as ilustrações fielmente às suas originais.
Quando concluí o projeto no rascunho ela quis muito vê-las e me convidou para almoçar em sua casa. Ainda me recordo do sorriso que se abriu no seu rosto ao tomar em suas mãos o boneco do livro, ficou feliz e muito ansiosa para vê-las publicadas. Mas o inesperado aconteceu...
Perto de alguns dias antes do livro sair da gráfica recebi um triste telefonema da Lúcia Pimentel Góes me comunicando a partida da Camilla desta vida. Ela havia partido suavemente sentada na sua cadeira de descanso que ela possuía na sua sala de estar. Sentí um desespero enorme pelo irreversível e chorei como nunca havia chorado antes. Chorei pela sua ausência, chorei pela minha impotência diante do impedimento, pelo seu sorriso de alegria que eu deixaria de apreciar quando ela tivesse estes dois livros em suas mãos.
Minha mãe, assustada e preocupada com a minha enorme tristeza me confortou dizendo que onde Camilla estivesse apreciaria os livros igualmente.
E assim alguns dias depois da sua partida, pelas
mãos do Editor da Editora do Brasil , na época, Walter Szeligowski Ramos, os dois livros foram lançados pelo Brasil afora.

Camilla, muito obrigada por fazer parte da minha história.

Esta foto marca os felizes dias de uma exposição que aconteceu no SESC-Campestre de São Paulo denominado "As figuras do Livro" com muitas imagens de como se ilustrava um livro antigamente, cedida pela Camilla Cerqueira César e ilustrações atuais da época, onde também participei com os meus trabalhos.

Da esquerda para direita, Camilla Cerqueira César, Lúcia Hiratsuka, Eu, Maria Heloísa Penteado e a irmã da Camilla.

Em 1988 inaugurou-se a Biblioteca Municipal Camilla Cerqueira César, no Bairro de Butantã
em São Paulo.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Lúcia Pimentel Góes

O Dedal da Vovó.
Esta história aguardava por mim.
No ano de 1986, ávida por conhecer de perto a arte da ilustração, comecei a participar de vários eventos relacionados com ilustração de livros. Frequentava muitas exposições, ia ao encontro de ilustradores profissionais que me inspirassem, me ensinassem os caminhos que deveria trilhar para me profissionalizar como ilustradora de livros infantil e juvenil. Tomei conhecimento da existência de um centro de estudos chamado CELIJU Centro de Estudos de Literatura Infantil e Juvenil. As reuniões aconteciam no auditório da Biblioteca Monteiro Lobato, região central de São Paulo. Não me recordo com exatidão se aconteciam mensalmente ou semanalmente, mas eu estava sempre lá, um peixe totalmente fora d'água.
Era uma reunião de escritores já consagrados, editores e ilustradores profissionais.
Quietinha me sentava no cantinho, mas sendo míope, sempre me posicionava na primeira fileira. Logo as pessoas começaram a reparar que havia uma garota, personagem nova e então carinhosamente se aproximavam de mim. Assim conheci Camilla Cerqueira César e Lúcia Pimentel Góes. Duas senhoras ternas que se dirigiram a mim para que eu me enturmasse mais naquele ambiente totalmente diferente do que eu estava acostumada a frequentar. Nas reuniões, palestrantes ilustradores como Eva Furnari , Luis Camargo, Angela Lago, Rui de Oliveira, Ciça Fittipaldi e tantos outros compartilhavam suas experiências como ilustradores respeitados me deixando cada vez mais apaixonada por esta arte. Escritores de literatura infantil e juvenil consagrados como Camilla Cerqueira César, Lúcia Pimentel Goés, Giselda Laporta Nicolelis, Odete de Barros Mott, Maria Heloisa Penteado, profa. e Dra. Nelly Novaes Coelho e muitos outros, a cada palestra, enriqueciam nossos conhecimentos. Um abençoado dia, Lúcia Pimentel Góes sabendo da minha paixão convidou-me para ir até a sua casa e generosamente me ofereceu um texto para que eu ilustrasse experimentalmente. Se ficasse bom ela ofereceria para publicação em alguma editora. Eu fiquei em transe ao ouvir esta oferta. Lembro que levei o texto para casa com todo carinho e cuidado, com o coração palpitante! Era uma rara oportunidade, a primeira pessoa que estendia a mão para mim oferecendo-me um trabalho como ilustradora profissional. Chegando em casa meu sentimento era uma mistura de euforia e medo. E se eu não conseguir realizar um trabalho à altura? Mas a história me cativou e me conduziu. Não poderia desperdiçar esta chance. Me empenhei ao máximo tanto na criação de personagens como na programação visual das páginas e coloquei todo o meu carinho neste trabalho para retribuir esta confiança que a autora havia depositado em mim.


A Lúcia aprovou e ofereceu ao Editor, na época, da Editora FTD, Lino de Albergaria. Orientado pelo Editor de Arte, Cláudio Cuellar concluí o meu primeiro trabalho profissional como ilustradora. Assim nasceu meu primeiro rebento como ilustradora, "O Dedal da Vóvó".
Este livro será sempre o meu querido primogênito.
Lúcia Pimentel Góes merecidamente recebeu o prêmio APCA por este livro.
Depois de muitos anos, ainda hoje, este livro me proporciona bons momentos. Tenho conhecido muitos jovens que se preparam para prestar o vestibular numa Faculdade de Artes e terão que se submeter às provas de conhecimento específico de desenho. Chegam para ter aulas de desenho comigo e ao me conhecerem contam-me que leram este livro na infância e que ainda têm em suas casas. Eles ficam muito surpresos e dizem:
-Naomy, que legal! Então é você que ilustrou o livro. Eu tenho esse livro "O Dedal da Vovó", desde pequenininho. Que máximo!

Outro dia fiquei sabendo, também através de um aluno, que viu este livro na biblioteca do ITACI- Instituto do Tratamento do Câncer Infantil do Hospital das Clínicas de São Paulo. Ao saber, fiquei emocionada e com esperança de que o livro possa fazer os momentos destas crianças guerreiras um pouco mais alegres.
Fico muito feliz e sinto um prazer enorme ao encontrar e ouvir os jovens que cresceram estudando e divertindo-se, na infância, com livros cujas ilustrações criei e soltei pela vida.

Fotografia do lança-
mento de livros na Livraria Nobel. (1986)
"Coleção
Escadinha" -Editora do Brasil. Dez livros, história de: Lúcia Pimentel Góes, Ilustrações:Naomy Kuroda, Programação Visual: Alice Góes.
Da esquerda para a direita:
Eu, Alice Góes e Lúcia Pimentel Góes.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Desejar ao outro o mesmo que se deseja para si.


A raposa e a cegonha viviam amigávelmente, juntamente com outros bichos, num grande bosque à beira de um lago.
Um certo dia, a raposa ouve uma conversa das cegonhas sobre as vantagens de possuir longos bicos vermelhos e resolve pregar uma peça. Convida gentilmente a cegonha para jantar em sua casa, prepara um delicioso jantar, mas serve em pratos rasos
que impedem a cegonha de desfrutar. A cegonha muito humilhada mas sem perder a pose retribui o convite e
marca um almoço onde ela prepara um maravilhoso quitute,
porém serve em jarros com pescoços altos e finos deixando a raposa apenas na vontade.
Fábula de Esopo. Com certeza todos já leram ou ouviram na infância. Histórias que são contados às crianças para que sejamos adultos íntegros, para que não façamos ao outro o que não queremos que façam para nós.
Mas... o tempo passa, a vida corrida e a sociedade competitiva absorvem o adulto de tal forma que histórias infantis ficam no esquecimento.
Há muitos anos atrás ouvi na salinha de descanso dos funcionários a seguinte conversa:
- Sabe a "A" , foi passar as férias em Bariloche! Ela disse que quer ver a neve. (risos) E eu tô torcendo para que não esteja nevando lá. (risos)
Aliás, eu vou ligar para uma agência de turismo para me informar se está nevando lá.
Aposto que quando ela voltar, mesmo que não tenha visto a neve vai contar para todos
que adorou ver a neve. E eu vou estar preparada para desmascará-la. (risos)
Era apenas uma conversa informal mas me recordo que quando ouvi lembrei-me da história da "A cegonha e a raposa". Por que as pessoas fazem ao outro o que não desejam para si?
Recentemente tive a oportunidade de ilustrar o livro " A cegonha e a raposa". Quando lí novamente a história, depois de muitos anos, comecei a fazer um exame de consciência, se de uma forma ou de outra, sem perceber, não estariamos agindo também como a raposa e a cegonha? Confesso, tenho mania de ficar me preocupando com os outros aconselhando para que faça check-up, coma melhor, separo artigos sobre saúde, educação, psicoterapia e fico distribuindo cuidando da vida alheia. Sou a "chata" da família. Mas... e quando estou me deliciando com quitutes e alguém me aconselha a moderar, lembrar sobre a existência da balança? Fico odiando o conselheiro. Pois é... por que fico tomando conta da vida alheia se não acho agradável que faça isso comigo. Não podemos descuidar. Uma volta à nossa infância, à nossa aprendizagem dos princípios éticos básicos que obtivemos na infância é sempre necessário.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Por um dia...


Por um dia... ou talvez até por mais gostaria de ser uma "bruxinha".
Vassouras velhas tenho em casa, chapéu e vestido de bruxinha posso até arrumar numa casa de fantasias.
Mas os poderes teriam que ser muito especiais.
Em primeiro lugar teria que me transformar numa bruxinha bem levinha para poder voar com as vassouras velhas de casa. E em segundo lugar... Ah! os poderes, aí é que são elas. A possibilidade de realizar qualquer coisa através da imaginação me deixou agitada com muitas vontades.
Hoje, embarquei nesta fantasia pois encontrei nos meus guardados, folhas destacadas de um pequeno caderno de brochura. Nestas folhas já amareladas pelo tempo, poesias e crônicas que escrevi com muita seriedade durante a minha adolescência. Algumas eu havia escrito em língua japonesa e os temas por mim abordados são muito sérios, porém de uma profundidade equivalente à minha idade na época. Faço um discurso sobre a vida, o amor, até sobre um dia chuvoso e os guarda-chuvas que preenchem as ruas. Ao lê-las, inicialmente tive o ímpeto de rir de mim, mas achei que merecia um certo respeito e me segurei. À medida que fui relendo comecei a perceber que eu já fora mais preocupada com o mundo, mais crítica com o comportamento humano, com idéias mais sisudas do que as que tenho hoje.
Através das palavras escritas notei que eu até sofria com aquelas dúvidas e inseguranças
sobre a vida.
Quanto tempo e sofrimento perdido quando poderia estar aproveitando momentos livres da adolescência, momentos que não possuía grandes responsabilidades. Tive vontade de me sentar ao lado da Naomy adolescente e dar uns bons conselhos.
Bem que eu poderia ser uma bruxinha, ter a fórmula da poção mágica que possibilitasse ir ao encontro comigo mesma, adolescente.
Eu a aconselharia sobre várias coisas, ia falar para relaxar, preocupar-se menos com as coisas, curtir a vida, namorar muito, ler muito, estudar mais sobre artes, literatura, visitar museus e exposições, comer menos porcaria, praticar esportes para não ser uma adulta fora do peso... tantas coisas...
Calculei que através dos meus conselhos eu poderia protegê-la, evitar os percalços da vida. Fechei os olhos e me imaginei conversando com a Naomy adolescente, explicando tudo a ela para que não sofra gratuitamente. Eu falava com tanta boa vontade, cheia de boas intensões...
Mas a Naomy adolescente me olhou com desdém, elevou as sobrancelhas e disse:
- Ah!, me erra, pode deixar que da minha vida cuido eu!







domingo, 24 de janeiro de 2010

Toc, toc!

Toc, toc!
Aguém lá fora bate a porta, alguém chama, tem gente querendo entrar. No mundo em que vivemos hoje, de muita violência e perigo, antes de abrir a porta as pessoas se utilizam de inúmeros recursos para certificar se não correm nenhum risco ao abrí-la. Olho mágico,  uma olhadinha pela varanda e bem distante do visitante pergunta:
- O que é que o senhor quer? ou
- A dona não está! ou
- Não estamos comprando nada!
Assim afasta-se o quanto antes o intruso que poderá abalar
a paz. Afinal, a vida já tem problemas demais e não dá para ficar deixando entrar qualquer pessoa em casa.
E quando alguém bate a porta do nosso coração? Será que é assim que fazemos também? Hoje uma frase passou diante dos meus olhos :
"Abra o seu coração".
A frase não dizia nada além disso. Seria abrir o coração para a amizade? O amor? Uma religião ou seita? Na minha cabeça a frase pegou um rumo. Será que a porta do meu coração está fechada, aberta, escancarada?
Eu adoro conhecer pessoas, fazer novas amizades, cultivo amizades de longos anos, mas posso contar nos dedos de uma mão e meia as pessoas que realmente abro a porta do meu coração. E se tiver mais pessoas batendo para que eu abra a porta? E logo aparece uma voz na minha cabeça:
-Olha, pensa bem. Vai abrindo muito a porta, depois não vai dar conta, lembre-se do que a raposa do "O pequeno príncipe" (Antoine de Saint-Exupéry) disse ao príncipe:
"Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas".
Fico tensa, alerta, mas tento negociar com a voz:
- Calma, me deixa! Acho que posso dar conta de um pouco mais... Quem sabe pelo menos até completar os dedos das duas mãos.
Afinal, não há nada mais essencial que uma amizade. Uma amizade que podemos deixar a porta do nosso coração sem chavear, como nas casas do interior.
Vou ver se tem alguém batendo a porta do meu coração.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Estender a mão para dar, estender a mão para receber.


Estender a mão para dar, estender a mão para receber, qual seria o lado que gostaríamos de estar?
Será que esta questão seria fácil de ser respondida?
A primeira impressão seria de que é muito melhor recebermos, mais cômodo, mais lucrativo, pois aquele que dá está sempre "levando a pior", está sempre doando, perdendo, trabalhando pelos outros...
Será verdade?
Visto de perto, nada é como parece ser. É muito difícil receber, é muito difícil estar na posição de precisar receber. É necessário muita humildade para saber receber, reconhecermos os nossos limites, estar à deriva na vida aguardando a boa vontade das pessoas para receber. Quando se está numa situação em que a única saída é receber, imagino ser o estado mais puro de humildade.
É muito confortável estar na posição de dar, poder dar, sentir que ajudou, como é feliz aquele que pode estender a mão para dar. Vejo situações catastróficas em que recentemente várias partes do Mundo se envolveram, sempre presente os dois lados o que estende a mão para doar e o que estende para receber. Não precisamos pensar muito para respondermos qual lado gostaríamos de estar, basta olharmos para o Mundo para entendermos que se estivermos do lado premiado dos que podem estender a mão para dar devemos agradecer e estendermos firmemente a mão para doar cada vez mais.

domingo, 17 de janeiro de 2010

O primeiro amor.



Ele chega.
Não existe o talvez.
Com certeza ele chega.
É quase impossível escapar dele.
Tenho observado que ele tem chegado cada vez mais precocemente na vida dos jovens.
"O primeiro amor".
Amor bonito, platônico que faz o coração palpitar intensamente, o rosto pegar fogo, a voz tremer e deixar a nossa cabeça totalmente preenchida com o único nome, único rosto, única imagem. Aquele amor que nos faz escrever diários, poesias e desenhar muitos corações.
Nunca conheci alguém que não tivesse passado por esta experiência. Todos têm uma linda história de amor para contar e eu adoro ouví-las. O primeiro amor é sempre um amor puro, cheio de inseguranças e medos, mas de muita intensidade, onde a única coisa que desejamos é ver a pessoa amada, trocar tímidos sorrisos, ouvir a sua voz nem que seja de longe. Uma pequena descoberta sobre a pessoa já é uma grande conquista. Descobrirmos a data de nascimento, um dado precioso e importantíssimo para conhecermos o seu signo zodiacal e consequentemente verificarmos se somos compatíveis pelas leis da astrologia. Jovens dias são preenchidos com alegrias, sofrimentos mas com muitas recordações. É a única coisa que não se ensina, não se treina nem se escolhe. Somos arrebatados e quando acontece basta vivê-lo para um dia, depois de muitos anos, lembrarmos com carinho os preciosos e ricos momentos da nossa vida. Como é bonito e instigante contemplar os jovens iniciarem a vivência dos seus amores platônicos, a aprendizagem do bem querer. E a roda da vida gira, gira ao encontro do que não se compra, não se negocia e não se obriga.
Amor, a eterna busca e desejo do ser humano!


terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Lapidar, aprender, amadurecer.



Arrogância, palavra um tanto assustadora, com certeza negativa, antagonista da palavra humildade, obviamente positiva. Feliz ou infelizmente numa certa altura da vida agimos, na melhor das hipóteses, momentâneamente, com alguma arrogância. Digo feliz ou infelizmente pois para se vivenciar melhor o lado positivo muitas vezes faz-se necessário ter conhecido o negativo e assim vamos nos lapidando como ser humano melhor. Não sou nenhuma autoridade no assunto, portanto não estou autorizada a afirmar, mas tenho a impressão que "arrogância" que os dicionários definem como soberba, atrevimento e orgulho, tem uma relação direta com "imaturidade".
Quando somos jovens ou não tão jovens mas imaturos muitas vezes agimos com uma certa arrogância e impulsividade que só com o amadurecimento através da aprendizagem
conseguimos perceber o quanto já fomos arrogantes na vida e do tanto que pensávamos que sabíamos da vida sem nada saber.
Querer mostrar conhecimentos, não saber apreciar o que o outro tem a nos ensinar, o querer falar mais do que ouvir, o querer ter sempre razão numa discussão penso que estão relacionados com a imaturidade. Se fizermos uma reflexão assumiremos que muitas vezes já agimos assim um dia.
Saber ouvir o outro e mesmo não concordando com a opinião do outro saber respeitar, ouvir calado e manifestar-se apenas quando se é perguntado é uma atitude muitas vezes difícil, se não impossível.
Sempre fui muito falante, também gosto muito de ouvir o outro, mas muitas vezes sem perceber já estava dando a minha opinião sem ter sido perguntada. A ansiedade de me tornar compreendida muitas vezes me transforma em mal educada. Faz parte da minha meta deste ano me lapidar melhor, ser mais ouvinte do que falante. Tentar ser mais madura pois em termos etários já não era sem tempo!

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Um homem bom
















Numa das festas de confraternização de 2009 tive o prazer de ouvir palavras que ficaram gravadas no meu coração e levarei comigo para sempre.
Um grande médico, respeitadíssimo, após 42 anos de dedicação total à Ciências Médicas e aos pacientes, estava se aposentando.
Ajudou e salvou uma enorme quantidade de pessoas e preparou inúmeros profissionais que se tornariam excelentes médicos. Homenagens e palavras de pessoas que trabalharam e aprenderam com ele me fizeram perceber claramente o quanto era respeitado e amado. Através das lágrimas que escorriam dos olhos das pessoas que o admiravam e tiveram o prazer de aprender com ele sobre a Medicina, Ciência e a Vida e que se lamentavam pois não teriam mais o prazer do convívio profissional, senti exatamente o que aquele homem significava para aquelas pessoas e para a Medicina.
No seu discurso, com seu modo calmo, humilde, generoso e amoroso agradeceu aos pacientes, amigos e colegas. E entre tantas coisas importantes que o doutor disse ficou uma frase simples mas de uma verdade marcante que me fez refletir e sei que jamais sairá da minha cabeça.
- Para ser um grande médico é preciso acima de tudo ser um homem bom.
Assim ele encerrou suas falas recebendo muitos aplausos e abraços. Naqueles abraços e lágrimas
só existiam sentimentos verdadeiros de gratidão e muito amor. Meus olhos também se encheram de lágrimas de emoção, não o conheci proximamente mas senti no coração a beleza de um ser humano bom. De um ser humano que doou sua vida, sua dedicação para cuidar e salvar o próximo. E todos os seus alunos farão o mesmo pois dele aprenderam a essência da vida e da profissão. Para ser um ótimo profissional é preciso acima de tudo ser um homem bom. É a grande verdade de uma pessoa que presenciou sofrimentos, alegrias, lutas, esperanças, dificuldades e após anos de dedicação e lutas diárias por 42 longos anos era "querido, respeitado e amado" por tantas pessoas.
Sim, este é o verdadeiro significado de "ser uma pessoa bem sucedida" e de uma vida que vale a pena ser vivida. Em qualquer profissão penso que vale o mesmo . Para participarmos como um elo desta corrente chamada "Vida" e fazermos valer a pena nossa existência é preciso sermos seres humanos bons e então tornaremos bons profissionais e tudo se frutificará e a corrente seguirá.

sábado, 2 de janeiro de 2010

2010




Estamos em 2010.
Todo início de ano fazemos mil planos, promessas,
mas o difícil é concretizarmos, perseverarmos.
Para se prometer algo e cumprí-lo é necessário muita disciplina e determinação.
Meu pai que está com 82 anos é uma pessoa disciplinadíssima,
o que se autodetermina cumpre com rigor.
Eu que sou sua filha tenho algumas dificuldades quanto a isso,
sou condescendente comigo mesma e deixo passar, do tipo amanhã eu começo o regime. Fico me perguntando como ele consegue ser tão disciplinado com tudo principalmente nos horários que determina para si. Acorda todos os dias às 5 horas, se exercita até às 6, almoça às 11:30, dorme às 22 horas e assim por diante, todos os dias, domingos e feriados.
Herdei dele as pernas grossas mas no quesito disciplina ...
Quando tenho horário a cumprir com terceiros sou pontual
(ou quase), sou daquelas que telefona quando digo que ligo, não esqueço de nada que prometo aos outros mas quando o compromisso é apenas comigo... Horários então, não consigo ter nenhuma disciplina. Quando estou maluca no meio de projetos de ilustração costumo colocar a culpa na minha profissão de ilustradora e acabo dormindo às 3 ou 4 horas da madrugada, não tenho horário certo para me alimentar, enfim, um desleixo total. Certa vez perguntei ao meu pai como consegue ser assim tão disciplinado consigo mesmo. Ele me respondeu curto e grosso:
- Se quando temos compromisso com terceiros cumprimos com respeito, quando o compromisso é conosco que merecemos respeito de nós mesmos tanto quanto aos outros, devemos cumprir da mesma forma.
Como sempre as respostas do meu pai são praticamente impossíveis de rebater.
Este ano gostaria de ser mais disciplinada, mais zen, menos ansiosa...
Nossa! As metas são intermináveis, quem sabe este ano o meu DNA possa me dar uma forcinha!

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Feliz Ano Novo!


Estamos a dois passos (dias) do ano 2010!
Quem diria! Há alguns bons anos atrás pensávamos que em 2010 estaríamos voando em algum meio de transporte ultra moderno, já teriam inventado alimentos em forma de cápsulas com todos os nutrientes necessários para a manutenção da nossa saúde e sobrevivência sem preocuparmos com dietas e malhações.
Usaríamos roupas modernas que não suaríamos não precisaríamos de desodorantes etc, etc...
Estamos aqui na porta de 2010, continuamos andando com sapatos, a cavalo, de ônibus, automóveis, metrô, barco, navio, avião, trem e trem bala. Nos alimentamos de verduras, legumes, cereais, frutas, carnes, ovos e leite. Vestimos tecidos de algodão, sintéticos, suamos, cheiramos mal após suarmos, continuamos utilizando perfumes, sabonetes, preocupamos com colesterol, diabetes, dietas e malhações.
Mas verdade seja dita, muita coisa mudou tremendamente, comunicamos com pessoas do mundo inteiro em tempo real pela internet, falamos de qualquer lugar pelo telefone celular, fotografamos e passamos email pelo mesmo aparelho celular. A medicina e a ciência nos enche de esperança pois tiveram uma grande evolução. Mas graças a Deus o ser humano continua o mesmo, sentimos alegrias, ciúmes, tristezas, ansiedades, esperança e principalmente ainda impera em nossos corações a amizade, o companheirismo, a solidariedade e o amor ao próximo. Tenho a certeza disso quando vejo pessoas que arriscam a própria vida para salvar o próximo numa enchente, num acidente, numa catástrofe. Médicos, bombeiros e tantas outras profissões que o ser humano tem o como objetivo único salvar o próximo mesmo colocando em risco a própria vida.
Vejo sentimentos florescerem quando um jovem ruboriza ao falar da namorada, quando choramos ao assistir um filme de amor, amizade... Quando a tristeza do outro nos entristece da mesma maneira e a alegria dele é a nossa também... Graças a Deus ainda somos seres humanos de carne, osso e sentimentos! Chegamos em 2010, chegaremos em 2020, 2030 e muitos outros anos mas eu desejo do fundo do meu coração e tenho a plena convicção de que o ser humano será sempre esse maravilhoso ser propagador de amor!
Feliz 2010, que o amor ao próximo esteja sempre presente dentro de nós!

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Feliz Natal!


Dia 25 se aproxima, tudo e todos se agitam.
Alguns poderiam dizer que tudo isto é orquestrado pelo comércio, pelo consumismo...
Podem até discursar por horas e tentar derrubar esta data que tantos põe fé por tantos anos.
Fico, na esquina da rua comercial onde moro, aguardando o farol me dar passagem e vejo pessoas com sacolinhas, sacolas e sacolões indo e vindo apressados. E como sempre, penso, reflito e tenho quase certeza de que ninguém, por mais intelectuais que sejam não conseguem derrubar esta data nem este Bebê que veio ao mundo, nasceu numa manjedoura e quando adulto pregou o amor ao próximo.
As mãos que seguram sacolinhas, sacolas e sacolões seguem firmes e no olhar destas pessoas sinto que posso ver a alegria e a esperança de fazer alguém feliz. Todos querem presentear alguém, mesmo que muitas vezes o objeto não agrade, seja um presente-mico, por trás deste presente só houve amor. Quando estamos escolhendo os presentes sentimos quase um medo, uma adrenalina como muitos dizem. Tudo isto porque temos receio de não acertar o gosto, o tamanho, de que o presenteado nos ache brega ou de mal gosto. Mesmo assim compramos, presenteamos, corremos riscos pois queremos transmitir o quanto esta pessoa é importante para nós. Enfim, tudo se resume apenas numa palavra "amor ao próximo" a mesma do Bebê que nasceu no dia 25. A máquina move o mundo, o homem move a máquina e o amor move o homem, novamente se resume no "amor".
Não conheço nenhuma destas pessoas que transitam com sacolas mas sinto carinho por elas
pois sei que dentro delas tem o mesmo sentimento que está dentro de mim o "amor por alguém".
Alguém que está longe, alguém que nos espera em casa, que segura a nossa mão quando estamos com medo, alguém que não precisa de palavras, que apenas com um olhar sabemos que somos amadas, alguém que queremos como amigo ou amiga para sempre, alguém que queremos envelhecer juntos caminhando lado a lado. Felizmente todos temos alguém para presentear.
E mesmo para àquelas pessoas que não presenteamos temos carinho, desejamos boa sorte,
rezamos por elas, torcemos por elas, temos saudade e entendo que tudo isso é amor.
À todas as pessoas que venho conhecendo pela vida, que me ensinam, que me enriquecem como pessoa, que me cuidam, que me fazem feliz e amo do fundo do meu coração,
desejo um Feliz Natal!
Muito obrigada por tornar a minha vida tão preciosa!


sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

O melhor presente.

Qual seria o melhor presente para fazer uma pessoa feliz?
Um namorado? Uma casa? Um carro? Um filho? Um pai? Uma mãe? Um video game?Uma jóia?
Um relógio? Uma bola? Uma boneca? Uma calça? Um vestido? Um amigo? Uma noite de sono tranquilo? Uma vaga na escola? Um ombro amigo? Uma ótima saúde? Nossa! Milhões e milhões de opções se enfileiram e se candidatam a ser coroado "O melhor presente!". Hoje, fui com meus dois amados sobrinhos a uma loja de brinquedos para presenteá-los no Natal. Já não consigo me manter atualizada para acertar na mosca o que realmente eles "curtem" em termos de brinquedo. Sempre temos um ritual semelhante vamos eu, meus sobrinhos e minha cunhada, mãe deles destino ao Shopping para comprar os presentes. Ficamos algumas boas horas na loja, pois eles gostam de olhar quase tudo, decidindo o que levar e graças a Deus são muito educados e conscientes, nunca me deixaram constrangida me pedindo brinquedos que eu não poderia comprar. Minha cunhada nos deixa à vontade mas fica sempre atenta nas crianças para garantir a boa educação deles.

Quando o valor dos brinquedos escolhidos passam um pouco do orçamento a verba que minha irmã (mora em outro estado) me envia para presentes também é incluído para a compra de um mesmo brinquedo. Compras feitas eu pergunto: - E aí, quem está com fome? Os olhinhos deles brilham e os dois gritam: -Eu!

E lá vamos nós para a grande atração deste gostoso passeio, o lanche que vem com um brinquedo. Na lanchonete, a hora de escolher o brinquedo é outro instante feliz. Alguns dilemas, tensões e em alguns segundos estamos todos deliciando, conversando e fico contemplando os rostinhos felizes de duas pessoazinhas que eu amo tanto, todo sujo de molhos. Fico observando que apesar de carrinhos, brinquedos da moda, o que os deixam satisfeitos são estes momentos que misturam, decisões, surpresas, o estarmos juntos e o amor que marcam as felizes lembranças. Não tem preço ver os rostinhos meigos e felizes dizendo no intervalo de uma e outra mordida: - Obrigado, tia Naomy! E então agradeço a Deus por me conceder estes momentos tão singelos e ricos que preenchem meu coração de calor e ternura. Estas imagens ficam guardadas carinhosamente no lugar especial da minha memória para sempre.

Obrigada digo a vocês, queridos sobrinhos, por alegrarem tanto a minha vida!

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Curiosidade "do bem", curiosidade "do mal".

Tenho observado muitas pessoas usarem o termo "do bem " e "do mal ". Meus sobrinhos costumam dizer este é Homem Aranha "do bem" e este é "do mal" e assim se define claramente que este é o herói e outro o vilão. Embora acredite que o ser humano e os heróis não sejam tão simples assim, resolvi me aderir ao uso deste termo pelo menos nas ocasiões que exigem maior agilidade. Bem, toda esta introdução para falar de "curiosidade". Sou uma pessoa curiosa desde que me entendo por gente. Queria respostas sobre tudo e não podiam ser respostas básicas do tipo " é ou não é", "sim ou não" e principalmente o "pode ser que sim, pode ser que não" me deixava tremendamente insatisfeita. Eu necessitava de mais detalhes, informações, notícias completas ou então preferia nem ter sabido. As pessoas que conviviam comigo ficavam me olhando feio com cara de - Ih! Lá vem ela com as suas perguntas! Nos tempos da faculdade, minhas amigas se aproveitavam deste meu traço de personalidade somada a ingenuidade. Qualquer informação que elas queriam obter vinham direto a mim e diziam:
-Ô ô ô... Naomy, por que será que ... E então, eu, bobinha, caia direitinho e me incumbia de me informar como uma repórter. Sempre tive a sensação de que as pessoas julgavam a curiosidade uma coisa feia, inconveniente, indiscreta. Ao perceber isto fui ficando mais sutil nas minhas necessidades jornalísticas. Mas como tudo que é da nossa personalidade não se apaga tão fácilmente, de tempos em tempos quando relaxo esta minha faceta se apresenta. Quando olho para as pessoas eu não vejo simplesmente. Eu admiro cada detalhe, o corte do cabelo, o seu jeito de andar, o seu sorriso e como costuma se vestir. Sinto que fico conhecendo melhor as pessoas assim, observando os gostos e as atitudes das pessoas. Também adoro observar e imaginar além do que se apresenta. -Ah, aquele senhor está comprando doces pois ele irá visitar os netos, ou aquela mulher está com a cara amarrada pois deve estar atrasada para o expediente e ela deve ter um chefe muito bravo e assim vai... Muitos dirão - Ai que fofoqueira! Bem, acho que se eu fizesse fofoca do que observo, neste caso seria uma curiosidade "do mal". Mas simplesmente sou apaixonada pelas pessoas e suas peculiaridades que fazem as pessoas serem diferentes uma das outras. Depois de muito tempo sendo complexada de que eu não era muito normal, refleti sobre o assunto e eu observei a mim mesma e cheguei ao veredicto: sou curiosa sim, mas não tenho necessidade de contar a ninguém. Comecei a entender também que estes dados que tenho armazenados na minha memória muitas vezes dão vida aos meus personagens em forma de ilustração. Resolvi me absolver e acreditar que a minha curiosidade é "do bem".

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Procura-se 12 duendes e uma menina.

Recentemente, assisti consternada a uma reportagem na televisão sobre as mães que por longos anos procuram por seus filhos. Sem ao menos saberem o motivo do desparecimento, elas se consomem em tristeza, dúvidas, preocupações e principalmente sentem-se desesperadas pois não sabem se os filhos estariam bem e onde. Longe de mim querer
comparar-me à tristeza destas mães pois imagino que a dimensão da tristeza delas deva ser incomparável a qualquer outro sentimento de dor deste mundo. Mesmo assim, também procuro uma criação minha há 25 longos anos.
Há aproximadamente 27 anos, conheci um grupo de jovens desenhistas de Mangá(HQ japonês) e alguns ilustradores que fundaram uma associação a partir de um ideal : o amor pelo Mangá e Ilustração. Foi denominada ABRADEMI(Associação Brasileira de Desenhistas de Mangá e Ilustrações). Tive o prazer de fazer parte dela embora na época o que eu compartilhava com o grupo fosse o amor pelo desenho pois eu não era profissional ainda, tinha apenas muita vontade de aprender. No ano de 1984 a ABRADEMI organizou uma exposição no MASP-Museu de Arte de São Paulo. Com o objetivo de participar deste evento, criei com carinho, duas ilustrações grandes onde 12 duendes da floresta se divertiam ao assustar uma menina que lia um livro na floresta. Logo após o encerramento desta exposição fui convidada a participar de outra na instituição onde eu trabalhava na época. No segundo dia da exposição, quando cheguei para trabalhar, já corria a notícia pelos corredores: - As ilustrações da Naomy sumiram, foram roubadas! Havia outras ilustrações minhas, porém apenas estas duas estavam ausentes. Justamente as que eu tanto gostava, tinha apego e amor por elas. Ainda sinto tristeza e muita saudade, nunca me esqueci delas. Tenho vontade de saber quem levou os meus 12 duendes e a menina e o por quê? Mas sei que não terei esta resposta. Ficou apenas esta fotografia tirada durante a exposição no MASP que mal se vê os detalhes.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Ano que passa, ano que chega.


Estamos a alguns passos da virada do ano. Panetones, árvores de Natal, agendas de 2010 nas lojas e o vai vem um tanto ansioso das pessoas me assustam um pouco e me deixa com uma falta de concentração.
Fico sentindo que preciso correr também mas não sei para onde nem para fazer o que.
Fazer? Tenho listas de coisas para fazer, lavar cortinas, limpeza geral, organizar armários...
Muitas vezes a impressão que me dá é que todos estão muito endinheirados fazendo compras e mais compras e eu fico me preocupando com faxina. Estou tentando mudar a direção do meu pensamento e como os AAs estou me empenhando em viver cada dia serenamente. Hoje percebi também que estamos quase nos despedindo de 2009 mas também estamos prestes a receber um bebê 2010.
E um começo, um nascimento sempre nos dá esperança! Cada ano que se passa estamos ganhando um novo ano e registrando que vivemos e produzimos mais uma ano. Então, vamos lá, sempre pra frente!

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Bonecos Articuláveis do Atelier Caixadagua33











Pessoal muito criativo do Atelier Caixadagua33 transforma personagens de livros ou qualquer outro personagem em lindos bonecos articuláveis. Estes bonecos foram baseados nos personagens do livro "Eca! Dá um Bucadim! " da Editora Saraiva, Autor: João Francisco Paes e ilustrado por mim. Os bonecos foram encomendados pela Jandira da Atitude Educacional. No fundo, a ilustração do livro. Esta foto está no Blog do Atelier, Novembro2008.
Visitem o blog do Atelier Caixadagua33 e conheçam os cursos oferecidos e os bonecos confeccionados por eles.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009







A humildade de ser humilde

Uma certa vez recebi a visita de um rapaz de modos calmos, olhar pacífico, voz suave. Trazia carinhosamente em seus braços uma pasta. Seus braços evidenciavam o quanto gostava de artes. Praticamente seu corpo era uma galeria de arte. Com o seu jeito humilde disse que gostaria de conversar comigo sobre as aulas que eu poderia lhe oferecer. Eu o convidei a sentar e perguntei qual seria o seu interesse, hobby ou profissão? Ele me respondeu o que o seu corpo já evidenciava, era tatuador e gostaria de aperfeiçoar-se nos desenhos. Desconfiei que aquela pasta poderia conter seus trabalhos e pedi para que me mostrasse. Tímidamente abriu a sua pasta e me apresentou fotografias de desenhos e tatuagens que havia criado para seus clientes. Eram fenomenais. Enquanto pensava com os meus botões sobre o que ele estaria procurando e se eu teria o que lhe acrescentar como orientação, fui folheando a sua pasta, observando cuidadosamente os seus desenhos no que se refere a estrutura e finalização. Uma ou outra coisa poderia ser melhorado mas nada que fosse muito grave. E então lhe falei o que pareceu uma surpresa para ele. - Eu sinceramente acho que os seus desenhos são muito bons e não sei se tenho ainda muita coisa que possa te orientar. Eu gostaria de saber o que você ainda sente que falta nos seus desenhos? Ele me olhou e disse: - Não, eu quero aprender tudo do início. Eu ainda insisti - Talvez eu possa te mostrar algumas coisas que poderiam ser melhoradas mas seriam poucas coisas. E ele disse - Por favor, eu gostaria de aprender. E assim ele fez, desde o início, desenhando desenhos bem básicos e seguiu melhorando ainda mais, ouvia sempre atentamente todas as minhas sugestões e críticas e transformava em ação. E mais uma vez aprendi como a humildade enobrece e faz a pessoa engrandecer cada vez mais. Portanto, o célebre "Espelho, espelho meu, existe alguém... " não enobrece nem constrói, apenas paraliza os próprios passos.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Apoio

Após citar no artigo anterior sobre a possibilidade da falta de apoio na escolha da profissão de desenhista fiquei refletindo sobre o tamanho da importância do apoio familiar. Evidentemente para aqueles que desejam intensamente ou como muitos dizem, recebem um chamado para uma certa profissão, mais cedo ou mais tarde chegarão onde se quer. Eu nasci e cresci numa família onde se respirava artes. Não era pecado gastar tempo desenhando, lendo ou escrevendo, muito pelo contrário, tínhamos muito incentivo para tal. Apenas não tínhamos uma situação financeira que podíamos esbanjar, então encontrávamos saídas para manter acesa a nossa vontade de desenhar e ler. Papéis de embrulho eram disputados acirradamente por mim e minha irmã, desamassados cuidadosamente e tudo dividido para as duas. Lápis, usávamos até sumir, quando viravam toquinhos minha mãe enrolava um papelão e colava com um pedaço de fita adesiva no lápis, como um extensor.
Nunca me esqueço do dia em que um amigo do meu pai, sabendo da nossa compulsão pelos papéis, nos presenteou com uma enorme quantidade de papel de embrulho. Moedas e trocados eram guardados para a compra de livros. Aniversários e Natais, os presentes eram sempre livros. Minha mãe sempre fazia questão de tecer comentários a respeito dos nossos desenhos, tanto críticas como elogios.
Fico pensando na solidão e no sofrimento das pessoas que enfrentam a falta de apoio e incentivo para o que se deseja fazer. Muitos dirão que encontrarão na dificuldade uma força maior para ultrapassar as barreiras da vida. Até posso concordar mas ainda penso que nós seres humanos, necessitamos de compreensão, de alguém que segure a nossa mão, que possamos contar o que nos emociona, compartilharmos a alegria ao concluirmos um projeto, sentirmos o calor no coração, sermos felizes para produzirmos algo que também faça bem para o próximo.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Amadurecer e fortalecer a certeza do que se deseja

Hoje recebi um aluno que há muito não encontrava. Um aluno dedicado, quase perfeccionista com muito talento para o desenho, mas ainda não encontrou o seu caminho profissional.
Torço muito por ele e acredito, do fundo do meu coração, no seu futuro profissional como caricaturista (pois este é o seu desejo).
Para conseguir subir no trilho profissional não é fácil e seguir adiante sem descarrilhar é mais difícil ainda, sinto que é preciso uma conexão de muitos fatores que gostaria muito de saber enumerar. Acredito que perseverança, jogo de cintura, paixão pelo seu trabalho, um pouco de ousadia e marketing fazem parte dos fatores. Até um pouco de sorte vai bem, mas eu penso que esta palavra sorte está ligada também com você se mostrar à vida o quanto você quer isso, não adianta esperarmos pela sorte sentadinha é necessário fazermos a nossa parte. Vale ressaltar também que muitas vezes fica difícil para a família compreender que o desenho pode ser uma profissão e vem as cobranças, as pressões e as necessidades urgentes para que se arrume um emprego. Evidentemente precisamos ganhar para sobreviver e no início é preciso saber conciliar o emprego e o ideal mas sem se afastar dos nossos sonhos de ser desenhista. Muitas vezes vejo casos de pessoas que acabam desistindo dos seus sonhos trabalham em outra profissão mas infelizes retornam para seus sonhos de ser desenhista depois de muito tempo, percebo que é muito difícil fugir dos ideais e isto é muito bom.
Sinto que é muito importante amadurecer e fortalecer a certeza do que se deseja e correr atrás pois ladeiras e ventos contrários pelo caminho não faltarão. Mas vale lembrar que não é o único a passar por esse caminho e muitos já chegaram lá.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Fotografia das irmãs, colorida manualmente




















Esta é uma das fotografias que minha mãe pintou manualmente.
Na época as cores eram mais fortes mas a passagem do tempo deixou a fotografia mais
amarelada e as cores mais desbotadas. Estas são as duas irmãs trabalhadoras mirins do estúdio fotográfico "FOTO ESTRELA" que ficava na Praça da Árvore (SP).
Eu sou a menorzinha.
As duas segurando, o que representava na época, o melhor presente para nós: livro de Mangá (HQ do Japão).
Fotografia tirada no cenário do estúdio fotográfico do meu pai.








O encontro com o pincel

Nasci como a segunda filha de um fotógrafo profissional. A minha infância foi ligeiramente incomum pois desde muito pequena eu e a minha irmã tínhamos uma função, um trabalho.
Foi numa época em que as pessoas não possuiam máquinas fotográficas domésticas como hoje que até com celulares tiramos fotos. Então, quando as pessoas casavam, batizavam, faziam a primeira comunhão, nasciam um filho iam até o estúdio fotográfico para registrar estes momentos tão importantes. Quando os clientes chegavam eu e a minha irmã interrompíamos a nossa brincadeira e íamos lá para : arrumar o longo véu ou a calda do vestido da noiva ou fazer graça utilizando o nosso brinquedo para os bebês sorrirem. Era uma função determinante para um bom resultado fotográfico. O estúdio do meu pai "Foto Estrêla" que ficava no bairro da Praça da Árvore, Zona Sul de São Paulo, era realmente um negócio familiar, a minha mãe também era fotógrafa e também coloria fotografias. Sim, como não existiam fotografias coloridas eram pintadas a mão uma por uma.
Uma tinta especial semelhante à aquarela, de origem americana, vinha incrustada em folhas, cada folha uma cor que totalizavam 24 folhas(24 cores) presas como um pequeno caderno. Com o pincel molhado em água pegava-se um pouco das cores e reservava-se no godê e misturavam-se para chegar nas cores que seriam pintadas. E as fotos eram pintadas com todo o cuidado para preservar a naturalidade e a qualidade.
Eu adorava ficar ao lado da minha mãe observando-a e até me atrevia a dar muitos palpites sobre as cores. Vendo esse meu interesse, ela resolveu me ensinar e testar se eu "daria para a coisa". E assim de uma simples arrumadora de véus fui promovida a colorista! Fiquei exultante pois poderia manusear aquelas tintas que tanto me interessavam e caprichava muito para que minha mãe tivesse orgulho de mim. Então, desde muito pequena tive amizade com pincéis e tintas e nunca mais parei.

Qual é a melhor profissão?